Primeira planta em Mato Grosso do Sul marca início de expansão para oito unidades e reforça o papel do biogás na transição energética e na logística sustentável
A Atvos deu um passo decisivo na consolidação do biometano como vetor estratégico para a transição energética no Brasil. Com investimento superior a R$ 350 milhões, a companhia iniciou a fase operacional de sua primeira planta dedicada ao combustível renovável, localizada em Nova Alvorada do Sul.
O projeto inaugura um plano mais amplo de expansão que prevê a implementação de outras sete unidades integradas às operações industriais da empresa. A iniciativa posiciona o biometano como peça central na estratégia de diversificação energética e redução de emissões da companhia.
Economia circular transforma resíduos em energia
A planta foi concebida sob o conceito de economia circular, utilizando subprodutos do processamento da cana-de-açúcar, como vinhaça e torta de filtro, para a produção de gás renovável.
Com capacidade estimada de 28 milhões de metros cúbicos por safra, a unidade representa um avanço relevante na valorização de resíduos agroindustriais, transformando passivos ambientais em ativos energéticos de alto valor agregado.
O início do recebimento do inóculo, etapa essencial para o processo de biodigestão, marca a transição do projeto para uma fase operacional mais avançada, consolidando o cronograma técnico da planta.
Logística energética: substituição do diesel entra no radar
A estratégia da Atvos vai além da produção de combustível. O foco está na utilização direta do biometano para abastecimento da frota pesada da companhia, reduzindo a dependência de diesel fóssil nas operações agrícolas e industriais.
Durante apresentação na Expocanas, o vice-presidente de Operações da empresa, Wilson Lucena, destacou o direcionamento estratégico da iniciativa: “O biometano será utilizado principalmente para abastecer parte da nossa própria frota, substituindo o diesel nas operações. Nossa meta para os próximos anos é converter 100% da nossa frota para o uso do gás renovável”.
A meta sinaliza uma mudança estrutural na logística energética do setor sucroenergético, com potencial de replicação em outras cadeias produtivas intensivas em transporte.
Mato Grosso do Sul se posiciona como hub de energia limpa
O avanço do projeto também reflete o alinhamento com políticas estaduais voltadas à transição energética. O governo de Mato Grosso do Sul tem incentivado iniciativas de industrialização sustentável, com foco em biocombustíveis e agregação de valor à produção agrícola.
“O Estado se posicionou estrategicamente dentro de dois grandes temas globais, transição energética e segurança alimentar com sustentabilidade. E isso tem acontecido, pois o Mato Grosso do Sul tem crescido cada vez mais bem posicionado nessas duas áreas. Com toda a cadeia produtiva do início ao fim, com a industrialização dessa base produtiva. Isso tem feito toda a diferença, são mais de R$ 100 bilhões de investimentos. Com geração de emprego, renda, capacidade de investimento, oportunidade para as pessoas, que é o que a gente quer ver no Estado”, destacou o governador Eduardo Riedel.
A fala reforça o papel do estado como polo emergente de bioenergia e inovação industrial no país.
Redução de emissões e monetização de carbono
A substituição do diesel por biometano traz impactos diretos na redução das emissões de gases de efeito estufa. Em parceria com a Scania, a Atvos já iniciou a renovação de sua frota pesada, com expectativa de reduzir até 50 mil toneladas de CO₂ por ano nesta primeira fase.
Além do benefício ambiental, o projeto também abre espaço para a geração de créditos de descarbonização, ampliando a competitividade da cadeia sucroenergética no mercado de baixo carbono.
“Além do impacto ambiental positivo, a menor intensidade de carbono das nossas operações amplia o potencial de geração de créditos de descarbonização, fortalecendo toda a cadeia produtiva e gerando mais valor para os produtores de cana parceiros”, reforça Lucena.
Expansão projeta impacto estrutural no setor
Com a implementação das oito plantas previstas, a Atvos projeta atingir uma produção total de 137 milhões de metros cúbicos de biometano por safra. Esse volume permitiria uma redução de até 88,3% nas emissões associadas ao consumo de diesel em suas operações.
O movimento acompanha uma tendência global de valorização do biogás e do biometano como soluções complementares às fontes renováveis intermitentes, especialmente em aplicações industriais e logísticas.
No Brasil, o avanço desse mercado também dialoga com a necessidade de diversificação da matriz energética e com o fortalecimento de soluções descentralizadas e de baixa intensidade de carbono.
Biometano ganha protagonismo na transição energética
A iniciativa da Atvos evidencia como o biometano vem ganhando relevância no setor energético brasileiro. Mais do que um combustível alternativo, ele se posiciona como solução estratégica para integrar agricultura, indústria e energia em um modelo sustentável e economicamente viável.
Ao transformar resíduos em energia e reduzir emissões de forma significativa, o biometano amplia seu espaço como vetor essencial na transição para uma economia de baixo carbono, especialmente em segmentos de difícil eletrificação, como o transporte pesado.



