Parceria para implantação de subestações de 138 kV e cogeração a biomassa destrava gargalos físicos de escoamento no RS e em GO; modelo de negócio evitou aporte inicial da agroindústria.
A superação de restrições de infraestrutura na rede de distribuição e transmissão vem se consolidando como um dos principais fatores de viabilidade para a expansão fabril no país. Em um movimento estratégico para mitigar esses gargalos, a Olfar, um dos grandes players do agronegócio brasileiro, estruturou um projeto integrado de suprimento com a Comerc Energia, braço de soluções em energia e descarbonização da Vibra. A iniciativa eliminou limitações críticas de acesso à rede elétrica em unidades no Rio Grande do Sul (RS) e em Goiás (GO), resultando em uma redução de custos operacionais estimada em aproximadamente R$ 12 milhões por ano.
Parceiras de mercado desde o ano de 2020, as companhias reformularam o papel da energia dentro do plano de crescimento da agroindústria. Com o avanço do planejamento de expansão fabril, a limitação da infraestrutura de conexão disponível nas concessionárias locais surgiu como um risco real ao ritmo de ampliação da capacidade produtiva. Diante desse cenário, o planejamento de energia migrou de um insumo operacional rotineiro para um elemento decisivo na governança de investimentos de capital (Capex) do grupo.
Engenharia de Conexão: Subestações de 138 kV e Cogeração
Para dar suporte ao incremento de carga demandado pelas plantas industriais, o desenho técnico do projeto combinou soluções de eficiência energética com o reforço físico dos ativos de rede. A arquitetura de engenharia englobou a construção e implantação de subestações de alta tensão na classe de 138 kV nos municípios de Porangatu (GO) e Erechim (RS).
Além do acoplamento ao sistema de alta tensão, a estratégia de segurança energética contemplou a ampliação da capacidade de geração térmica interna a partir de biomassa. A planta de cogeração eleva o índice de autonomia energética da Olfar, blindando o processo agroindustrial contra perturbações sistêmicas na rede básica e assegurando estabilidade operacional durante picos de processamento de safra.
Do ponto de vista financeiro, a tomada de decisão foi acelerada por um modelo de negócios estruturado para mitigar riscos de balanço. O projeto foi executado sem a necessidade de investimento inicial por parte da Olfar, sendo o aporte integralizado pela Comerc e remunerado de forma plurianual com base na performance e na economia gerada pelo próprio ativo.
Ao analisar o impacto estratégico dos novos formatos de financiamento de infraestrutura, a CEO da Comerc Energia, Clarissa Sadock, enfatizou como a previsibilidade atua a favor da expansão corporativa: “Quando a energia é estruturada com previsibilidade e alinhada à estratégia do negócio, ela deixa de ser um limitador e passa a viabilizar decisões de crescimento com mais segurança. Modelos que conectam investimento à eficiência gerada também tornam esse processo mais ágil e menos intensivo em capital.”
Competitividade e Flexibilidade no Backoffice Fabril
A modernização tecnológica dos ativos e a substituição de insumos fósseis por caldeiras a biomassa também inseriram as unidades industriais em um patamar superior de conformidade ambiental. A integração de engenharia especializada e a leitura de cenários de preços do setor elétrico reduziram as volatilidades de custos e conferiram maior previsibilidade orçamentária ao backoffice fabril da companhia.
O reflexo direto dessa reengenharia de suprimento na planta produtora foi destacado pelo Diretor Industrial da Olfar, Mateus Henrique Andrich, que avaliou os ganhos de autonomia proporcionados pela nova configuração de ativos: “A energia deixou de ser uma limitação para se tornar uma aliada da nossa produtividade. A previsibilidade no fornecimento e a redução de custos nos deram segurança para avançar com a expansão da nossa capacidade fabril de forma estruturada e sustentável.”
Eficiência Energética como Alavanca de Margem Industrial
O arranjo firmado entre as corporações evidencia uma tendência de mercado na qual a eficiência energética deixa de ser tratada de forma isolada pelas diretorias de sustentabilidade e passa a integrar o núcleo financeiro e comercial das grandes indústrias.
A relevância do insumo na composição da rentabilidade corporativa e na sustentação de projetos de expansão de longo prazo foi abordada pelo vice-presidente de Operação e Construção da Comerc Energia, Eduardo Soares, que detalhou a conexão entre a engenharia de energia e os resultados contábeis das companhias: “Projetos como esse mostram que eficiência energética não é apenas uma agenda de redução de custos, mas um elemento central de estratégia, competitividade e expansão. Quando bem estruturada, a energia impacta diretamente a última linha do resultado.”
Com a mitigação dos riscos de conexão e o alívio de R$ 12 milhões nas despesas anuais, a Olfar consolida sua infraestrutura para suportar as próximas fases de crescimento no processamento de grãos e biocombustíveis, transformando o que antes era um gargalo físico em um vetor de competitividade de mercado.


