Motor de crédito baseado em dados amplia governança, automatiza decisões e inaugura nova fronteira de eficiência na gestão de capital
A Copa Energia deu um passo estratégico na digitalização de suas operações financeiras ao implementar um motor de crédito baseado em inteligência artificial. Desenvolvida pela Indicium AI, a solução já gera impacto direto nos resultados da companhia, com redução anual de R$ 13,5 milhões no risco potencial da carteira de crédito.
O movimento reflete uma tendência crescente no setor energético: a incorporação de tecnologias avançadas de dados não apenas na operação e infraestrutura, mas também na gestão financeira, um campo crítico para empresas com grande base de clientes e elevado volume de capital alocado.
Da análise manual à inteligência orientada por dados
Antes da implementação, o processo de análise de crédito da Copa Energia era marcado por fragmentação de dados e forte dependência de avaliações manuais, o que limitava a rastreabilidade das decisões e dificultava uma visão consolidada do risco.
A solução desenvolvida pela Indicium AI reorganizou esse cenário ao integrar dados em uma arquitetura moderna baseada em Lakehouse, com uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial. O modelo automatiza decisões recorrentes, padroniza critérios e incorpora mecanismos de auditoria e governança ao longo de todo o ciclo de crédito.
Redução de risco e alocação mais eficiente de capital
Os resultados operacionais evidenciam o impacto da transformação. Antes do projeto, cerca de 21% do capital de crédito estava exposto ao risco de inadimplência. Com a adoção de modelos preditivos, esse percentual foi reduzido para 19%, permitindo uma alocação mais eficiente dos recursos.
Na prática, a companhia passou a ampliar limites para clientes com menor risco, ao mesmo tempo em que fortaleceu o controle sobre perfis mais sensíveis, uma abordagem que equilibra crescimento comercial e disciplina financeira.
Escala operacional e ganho de produtividade
A automação também trouxe ganhos expressivos de produtividade. O processo manual consumia mais de 270 horas mensais e permitia a análise de cerca de 1.100 casos por mês. Com o novo modelo, toda a base de clientes passou a ser reavaliada mensalmente.
As decisões recorrentes são tratadas automaticamente pelo sistema, enquanto os analistas concentram esforços em exceções e análises estratégicas, elevando o nível qualitativo da gestão.
“O que vemos hoje em grandes empresas é um movimento claro de migração de processos financeiros tradicionais para arquiteturas orientadas por dados. O crédito é uma das decisões mais críticas de qualquer operação comercial e, quando passa a ser guiado por inteligência artificial e governança de dados, gera impacto direto em risco, capital e crescimento”, afirma Matheus Dellagnelo, CEO Américas da Indicium AI
Governança, visibilidade e tomada de decisão
Além da automação, o projeto estruturou um painel centralizado de gestão da carteira, consolidando indicadores de risco, performance e comportamento de clientes em uma única plataforma.
A ferramenta permite análises detalhadas por cliente, estado, segmento e canal de vendas, apoiando decisões mais assertivas sobre concessão de crédito, estratégias de cobrança e gestão da inadimplência.
Esse nível de visibilidade representa um avanço significativo na governança financeira, especialmente em um setor caracterizado por grande capilaridade e diversidade de perfis de consumo.
Reconhecimento e próximos passos
O projeto foi reconhecido no Energy Summit 2025 como uma das iniciativas mais inovadoras do setor energético, destacando-se por aplicar inteligência artificial na área financeira, ainda pouco explorada em comparação com projetos de infraestrutura e sustentabilidade.
Na próxima fase, a Copa Energia pretende avançar no uso de modelos preditivos com o desenvolvimento de um “collection score”, capaz de estimar a probabilidade de recuperação de dívidas e orientar estratégias de cobrança mais eficientes.
IA redefine a gestão financeira no setor energético
A iniciativa da Copa Energia evidencia uma transformação mais ampla no setor energético, em que decisões críticas, como concessão de crédito, passam a ser orientadas por dados e inteligência artificial.
Esse movimento tende a ganhar escala nos próximos anos, impulsionado pela necessidade de eficiência, controle de risco e maior competitividade em mercados cada vez mais dinâmicos e pressionados por margens.
Ao integrar tecnologia, governança e estratégia financeira, o setor dá mais um passo rumo à maturidade digital, com impactos diretos sobre sustentabilidade econômica e capacidade de crescimento.



