Biodiesel tem capacidade para atender mistura imediata de 16%, afirma AliançaBiodiesel

Setor defende início urgente de testes para ampliar a mistura acima de B15 e aponta que indústria tem estrutura para responder à escassez internacional de diesel

O setor brasileiro de biodiesel afirma ter capacidade industrial para atender imediatamente à elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16). A posição foi reforçada pela AliançaBiodiesel, coalizão formada pela ABIOVE e pela APROBIO, em meio ao debate sobre segurança de abastecimento de combustíveis e volatilidade no mercado internacional de petróleo.

De acordo com as entidades, a indústria nacional opera atualmente com capacidade instalada suficiente para atender misturas de até 21,6% de biodiesel ao diesel mineral. O posicionamento ocorre após manifestação do Ministério de Minas e Energia, que descartou autorizar a elevação imediata da mistura antes da realização de testes técnicos para níveis superiores aos atuais 15% (B15).

Para o setor, a realização dessas avaliações precisa avançar com maior rapidez, sobretudo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e possíveis restrições no suprimento global de diesel.

- Advertisement -

Setor cobra agilidade nos testes para misturas maiores

O presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen, avalia que o cronograma previsto para a evolução da mistura já apresenta atraso e defende que o governo acelere os procedimentos técnicos necessários para ampliar a participação do biocombustível.

“Não temos problemas em testar o biodiesel em misturas maiores, no entanto, o governo federal precisa iniciar o processo que já tem atraso considerando que neste mês de março já devíamos estar em B16”, disse Jerônimo Goergen, Presidente da APROBIO.

Goergen também destacou a disposição da indústria em contribuir com o processo de avaliação técnica. “O setor está disponível inclusive para ajudar a financiar o custo da testagem, já que temos interesse no aumento da mistura. De qualquer forma, neste momento, o interesse maior da economia nacional em razão da crise é ampliar o quanto antes a participação do biodiesel”, reforçou Goergen.

Na avaliação das entidades do setor, o aumento gradual da mistura representa uma alternativa imediata para reduzir a dependência de diesel importado e ampliar a participação de combustíveis renováveis na matriz energética brasileira.

- Advertisement -

Cadeia produtiva afirma estar preparada para B16

O presidente executivo da ABIOVE, André Nassar, afirma que a cadeia produtiva do biodiesel já dispõe de infraestrutura industrial e logística suficientes para sustentar o avanço da mistura. “O setor está pronto para o B16 e totalmente estruturado para viabilizar os testes que garantam a segurança necessária para o aumento da mistura. Nossa prioridade é colaborar com avaliações céleres que permitam a expansão do biodiesel ainda este ano, assegurando previsibilidade e confiança para toda a cadeia automotiva e de combustíveis.”

Segundo o setor, a indústria opera atualmente com cerca de 50% de ociosidade, o que permitiria ampliar a produção sem risco de desabastecimento. Esse cenário abre espaço para crescimento da produção sem necessidade imediata de grandes investimentos adicionais.

Lei do Combustível do Futuro estabelece avanço gradual da mistura

A elevação da mistura obrigatória de biodiesel está prevista na Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024. A legislação estabelece um cronograma progressivo de aumento da participação do biocombustível no diesel comercializado no país.

O planejamento prevê a elevação da mistura em um ponto percentual por ano até atingir 20% (B20) em 2030. Nesse contexto, a passagem para B16 em 2026 representa um passo importante dentro da estratégia nacional de descarbonização do setor de transportes e fortalecimento da produção de biocombustíveis.

Além dos benefícios ambientais, o avanço da mistura também é visto como uma forma de estimular a cadeia agroindustrial ligada à produção de oleaginosas e à fabricação de biodiesel no país.

Debate sobre subsídio ao diesel reacende discussão sobre política energética

O tema ganhou novos contornos após a edição da Medida Provisória 1.340/2026, que institui subvenção econômica ao diesel rodoviário comercializado por produtores e importadores, sob operacionalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A medida também cria um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, em meio à escalada internacional dos preços do petróleo.

Para a Frente Parlamentar do Biodiesel, a política levanta preocupações por priorizar recursos públicos para sustentar o consumo de diesel fóssil, em vez de ampliar o uso de combustíveis renováveis produzidos no país.

Na avaliação da frente parlamentar, o incentivo ao diesel mineral não contribui para reduzir a dependência estrutural do Brasil em relação ao combustível importado.

Entidades defendem aumento ainda maior da mistura

No debate público sobre a política de combustíveis, 43 entidades ligadas ao agronegócio e à agroindústria também defenderam a elevação imediata da mistura para B17.

As organizações argumentam que a medida poderia fortalecer a produção nacional de biocombustíveis, estimular a atividade econômica no campo e ajudar a conter pressões sobre os preços dos combustíveis no mercado interno.

Além disso, o setor aponta que a política energética brasileira deveria priorizar combustíveis renováveis alinhados aos compromissos de descarbonização e à estratégia de transição energética.

Sob essa perspectiva, o avanço da mistura de biodiesel é visto como uma oportunidade de ampliar a segurança energética, estimular a produção nacional e reduzir a exposição da economia brasileira às oscilações do mercado internacional de petróleo.

Destaques da Semana

PPSA fecha acordo com a Petrobras e destrava 1º leilão de gás da União

Acordo de três anos garante escoamento e processamento do...

Aneel propõe repasse do encargo de baterias do LRCAP a contratos do mercado regulado

Minuta cria fator de comprometimento contratual para distribuir custos...

Justiça de SP aponta falhas da Enel em apagão que atingiu 2,2 milhões de imóveis

Sentença afasta argumento de força maior pelo ciclone de...

TCU dá 120 dias para ANEEL revisar dados da Enel RJ e trava renovação da concessão

Tribunal aponta omissão da agência na fiscalização dos indicadores...

Artigos

Últimas Notícias