Raízen vende usina no MS para Adecoagro por R$ 760 milhões

Transação envolve a Usina Caarapó e ativos de biomassa; estratégia foca na otimização de portfólio e reduz parque produtor da companhia para 23 unidades

A Raízen S.A. (RAIZ4), em conjunto com sua controlada Raízen Energia S.A., oficializou a celebração de um contrato definitivo para a venda da Usina Caarapó, unidade produtora localizada no município de Caarapó, no Mato Grosso do Sul. O ativo foi alienado para a Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. por um montante total estimado em R$ 760 milhões. O fechamento financeiro do negócio ocorrerá sob a modalidade à vista na data de conclusão formal da operação, ficando sujeito aos ajustes de balanço usuais para transações dessa natureza no mercado de fusões e aquisições (M&A).

O perímetro do negócio abrange não apenas a infraestrutura industrial da planta sul-mato-grossense, mas também a cessão integral da cana-de-açúcar própria e a transferência dos contratos de fornecedores de biomassa vinculados diretamente à operação da unidade. Na safra 2025/26, o volume total de matéria-prima processado por esse ecossistema agrícola e industrial somou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana.

Otimização de portfólio e foco em rentabilidade agroindustrial

A alienação da Usina Caarapó responde de forma direta ao planejamento estratégico de longo prazo da Raízen, que prioriza a desalavancagem seletiva, a simplificação de suas linhas operacionais e a captura de sinergias geográficas. Ao se desfazer de um ativo isolado no Mato Grosso do Sul, a companhia direciona esforços para adensar seus principais polos de produção no Centro-Sul do país, visando elevar as margens de rentabilidade de suas operações agroindustriais e de bioenergia.

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Com a conclusão desta transação, a Raízen redimensiona sua capacidade instalada consolidada. A maior produtora global de etanol de cana-de-açúcar passará a operar um portfólio composto por 23 usinas. Juntas, essas unidades remanescentes sustentam uma capacidade total de moagem estimada em aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra, mantendo a escala de liderança de mercado da companhia.

Condições precedentes e trâmites regulatórios no CADE

Por se tratar de uma consolidação de capacidade produtiva entre grandes players do setor de biocombustíveis e bioeletricidade, a eficácia do contrato e a conclusão definitiva da operação estão condicionadas ao cumprimento de obrigações usuais do setor. O principal fator regulatório pendente é a apreciação e aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Até a homologação final por parte da autarquia antitruste e o atendimento de outras condições precedentes estabelecidas entre as partes, as companhias mantêm suas estruturas operacionais de forma independente. A diretoria da Raízen informou aos acionistas e ao mercado de capitais que emitirá novos comunicados assim que desdobramentos relevantes sobre o andamento do processo forem consolidados.

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