Energia elétrica deve contribuir para desaceleração da inflação em outubro, aponta economista da MAG Investimentos

Após alta de 10,31% no preço da energia em setembro, mudança na bandeira tarifária pode aliviar o IPCA nos próximos meses, avalia Felipe Rodrigo Oliveira.

O aumento de 10,31% na energia elétrica em setembro foi o principal fator por trás da alta de 0,48% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrando a deflação registrada em agosto. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9), mostram que, no acumulado de 12 meses, o índice atingiu 5,17%, superando as expectativas de mercado.

Mas, segundo especialistas, o impacto da energia elétrica sobre a inflação deve ser temporário. A avaliação é do economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo Oliveira, que acredita que o cenário de outubro será mais favorável para o consumidor.

“Apesar do avanço em relação ao IPCA de agosto, o dado de setembro mostrou uma composição benigna, com deflação dos preços dos alimentos e descompressão nos preços dos serviços, que é a parte da inflação que o Banco Central tem olhado com bastante atenção”, comenta o economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo Oliveira.

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Perspectiva de alívio: bandeira tarifária deve reduzir pressão inflacionária

De acordo com Oliveira, a energia elétrica deve se tornar um fator de desaceleração da inflação em outubro, refletindo a mudança na bandeira tarifária. “Essa projeção tem em vista a queda esperada em energia elétrica, pela mudança da bandeira tarifária do patamar vermelho 2 para o vermelho 1”.

A bandeira vermelha 2, aplicada em setembro, impõe o custo adicional mais elevado da escala tarifária, o que contribuiu diretamente para a alta dos custos da conta de luz e, consequentemente, do IPCA. Com a mudança para o patamar vermelho 1, o impacto sobre o índice de preços tende a ser menor — um movimento esperado com a melhora das condições hídricas e o aumento dos reservatórios das hidrelétricas.

Esse ajuste tarifário é visto por analistas como um respiro momentâneo para o consumidor e para o Banco Central, que busca calibrar a política monetária diante de um cenário ainda pressionado pelos preços administrados e pelo câmbio.

Alimentação ajuda a conter inflação mais alta

Enquanto a energia pressionou o índice, o grupo Alimentação e bebidas apresentou uma queda de 0,26% em setembro, registrando o quarto mês consecutivo de deflação. Os produtos in natura lideraram o movimento de alívio nos preços ao consumidor. Os principais recuos ocorreram nos preços de tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%) e arroz (-2,14%), itens essenciais na cesta básica.

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Segundo o economista, o desempenho desse grupo foi essencial para evitar um índice ainda mais elevado “O resultado do grupo de Alimentação e bebidas ajudou a segurar o que poderia ser uma inflação maior”, pontua Oliveira.

Essa tendência de estabilidade nos preços dos alimentos é atribuída à melhora na oferta agrícola, favorecida por condições climáticas positivas em diversas regiões, e ao recuo nos custos logísticos observados nos últimos meses.

Banco Central monitora inflação de serviços

Além dos alimentos e da energia, o comportamento dos preços de serviços segue no radar do Banco Central (BC). O setor tem sido um dos principais motores da inflação persistente, impulsionado pela retomada do consumo e pela dinâmica do mercado de trabalho.

De acordo com Oliveira, os sinais de “descompressão” observados em setembro são um indicativo positivo para a política monetária, uma vez que o BC tem dado maior peso à inflação de serviços em suas decisões sobre a taxa Selic.

“Com o recuo da energia e a estabilidade dos alimentos, o foco passa a ser o comportamento dos serviços e dos bens industriais nos próximos meses”, avalia.

Expectativas para o último trimestre de 2025

O cenário traçado pelos economistas é de moderação gradual da inflação no último trimestre do ano, com possíveis reflexos nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A redução da tarifa de energia deve contribuir para aliviar o orçamento das famílias e conter repasses inflacionários, enquanto o arrefecimento nos preços de alimentos e serviços pode consolidar uma trajetória mais previsível para o IPCA.

Mesmo assim, o ambiente ainda exige cautela: choques externos, volatilidade cambial e pressões sobre combustíveis continuam sendo fatores de risco.

Com a transição tarifária e o avanço de políticas de geração energética mais estáveis, o setor elétrico permanece como um dos principais vetores de influência sobre a inflação brasileira — ora como vilão, ora como aliado do controle de preços.

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