Brasil impulsiona resultados globais da Veolia com alta de 18,3% e foco em bioenergia industrial

Operação nacional encerra 2025 com faturamento de R$ 2,77 bilhões, consolidando o país como hub de soluções integradas para descarbonização e segurança hídrica na América Latina

O mercado brasileiro de serviços ambientais e soluções energéticas atingiu um novo patamar de maturidade em 2025, impulsionado pela urgência da resiliência operacional frente aos eventos climáticos extremos. Nesse cenário, a Veolia Brasil registrou um desempenho histórico, com receita de R$ 2,77 bilhões, um salto de 18,3% em relação ao ano anterior. O crescimento não apenas supera a média global do grupo (6,3%), mas eleva o país ao posto de hub estratégico para a América Latina.

A performance reflete uma mudança estrutural na demanda de grandes players industriais. Com a elevação dos riscos hídricos e a pressão pela descarbonização, a integração entre gestão de resíduos, tratamento de efluentes e geração de energia renovável passou a ser o eixo central da estratégia da companhia no país. Em termos de câmbio constante, o avanço foi de 18,1%, evidenciando a solidez da operação nacional mesmo em um ambiente macroeconômico complexo.

Descarbonização e a substituição do gás natural por biomassa

Um dos pilares que sustentam os números positivos da Veolia no Brasil é a migração da matriz energética em processos industriais de alta complexidade. A substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis deixou de ser um projeto piloto para se tornar o padrão de eficiência em unidades de grande porte.

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Em Alagoas, por exemplo, a parceria com a Braskem na unidade de Marechal Deodoro exemplifica essa transição. A planta de PVC passou a operar com 100% da geração de vapor proveniente de biomassa de eucalipto, eliminando integralmente o uso de gás natural. Esse movimento é parte de uma tendência maior que a Veolia denomina de “independência de recursos”.

Ao avaliar o cenário de escassez e a necessidade de proteção dos ativos, o CEO da Veolia no Brasil, Pedro Prádanos, enfatiza a mudança de paradigma: “A urgência da segurança ambiental deixou de ser um tema abstrato. A independência de recursos é hoje uma questão de sobrevivência empresarial e nacional.”

Reúso de água e infraestrutura de suporte ao setor elétrico

Além da bioenergia, a recuperação hídrica tornou-se um ativo crítico para a continuidade operacional. Em 2025, as operações da Veolia recuperaram mais de 2,4 milhões de metros cúbicos de água no Brasil. No setor industrial, o modelo Technology as a Service tem ganhado espaço, permitindo que empresas como a Rhodia atinjam patamares de 94% de reúso em suas unidades.

A escala desses projetos impacta diretamente a disponibilidade de recursos para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Em Vitória (ES), a Estação de Produção de Água de Reúso fornecerá cerca de 38,8 mil m³/dia para a ArcelorMittal e a Vale. O volume de água potável poupado equivale ao abastecimento de uma cidade de 200 mil habitantes, aliviando a pressão sobre as bacias hidrográficas locais.

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O avanço tecnológico é visto como o único caminho para sustentar o crescimento industrial sem exaurir o ecossistema. Sobre a necessidade de sistemas mais inteligentes e modulares, o Vice-Presidente Executivo das atividades de tecnologias da água da Veolia na América Latina, Mauro Cruz, pontua: “As tecnologias avançadas são essenciais para construir infraestrutura resiliente para cidades e indústrias em expansão, protegendo a saúde pública e os recursos ambientais em escalas sem precedentes.”

Inovação digital e o mercado de O&G no pré-sal

O relatório de 2025 também destaca a entrada agressiva de tecnologias de dessalinização e tratamento de efluentes em setores de alta tecnologia, como o de petróleo e gás. As plataformas P-84 e P-85 da Petrobras, no pré-sal, utilizarão sistemas da Veolia para processar 47.000 m³/hora cada, garantindo a sustentabilidade das operações offshore.

No campo da inovação, a digitalização e o uso de Inteligência Artificial já respondem por 23% das eficiências operacionais recorrentes do grupo globalmente. Esse ganho de produtividade permitiu à Veolia encerrar o ano com um EBITDA global de € 7,05 bilhões (aproximadamente R$ 44,47 bilhões), com margem de 15,9%.

América Latina como fronteira estratégica

Enquanto o grupo cresceu 6,3% organicamente ao redor do mundo, a América Latina avançou 9,9%, puxada pela liderança brasileira. Atividades como gestão de resíduos perigosos e bioenergia cresceram quase o dobro em relação às frentes tradicionais, sinalizando onde os investidores estão alocando capital.

Com o amadurecimento dos marcos regulatórios e o avanço de metas de descarbonização em todo o continente, a expectativa é que o Brasil consolide sua posição como exportador de soluções ambientais, unindo eficiência operacional a metas rigorosas de ESG.

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