Armazenamento e infraestrutura digital são as chaves para a transição energética no Brasil, aponta KPMG

Embora o país sustente a terceira maior produção de energia renovável do mundo, desafios regulatórios e a intermitência das fontes solar e eólica exigem modernização das redes até 2040.

O Brasil consolidou sua posição como um dos protagonistas da descarbonização global, ocupando atualmente o terceiro lugar no ranking mundial de produção de energia renovável, atrás apenas de potências como Estados Unidos e China. Com uma matriz elétrica onde 80% da geração provém de fontes limpas, incluindo hidrelétricas, solar, eólica e biomassa, o país encara agora o desafio de converter esse potencial em uma infraestrutura resiliente e digitalizada.

De acordo com o mais recente mapeamento de perspectivas para o setor de energia e recursos naturais da consultoria KPMG, a próxima fronteira da transição energética brasileira não reside apenas na expansão da geração, mas na integração inteligente das fontes. O roteiro para acelerar esse processo inclui a gestão eficiente do consumo, a modernização das redes elétricas com tecnologias digitais e, crucialmente, a implementação de planos de armazenamento em baterias de larga escala com horizonte até 2040.

Oportunidades de Negócios e Hidrogênio Verde

O atual cenário coloca o Brasil em uma vitrine estratégica para o capital internacional, especialmente no que tange ao desenvolvimento de novas rotas tecnológicas. A previsibilidade regulatória e o fortalecimento das instituições setoriais são vistos como requisitos básicos para que o país se posicione definitivamente como um exportador global de biocombustíveis e hidrogênio verde (H2V).

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Ao avaliar a posição competitiva do mercado nacional frente aos pares globais, Manuel Fernandes, sócio-líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG, destaca o horizonte de expansão: “O Brasil ocupa o terceiro lugar no mundo em produção de energia renovável, atrás apenas dos Estados Unidos e China. Essa posição é o resultado das matrizes elétricas mais limpas e 80% provenientes de fontes renováveis, como hidrelétrica, solar, eólica e biomassa. Novos horizontes podem ser explorados e o país tem muitas oportunidades de negócios.”

Gargalos Estruturais e a Barreira do Armazenamento

Apesar do avanço disruptivo da Geração Distribuída (GD) e do crescimento vigoroso das fontes eólica e solar, o sistema elétrico brasileiro lida com a complexidade da intermitência. A transição energética exige que o país supere a dependência histórica da hidrologia e enfrente a carência de sistemas de estocagem de energia, essenciais para garantir a estabilidade da frequência e a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).

As barreiras para a viabilização plena desse processo, no entanto, não são apenas físicas, mas também normativas. Manuel Fernandes enumera os pontos críticos que ainda travam a aceleração dos investimentos: “A dependência da energia hidroelétrica, falta de infraestrutura para armazenamento de energia, incertezas regulatórias e o debate sobre o papel da energia nuclear estão entre os principais obstáculos do setor.”

Modernização das Redes e Digitalização

Para a KPMG, a modernização das redes elétricas por meio de tecnologias digitais (Smart Grids) é o que permitirá uma gestão de demanda mais sofisticada, integrando a expansão da mobilidade elétrica e a descentralização da geração. Sem uma rede preparada para o fluxo bidirecional de energia e sem marcos legais claros para o armazenamento, o Brasil corre o risco de subutilizar sua capacidade de geração renovável.

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O fortalecimento do ambiente de negócios dependerá, portanto, de uma coordenação entre políticas públicas e o setor privado para garantir que a transição energética brasileira seja, além de limpa, tecnicamente segura e economicamente competitiva no longo prazo.

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