Ministro defende integração regional, beneficiamento local e atração de investimentos para lítio e terras raras durante fórum global de mineração em Riade
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apresentou nesta terça-feira (13), durante o Future Minerals Forum 2026, em Riade, na Arábia Saudita, uma proposta estruturante para a América do Sul no contexto da transição energética global: a criação de corredores estratégicos de minerais críticos, com foco especial nas cadeias de lítio e terras raras. A iniciativa busca reposicionar a região no mapa geopolítico da energia, superando o papel histórico de mera exportadora de commodities minerais.
A proposta foi defendida diante de representantes de governos, empresas globais de mineração, fundos soberanos e investidores institucionais, em um dos principais fóruns internacionais dedicados ao futuro das cadeias minerais. Para Silveira, a consolidação desses corredores representa uma oportunidade de integração produtiva regional, capaz de transformar a abundância mineral sul-americana em desenvolvimento industrial, tecnológico e social.
Integração regional como resposta à nova geopolítica dos minerais
No cerne da proposta está a articulação entre países vizinhos detentores de grandes reservas minerais e nações com domínio tecnológico nos processos de refino, beneficiamento e industrialização. A ideia é estruturar cadeias produtivas integradas, capazes de compartilhar infraestrutura, conhecimento e investimentos, ampliando a competitividade da região frente ao atual domínio asiático, especialmente chinês, na cadeia global de minerais críticos.
Silveira destacou que a integração das cadeias de lítio e terras raras pode funcionar como vetor para impulsionar também a produção de cobre, níquel e minério de ferro de alta qualidade, minerais essenciais para eletrificação, armazenamento de energia, mobilidade elétrica e digitalização. Segundo o ministro, o avanço desses corredores permitiria atrair investimentos para infraestruturas logísticas, energéticas e industriais, criando um ambiente mais robusto para projetos de longo prazo.
Agregação de valor como princípio da transição justa
Ao contextualizar a proposta, o ministro trouxe um discurso alinhado às discussões globais sobre transição energética justa e soberania mineral. Para Silveira, não é mais aceitável que países ricos em recursos naturais permaneçam presos a modelos extrativistas de baixo valor agregado, enquanto o processamento e os ganhos tecnológicos se concentram fora da região.
Nesse sentido, o ministro deixou claro que a estratégia brasileira condiciona a exploração mineral à agregação de valor no país de origem, com geração de emprego, renda e capacitação local. Ao introduzir essa diretriz, Silveira sinalizou uma mudança estrutural na política mineral brasileira, alinhando-a a uma visão de desenvolvimento industrial e social.
“Defender a agregação de valor nos países detentores de reserva e, portanto, produtores, é a forma justa de fazer a extração. Não podemos mais aceitar a exploração predatória sem legado social”, afirma Silveira.
A declaração reforça o compromisso do governo brasileiro em atrelar concessões, parcerias e investimentos estrangeiros a contrapartidas concretas de desenvolvimento local.
Infraestrutura e financiamento como eixos centrais
Apesar do potencial geológico, Silveira reconheceu que a materialização dos corredores estratégicos enfrenta desafios estruturais relevantes. A América do Sul ainda convive com gargalos logísticos históricos, especialmente em transporte, energia e conectividade industrial, fatores que elevam custos e reduzem competitividade.
Segundo o ministro, a viabilização dessas cadeias integradas exige investimentos maciços em infraestrutura física e financeira, compatíveis com a escala dos projetos e com os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Nesse contexto, a presença brasileira no Future Minerals Forum teve como objetivo estratégico dialogar com fundos soberanos do Oriente Médio, notadamente da Arábia Saudita, para atrair capital de longo prazo voltado à mineração sustentável e à industrialização.
O Brasil se posiciona como um articulador regional capaz de conectar o chamado Triângulo do Lítio, formado por Argentina, Chile e Bolívia, ao seu próprio potencial em terras raras e minerais estratégicos. Essa integração ampliaria a relevância da América do Sul nas cadeias globais de baterias, veículos elétricos, energias renováveis e tecnologias digitais.
Brasil como elo entre abundância mineral e desenvolvimento
Ao defender os corredores estratégicos, Silveira também ressaltou o papel do Brasil como país com estabilidade institucional, segurança jurídica e experiência regulatória, atributos considerados essenciais para atrair investimentos de grande porte. A proposta reforça a ambição do governo brasileiro de assumir protagonismo no Sul Global, não apenas como fornecedor de insumos, mas como hub de soluções integradas para a transição energética.
A sinalização feita em Riade ocorre em um momento em que minerais críticos passam a ser tratados como ativos estratégicos comparáveis ao petróleo no século XX. Nesse cenário, a articulação regional defendida por Silveira busca reduzir vulnerabilidades nas cadeias globais, ao mesmo tempo em que cria bases para um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.



