Economia verde em pauta – oportunidades para o Brasil diante da transição energética

Por André Braz, Professor de Economia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

O Brasil é um país altamente dependente do clima. Com vasta fronteira agrícola, dimensões continentais e grande diversidade climática, possui condições que favorecem tanto o cultivo de diferentes culturas quanto a exploração de uma matriz energética diversificada. Embora ainda predominantemente hidrelétrica, essa matriz tem amplo potencial de expansão em fontes renováveis como a energia eólica e a solar.

Essa dependência, no entanto, traz vulnerabilidades. Tanto a produção agrícola quanto a geração de energia necessitam de condições climáticas mais estáveis e previsíveis, o que vem sendo ameaçado pelo aumento da frequência e intensidade de fenômenos como El Niño e La Niña. Esses eventos alteram o volume e a distribuição das chuvas, afetando reservatórios e comprometendo safras essenciais para a estabilidade econômica. A escassez hídrica pressiona os preços dos alimentos, impacta o câmbio por meio das exportações e eleva os custos da energia.

Quando os reservatórios caem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adota Bandeiras Tarifárias, acionando termelétricas movidas a diesel, mais caras e poluentes. O resultado é energia mais cara, pressionando os custos de produção em diversos setores e, consequentemente, a inflação. A energia é um insumo estratégico: seu encarecimento gera repasses em cadeia para produtos e serviços consumidos pelas famílias.

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Embora o Brasil não seja o único responsável pelo aquecimento global, sua economia figura entre as mais vulneráveis às mudanças climáticas, justamente por depender fortemente dos recursos naturais. Isso coloca o país diante da responsabilidade — e da oportunidade — de avançar em políticas sustentáveis. Entre as medidas estratégicas estão:

· Estímulo ao reuso da água e à reciclagem de materiais;
· Investimentos em saneamento básico;
· Ampliação do uso de fontes de energia renováveis e de baixo impacto ambiental;
· Redução das emissões de gases de efeito estufa;
· Pesquisas para mitigar o impacto da pecuária de corte, grande emissora de metano.

A missão é complexa e o caminho longo, mas inadiável. O futuro do crescimento econômico e do desenvolvimento do Brasil depende da capacidade de conciliar produção agrícola, geração de energia e sustentabilidade, aproveitando as oportunidades que a transição energética coloca em pauta. 

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