ENGIE projeta ganho de 2,3% na geração eólica com correção de desalinhamento de aerogeradores

Projeto de PD&I de R$ 700 mil no Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia, combinou algoritmo próprio e tecnologia LiDAR; uma turbina teve ganho de 9% após correção de desvio de 17 graus

A ENGIE Brasil concluiu um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltado ao aumento da eficiência de aerogeradores no Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), identificou desalinhamentos entre as turbinas e a direção do vento e apontou potencial de ganho de aproximadamente 2,3% na geração anual do parque.

Iniciado em dezembro de 2025, o projeto recebeu investimento de cerca de R$ 700 mil e utilizou dados operacionais dos próprios aerogeradores para detectar desvios no sistema de orientação das turbinas, conhecido como yaw. A metodologia foi validada em campo com o uso de tecnologia LiDAR, que permite medir diretamente a direção e a velocidade do vento por meio de sensoriamento a laser.

Algoritmo identifica perdas de geração

O desalinhamento do yaw ocorre quando o aerogerador não acompanha corretamente a direção do vento. Além de reduzir o aproveitamento do recurso eólico, o problema pode elevar o desgaste mecânico de componentes da turbina.

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O algoritmo desenvolvido pela ENGIE foi aplicado para identificar automaticamente os desvios e estimar as perdas associadas. A utilização do LiDAR permitiu comparar as informações obtidas a partir dos dados operacionais com medições diretas do vento, em condições reais de funcionamento. Um dos aerogeradores avaliados apresentava desvio de 17 graus. Após a correção, a ENGIE registrou ganho de aproximadamente 9% na geração anual da turbina.

A gerente do projeto, Camylla Amorim, destaca que a metodologia permitiu quantificar o impacto energético do desalinhamento: “Além de validar o algoritmo desenvolvido pela ENGIE, conseguimos quantificar os benefícios da correção dos desalinhamentos. Em um dos aerogeradores avaliados, que apresentava um desvio de 17 graus, a correção resultou em um ganho de aproximadamente 9% na geração anual da turbina. Os resultados mostram como o uso inteligente dos dados pode contribuir diretamente para aumentar a eficiência operacional dos ativos.”

Ganho estimado equivale a três aerogeradores

Com os resultados da avaliação, a ENGIE iniciou ajustes nos demais aerogeradores do empreendimento que apresentaram desvios identificados pelo algoritmo. A expectativa da companhia é elevar em cerca de 2,3% a geração anual de todo o parque.

Segundo a empresa, esse acréscimo seria equivalente à produção de praticamente três novos aerogeradores, sem a necessidade de expansão física da instalação. A diferença entre os dois resultados é relevante: os 9% correspondem ao ganho observado em uma turbina específica após a correção do desalinhamento, enquanto os 2,3% representam a estimativa para o conjunto do parque após a aplicação dos ajustes identificados.

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Para Mario Wilson Cusatis, gerente de Gestão da Performance e Inovação da ENGIE, a aplicação da metodologia amplia o potencial de aproveitamento dos dados operacionais dos ativos: “Este projeto confirma que a combinação entre dados operacionais, tecnologias avançadas de medição e conhecimento analítico pode gerar resultados expressivos para a geração renovável. Além dos ganhos energéticos, desenvolvemos competências técnicas, procedimentos e conhecimentos que poderão ser replicados em outros empreendimentos da companhia.”

PD&I busca replicação da solução

Além da aplicação no Campo Largo, o projeto teve como resultado o desenvolvimento de procedimentos e conhecimento técnico que poderão ser utilizados em outros ativos eólicos da companhia. A iniciativa também envolveu formação de recursos humanos especializados, com pesquisas de mestrado em andamento e apresentação de trabalhos técnicos em workshops internacionais.

O diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da ENGIE Brasil, Guilherme Slovinski Ferrari, relaciona o projeto ao uso da inovação para elevar a eficiência dos ativos renováveis: “A iniciativa reforça o papel estratégico da inovação para a competitividade do setor elétrico. A inovação é um dos principais motores para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da geração renovável. Projetos de PD&I como este demonstram como a colaboração entre empresas e universidades pode transformar conhecimento científico em soluções práticas, capazes de gerar valor para os negócios e para toda a sociedade.”

A experiência também amplia a possibilidade de aplicação de ferramentas de análise de dados e sensoriamento em parques eólicos já em operação. Em vez de depender exclusivamente da expansão física da capacidade instalada, a metodologia busca recuperar geração a partir da melhoria do desempenho dos equipamentos existentes.

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