Eneva vende térmica Pecém II por R$ 872 milhões e acelera reconfiguração estratégica do portfólio

Aquisição pela Diamante Geração de Energia reforça presença em carvão mineral, enquanto Eneva avança na migração para gás natural e renováveis

A Eneva anunciou a venda integral de sua participação na UTE Porto do Pecém II, no Ceará, em uma operação avaliada em R$ 872,3 milhões. O ativo será adquirido pela Diamante Geração de Energia, em um movimento que reflete mudanças estruturais no portfólio das geradoras e a busca por maior especialização tecnológica no setor elétrico brasileiro.

A transação envolve 100% do capital social da Pecém II Geração de Energia S.A. e inclui, além do valor base, a possibilidade de pagamento adicional de até R$ 149 milhões, condicionado à antecipação de receitas futuras contratadas no mercado regulado.

Localizada em São Gonçalo do Amarante, a usina possui capacidade instalada de 365 MW e desempenha papel relevante no atendimento ao subsistema Nordeste do Sistema Interligado Nacional.

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Estrutura financeira e valuation do ativo

O valor da operação considera um Enterprise Value de R$ 872,3 milhões, com data-base em 31 de março de 2026, já incorporando uma dívida líquida de R$ 186,3 milhões. O contrato prevê ajustes usuais de preço, incluindo correção monetária pro rata temporis até o fechamento e eventuais variações decorrentes de condições estabelecidas entre as partes.

Esse tipo de estrutura é comum em operações no setor elétrico, especialmente em ativos com contratos de longo prazo e receitas previsíveis, como é o caso da Pecém II.

Contratos garantem previsibilidade de receita

Um dos principais fatores de atratividade do ativo está em seu perfil contratual. A usina possui Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEARs) vigentes até setembro de 2028, assegurando receita estável no curto e médio prazo.

Além disso, a térmica foi vencedora no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026), realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. O certame garante à usina contratos de disponibilidade de potência por um período de 10 anos, com início previsto para agosto de 2031.

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A operação inclui ainda um mecanismo de incentivo financeiro relevante. A Eneva estruturou uma parcela adicional contingente de até R$ 149 milhões, condicionada ao sucesso na antecipação do início dos contratos firmados no LRCAP.

Esse componente reforça o valor estratégico da usina no contexto de segurança energética, especialmente diante da necessidade de capacidade firme para complementar fontes renováveis intermitentes.

Reconfiguração de portfólio e foco estratégico

A alienação da Pecém II está alinhada à estratégia da Eneva de reequilibrar seu portfólio, com maior foco em ativos térmicos a gás natural e projetos de geração renovável. Nos últimos anos, a companhia tem buscado consolidar sua atuação como uma plataforma integrada de energia, combinando exploração de gás com geração elétrica.

Por outro lado, a aquisição fortalece a posição da Diamante Geração de Energia no segmento de térmicas a carvão mineral, uma fonte que, apesar das pressões ambientais, ainda desempenha papel relevante na garantia de confiabilidade do sistema elétrico.

O movimento evidencia uma segmentação crescente entre empresas que apostam em transição energética acelerada e aquelas que mantêm ativos térmicos tradicionais como parte de uma estratégia de segurança energética e estabilidade de receita.

Governança e próximos passos da operação

A conclusão da transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O processo segue os requisitos de governança estabelecidos pela legislação societária brasileira e pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários.

Até o fechamento, as partes continuarão a conduzir os trâmites regulatórios e operacionais necessários para a transferência do controle do ativo.

Térmicas seguem relevantes na transição energética

Apesar do avanço das fontes renováveis, ativos térmicos continuam sendo peças-chave na operação do sistema elétrico brasileiro. Usinas como Pecém II oferecem geração despachável e previsível, fundamentais para garantir estabilidade em momentos de baixa geração hídrica ou intermitência de fontes como eólica e solar.

Nesse contexto, o resultado do LRCAP 2026 reforça o papel das térmicas na expansão da capacidade firme do sistema, um tema cada vez mais central na agenda regulatória e de planejamento energético.

A transação entre Eneva e Diamante, portanto, vai além de uma simples mudança de controle societário. Ela reflete uma reorganização mais ampla do setor, marcada por especialização de ativos, busca por eficiência de capital e adaptação às novas demandas da transição energética.

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