Light pede encerramento de recuperação judicial após injeção de R$ 1,5 bilhão

Com a homologação do aumento de capital e a renovação da concessão da Light SESA garantida, distribuidora fluminense aciona conversão compulsória de dívidas e entra na reta final da reestruturação iniciada em 2023.

A Light S.A. protocolou, perante o Juízo da 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, o pedido de encerramento formal de sua recuperação judicial. A petição ocorre pouco mais de três anos após a abertura do processo, iniciado em maio de 2023.

De acordo com a administração da companhia, o pleito fundamenta-se no pleno “cumprimento de todas as principais obrigações previstas” no plano de reestruturação homologado judicialmente em junho de 2024. A oficialização do encerramento representa um marco definitivo para o saneamento financeiro da distribuidora fluminense, que atende mais de 10 milhões de consumidores no estado do Rio de Janeiro.

Homologação de capital eleva robustez do balanço

O principal catalisador para o pedido de encerramento da recuperação judicial foi a efetivação de uma expressiva operação de capitalização. O Conselho de Administração da Light homologou o aumento de capital social no montante exato de R$ 1.500.000.000,72. O valor final superou com folga o piso de subscrição mínima estipulado pela companhia, que era de R$ 1 bilhão.

- Advertisement -

A operação financeira resultou na emissão de 238.473.768 novas ações ordinárias da holding, negociadas na B3 sob o código LIGT3. O preço de emissão por ativo foi fixado em R$ 6,29, conforme as diretrizes da Lei das S.A. Com o aporte dos novos recursos, o capital social declarado da Light salta para R$ 6.973.247.478,61, dividido em 611.029.092 ações ordinárias nominativas.

A companhia informou que as novas ações serão registradas nas posições de custódia dos acionistas subscritores em até três dias úteis. Em conformidade com as regras de governança e os termos acordados com os credores, os novos papéis estarão temporariamente sujeitos a restrições de negociação (lock-up).

Mecânica de bônus de subscrição abre janela de liquidez

Como vantagem adicional oferecida aos investidores que aportaram recursos nesta etapa, a Light emitiu um lote de 476.947.536 bônus de subscrição, listados para negociação sob o ticker LIGT13. A mecânica da operação atribui 2 bônus de subscrição para cada 1 ação ordinária subscrita.

O período para o exercício desses direitos será aberto a partir deste dia 16 de julho de 2026 e se estenderá até 14 de agosto de 2026. O preço de exercício para a conversão de cada bônus em uma nova ação ordinária da empresa foi fixado no valor simbólico de R$ 0,01. As datas de homologação e entrega física das ações decorrentes desse exercício ocorrerão em duas etapas distintas, a depender do período escolhido pelos titulares para a realização da conversão.

- Advertisement -

Renovação de concessão dispara conversão compulsória de dívida

A governança corporativa da Light também atestou o cumprimento integral das condições precedentes necessárias para o acionamento de cláusulas estruturantes de conversão de passivos. Os gatilhos contratuais foram disparados de forma automática em decorrência de dois marcos regulatórios cruciais: a celebração do novo contrato de concessão da Light SESA, de acordo com o acordo de renovação assinado em 8 de maio de 2026, e a conclusão bem-sucedida do aumento de capital de R$ 1,5 bilhão.

Em fato relevante direcionado ao mercado financeiro, a diretoria da concessionária detalhou os próximos passos operacionais para a reestruturação de seu passivo com credores e detentores de títulos:

(i) a conversão automática das Debêntures Conversíveis e;
(ii) ao exercício automático dos Bônus de Subscrição Debêntures Conversíveis e dos Bônus de Subscrição Bondholders.

Com a conversão compulsória dessas debêntures de primeira emissão e dos bônus de subscrição detidos pelos bondholders, uma parcela expressiva do endividamento financeiro da Light será formalmente convertida em participação acionária. A medida alivia de forma definitiva a pressão sobre a estrutura de capital e restaura a capacidade de investimento de uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do Brasil.

Destaques da Semana

MPTCU sugere solução consensual no TCU para impasse da Enel São Paulo

Movimentação ocorre enquanto Aneel avalia recomendar a caducidade da...

CMSE encerra período seco com armazenamento de 61% no SIN, 5 pontos acima de 2025

Reservatórios fecharam setembro em condição mais favorável que no...

Artigos

Últimas Notícias