Distribuidora intensifica fiscalizações no Rio de Janeiro e Baixada Fluminense; furtos de energia geram prejuízo anual de R$ 1,3 bilhão e comprometem estabilidade da rede.
A Light registrou um avanço significativo em sua estratégia de combate às perdas não técnicas no mês de abril. Através de um cronograma intensivo de fiscalizações em sua área de concessão, a companhia identificou 3.744 irregularidades, abrangendo desde ligações clandestinas (os populares “gatos”) até a manipulação de sistemas de medição em unidades consumidoras de grande porte.
As operações resultaram na recuperação de 4,171 GWh de energia em apenas um mês, volume equivalente ao consumo mensal de quase 21 mil residências. Além do impacto financeiro e operacional, as ações contaram com forte apoio do poder público, resultando em 20 registros de ocorrência policial e 13 prisões em flagrante.
Foco em comércios e residências de alto consumo
O balanço das inspeções de abril revela que a prática do furto de energia não está restrita a áreas vulneráveis. As equipes técnicas da distribuidora identificaram desvios em estabelecimentos comerciais de alta carga, como restaurantes e mercados, além de residências em bairros como Barra da Tijuca, Recreio e Bangu, bem como no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A estratégia da concessionária visa mitigar o impacto direto que essas conexões irregulares causam na infraestrutura de distribuição. Ligações clandestinas não seguem normas técnicas, o que provoca sobrecargas nos transformadores, quedas de tensão e interrupções no fornecimento para os clientes regulares que pagam suas faturas em dia.
O desafio estrutural das perdas não técnicas
O histórico recente da Light demonstra a escala do desafio enfrentado pela companhia no Rio de Janeiro. Entre 2025 e o primeiro bimestre de 2026, a empresa conseguiu normalizar mais de 136 mil instalações e regularizar cerca de 2.900 ligações. Nesse intervalo, o montante de energia recuperado chegou a 240 GWh, o suficiente para suprir 80 mil residências durante um ano inteiro.
Entretanto, os números globais ainda são alarmantes para o equilíbrio econômico-financeiro da concessão. Estima-se que os prejuízos causados pelo furto de energia alcancem R$ 1,3 bilhão por ano. Esse capital, que deixa de entrar no fluxo de caixa da empresa, impacta diretamente a capacidade de investimento em modernização e expansão da rede elétrica.
Ao analisar a profundidade do impacto social e técnico dessa realidade, a Light apresenta uma estatística que ilustra a pressão sobre o sistema: “A cada 100 clientes regulares, cerca de 35 furtam energia. Essas ligações sobrecarregam a rede, comprometem o fornecimento e podem causar interrupções.”
Parceria com o poder público e investimentos
A manutenção da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) na região metropolitana do Rio depende diretamente da redução desses índices. A Light tem reforçado que os recursos perdidos anualmente com o crime de furto de energia poderiam ser destinados a melhorias estruturais, automação da rede e tecnologias de medição inteligente.
As operações integradas com as polícias Civil e Militar devem continuar ao longo de 2026, com foco em áreas onde o índice de perdas não técnicas supera a média regulatória estabelecida pela ANEEL, visando garantir a qualidade do fornecimento e a sustentabilidade da operação.



