UHE Três Marias atinge 100% de volume útil e inicia operação de armazenamento estratégico

Reservatório da Cemig alcança cota de 572,50 metros em processo de reenchimento controlado; gestão do ativo foca na amortização de cheias e na garantia hídrica para o período de estiagem.

O cenário de recuperação hídrica no Rio São Francisco atingiu um marco operacional relevante nesta quinta-feira (26 de março de 2026). A Usina Hidrelétrica de Três Marias, operada pela Cemig, alcançou o patamar de 100% de seu volume útil. O processo de reenchimento gradual, monitorado pelas equipes técnicas e em coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ocorre de forma segura, permitindo que a usina cumpra sua função primordial de regularização da bacia.

Embora o armazenamento pleno tenha sido menos frequente em ciclos hidrológicos recentes, a concessionária destaca que o nível atual está em total conformidade com as especificações técnicas da planta. A operação deve avançar para patamares de até 102,5% do volume útil nos próximos dias, mantendo-se ainda dentro da margem de segurança do projeto, cujo limite máximo situa-se na cota 573,40 metros, o equivalente a 106,5% da capacidade.

Amortecimento de cheias e segurança de áreas sensíveis

A gestão atual do reservatório foca na mitigação de riscos de inundação para as cidades localizadas a jusante. Ao reter os volumes afluentes de forma planejada, Três Marias evita que vazões elevadas agravem a situação em municípios como São Francisco e Pedras de Maria da Cruz, que já operam em cotas de alerta e inundação, respectivamente.

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A concessionária assegurou que o atingimento do volume útil máximo não impactará nenhuma edificação ou infraestrutura que esteja regularmente implantada no entorno do reservatório de Três Marias. A companhia destacou que os terrenos suscetíveis à inundação integram a área de concessão da usina, sendo tecnicamente classificados como impróprios para ocupação, o que garante a integridade das operações e a proteção das estruturas civis mesmo em patamares elevados de armazenamento.

Ademais, a empresa reforçou que a gestão da bacia segue estritamente os parâmetros do Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012). Toda a extensão compreendida entre o Nível Máximo Normal, na cota de 572,50 metros, e o limite do Máximo Maximorum, em 573,40 metros, é definida como Área de Preservação Permanente (APP), zona onde a ocupação é proibida pela legislação vigente. Dessa forma, a operação de reenchimento até 106,5% do volume útil ocorre dentro de um corredor de segurança legalmente protegido e monitorado.

Planejamento do vertimento e usos múltiplos da água

Apesar do reservatório cheio, não há previsão imediata de abertura das comportas do vertedouro. O planejamento do reenchimento foi estruturado para que o excedente hídrico seja absorvido pela própria barragem, otimizando o estoque de energia potencial para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Ao analisar as projeções meteorológicas para a bacia do Rio São Francisco, a Cemig informou que não há previsão de abertura de comportas no curto prazo. A manutenção do vertedouro fechado, mesmo com o reservatório em capacidade máxima, é viabilizada por uma estratégia de reenchimento planejado, que permite à estrutura absorver volumes excedentes com total segurança operacional, otimizando o estoque de energia sem comprometer a estabilidade do sistema.

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A concessionária ressaltou, ainda, que o monitoramento das condições climáticas e dos níveis afluentes permanece ininterrupto. Caso ocorram mudanças nas previsões que exijam a realização de vertimentos, a companhia se comprometeu a utilizar seus canais oficiais e a acionar imediatamente as prefeituras e órgãos públicos competentes, garantindo que qualquer liberação de água, ainda que em baixas vazões, seja comunicada de forma tempestiva à sociedade.

Garantia de suprimento para o período seco

O atingimento do volume útil máximo é uma notícia positiva não apenas para o setor elétrico, mas para toda a cadeia produtiva que depende do Rio São Francisco. O armazenamento robusto garante que, durante o período de estiagem, a usina consiga manter as vazões necessárias para o abastecimento humano, irrigação de projetos agrícolas e a navegabilidade do rio.

A transparência na gestão do ativo é o pilar que sustenta a operação em níveis elevados: “As equipes técnicas da Cemig seguem monitorando continuamente a evolução do reservatório, mantendo diálogo permanente com órgãos públicos, defesas civis municipais e comunidades da região, assegurando transparência total na gestão do reservatório.”

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