Com valorização de 500% desde 2018 e rating AAA, companhia projeta R$ 44 bilhões em investimentos até 2030 para modernizar distribuição e se preparar para a abertura do mercado de energia
A Cemig atingiu um marco histórico ao ultrapassar a marca de R$ 40 bilhões em valor de mercado, consolidando um ciclo de recuperação financeira e reposicionamento estratégico que vem sendo construído desde 2018. Naquele ano, a elétrica mineira era avaliada em cerca de R$ 8 bilhões, o que representa uma valorização acumulada de aproximadamente 500% em pouco mais de meia década.
O desempenho reflete uma combinação de disciplina na alocação de capital, reestruturação operacional e retomada consistente dos investimentos. O resultado mais recente reforça essa trajetória: a companhia registrou lucro líquido de R$ 4,9 bilhões e executou um CAPEX recorde de R$ 6,6 bilhões em 2025, sinalizando ao mercado sua capacidade de execução em larga escala.
Rating AAA e fortalecimento da estrutura financeira
A melhora dos fundamentos financeiros foi rapidamente capturada pelas agências de classificação de risco. A Moody’s elevou o rating da companhia e de suas subsidiárias para o nível máximo “AAA”, com perspectiva estável, movimento que já havia sido antecipado pela Fitch Ratings no ano anterior.
Esse novo patamar de crédito amplia significativamente a capacidade da Cemig de acessar financiamento a custos mais competitivos, um diferencial determinante em um setor intensivo em capital como o elétrico.
Ao avaliar o momento institucional da companhia, o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, destacou: “Superar a marca de R$ 40 bilhões em valor de mercado é um reconhecimento claro do trabalho que a Cemig vem realizando nos últimos anos. A melhora no rating acompanha esse movimento e reflete uma companhia mais sólida, eficiente e com maior capacidade de investimento, preparada para sustentar um novo ciclo de crescimento”.
Plano de R$ 44 bilhões e foco na distribuição
Com a base financeira fortalecida, a Cemig avança para o maior plano de investimentos de sua história. Para o período entre 2026 e 2030, a companhia prevê aportes de R$ 44 bilhões, com prioridade clara para a modernização e expansão da infraestrutura de distribuição.
A estratégia está diretamente ligada à preparação para a abertura total do mercado de energia, além de responder às novas demandas impostas pela transição energética, como eletrificação, geração distribuída e maior variabilidade de carga.
Somente em 2026, a previsão é de investimentos da ordem de R$ 6,7 bilhões, direcionados principalmente à área de concessão que atende mais de 9,5 milhões de consumidores em Minas Gerais.
Resiliência de rede como ativo estratégico
No centro da estratégia está o conceito de rede resiliente. Em um ambiente de maior competição no mercado livre, a qualidade do serviço de distribuição passa a ser o principal diferencial competitivo das concessionárias.
A Cemig tem direcionado esforços para ampliar a robustez do sistema, com expansão do número de subestações, aumento da rede trifásica, especialmente voltada ao agronegócio, e implantação de dupla alimentação em praticamente todo o estado.
Ao detalhar esse direcionamento estratégico, Passanezi ressaltou: “Hoje, 100% do nosso investimento é realizado em Minas Gerais em um momento de muita discussão em transição energética. E não existe essa opção sem rede resiliente. Por isso, estamos ampliando significativamente a infraestrutura, com aumento do número de subestações, expansão da rede trifásica para o agronegócio e implantação de dupla alimentação em praticamente todo o estado”.
Qualidade do serviço e abertura de mercado
O foco na distribuição também responde a um imperativo regulatório e de mercado. Com a evolução do modelo setorial brasileiro rumo à ampliação do mercado livre, o segmento de “fio” ganha protagonismo como principal fonte de receita regulada.
A melhoria de indicadores como DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção) torna-se essencial não apenas para atender às exigências regulatórias, mas também para atrair novos consumidores e viabilizar a instalação de empreendimentos industriais.
Além disso, a expansão da rede trifásica no campo tem potencial para impulsionar a produtividade do agronegócio mineiro, criando uma relação direta entre infraestrutura elétrica e crescimento econômico regional.
Novo posicionamento no setor elétrico
O salto no valor de mercado e a elevação do rating colocam a Cemig em uma posição diferenciada no setor elétrico brasileiro, especialmente entre as companhias de controle estatal.
A empresa passa a operar com maior previsibilidade financeira e capacidade de investimento, fatores críticos em um momento de profundas transformações no setor, marcado pela digitalização das redes, descentralização da geração e avanço de novas tecnologias.
Nesse contexto, o ciclo de expansão anunciado pela companhia não apenas reforça sua relevância no mercado, mas também sinaliza uma mudança estrutural: a transição de uma empresa em processo de ajuste para um player protagonista na agenda de crescimento e modernização do sistema elétrico nacional.



