EDF Power Solutions adquire controle da UHE Dardanelos e expande hegemonia em geração hidrelétrica no Mato Grosso

Companhia francesa assume 75% de participação e a operação do ativo de 261 MW; Neoenergia mantém 25% da planta e reforça estratégia de reciclagem de ativos em seu portfólio.

A EDF Power Solutions consolidou mais um passo estratégico em sua trajetória de expansão no mercado brasileiro ao concluir a aquisição de 75% da Usina Hidrelétrica (UHE) Dardanelos. O ativo, anteriormente controlado pela Neoenergia, que permanece com uma fatia minoritária de 25%, representa um reforço significativo na capacidade de geração despachável da empresa francesa no Subsistema Centro-Oeste.

Além do controle acionário, a EDF Power Solutions assume integralmente a responsabilidade pela Operação e Manutenção (O&M) da planta. Localizada no Rio Aripuanã, no Mato Grosso, a UHE Dardanelos possui uma capacidade instalada de 261 MW, energia suficiente para suprir a demanda de aproximadamente 1,4 milhão de habitantes com fonte renovável de baixa emissão.

Sinergia regional e fortalecimento de portfólio

A incorporação de Dardanelos não é um movimento isolado. O ativo torna-se o segundo empreendimento hidrelétrico da EDF no Mato Grosso, somando-se à UHE Sinop (408 MW). Essa concentração geográfica permite ganhos de escala operacional e logística em uma região vital para o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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Com este novo ativo, a EDF Power Solutions alcança a marca de aproximadamente 2,1 GW de capacidade instalada bruta no Brasil, distribuída em seis ativos de geração que abrangem quatro estados. O movimento reafirma o apetite do grupo por ativos de longo prazo e com histórico operacional consolidado, Dardanelos está em operação comercial desde 2011.

Ao analisar a importância da usina para a tese de investimento da companhia, o CEO da EDF Power Solutions no Brasil, André Salgado, pontuou o alinhamento do ativo com as competências globais do grupo: “Dardanelos se destaca por seu histórico operacional. Com essa aquisição, diversificamos nosso portfólio ao incorporar mais ativos de baixo carbono. Além disso, fortalecemos nossa participação no setor hidrelétrico, onde possuímos expertise técnica e industrial.”

O cenário para a Neoenergia e o mercado de M&A

Para a Neoenergia, a venda de 75% de Dardanelos insere-se em uma política de reciclagem de capital amplamente observada nos últimos balanços da companhia. O objetivo é desalavancar o balanço e redirecionar recursos para projetos de transmissão e distribuição, onde a empresa detém margens robustas e contratos de longo prazo.

Do ponto de vista técnico, a manutenção de 25% da participação garante à Neoenergia a manutenção de um ativo de geração em seu balanço, ao mesmo tempo em que transfere o risco e o custo operacional para um parceiro especializado.

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O mercado de fusões e aquisições no setor elétrico brasileiro segue aquecido, especialmente por ativos hidrelétricos que oferecem a “energia de base” necessária para complementar a expansão das fontes intermitentes (eólica e solar).

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