Companhia registra recorde de geração bruta de 1.489 GWh e reduz dívida em 34%; estratégia de integração com data centers entra em fase operacional plena no segundo trimestre de 2026.
A Renova Energia (RNEW3; RNEW4) encerrou o exercício de 2025 consolidando uma trajetória de recuperação operacional e inovação estratégica. Em balanço divulgado nesta segunda-feira (6), a pioneira em geração eólica no Brasil reportou uma receita operacional líquida de R$ 515 milhões, um salto de 98,7% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela robustez da sua unidade de comercialização e pelo volume recorde de geração bruta, que atingiu 1.489,0 GWh, alta de 25% frente a 2024.
Apesar do avanço no faturamento, o cenário para as geradoras renováveis permanece desafiador devido ao curtailment (cortes de geração por restrições de rede). Embora a geração bruta tenha batido recordes, a geração líquida avançou apenas 4,7%, totalizando 1.018,4 GWh. Esse descompasso, somado ao resultado financeiro, levou a companhia a um prejuízo líquido de R$ 162,2 milhões no ano, ainda que o indicador tenha mostrado sinais de melhora no quarto trimestre, com redução de 11,5% nas perdas.
Projeto Satoshi: A resposta digital à vertente elétrica
O grande diferencial estratégico da Renova em 2025 foi a evolução do Projeto Satoshi. A iniciativa, que conecta diretamente um data center à fonte de geração renovável da companhia, surge como uma solução de “fuga” para o curtailment, permitindo a monetização da energia que, de outra forma, seria desperdiçada por restrições do Operador Nacional do Sistema (ONS).
Com 90 MW de consumo contratado, o projeto iniciou seu ramp-up em dezembro. Até março de 2026, cerca de 90% da infraestrutura já estava concluída, com a previsão de operação plena para o segundo trimestre deste ano. A integração entre energia limpa e infraestrutura digital posiciona a Renova em um nicho de alta demanda: o fornecimento de energia firme e verde para processamento de dados e inteligência artificial.
Comercialização e desalavancagem financeira
O braço de comercialização da Renova foi o principal motor financeiro do ano, apresentando um crescimento de 141,7% nas receitas. No último trimestre de 2025, o segmento faturou R$ 113,3 milhões, aproveitando o ambiente de preços mais elevados no mercado livre. Essa diversificação foi essencial para manter o EBITDA Ajustado estável em R$ 94,4 milhões, absorvendo a pressão de custos operacionais.
No plano financeiro, a companhia obteve sucesso na gestão de seu passivo. A dívida bruta sofreu uma redução drástica de R$ 511,6 milhões, encerrando o período em R$ 976,1 milhões — um recuo de 34,4%. O movimento de desalavancagem foi suportado majoritariamente pela conversão de dívidas em capital, fortalecendo a estrutura de balanço para novos ciclos de investimento.
Sustentabilidade e Governança
Paralelamente aos números, a Renova avançou em sua agenda ESG com o programa Renova Conecta 2030. A companhia destinou R$ 315 mil para apoiar 13 iniciativas sociais nas comunidades onde opera, reforçando o licenciamento social de seus ativos e o compromisso com o desenvolvimento regional sustentável.
Para 2026, a perspectiva é de que a entrada em operação plena do Projeto Satoshi e a estrutura de capital mais equilibrada permitam à Renova focar na eficiência máxima de seus ativos e na captura de novas oportunidades na fronteira entre energia e tecnologia.



