Projeto HYDROGT prevê equipamento de 350 kWe para produzir eletricidade e calor; investimento total é de R$ 22,2 milhões e envolve empresas e universidades de três estados.
A Finep aprovou R$ 13,2 milhões em subvenção econômica para o desenvolvimento de uma microturbina a gás de 350 kWe capaz de operar com hidrogênio verde ou hidrogênio de baixa emissão de carbono. O projeto HYDROGT tem orçamento total de R$ 22,2 milhões e busca desenvolver uma tecnologia nacional para geração combinada de eletricidade e calor.
A iniciativa é executada pela Hacker Industrial, de Criciúma (SC), em parceria com a DDB Engenharia, de Curitiba (PR), e participação da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ambas em Minas Gerais. A contratação do financiamento ocorreu em 17 de setembro de 2026, no âmbito da chamada pública Mais Inovação Brasil – Transição Energética.
O equipamento poderá atender aplicações como geração distribuída, cogeração industrial, sistemas isolados e de emergência, além de data centers. A proposta é ampliar as alternativas tecnológicas para o uso do hidrogênio na geração de energia, embora o projeto ainda esteja em fase de desenvolvimento e validação.
Projeto enfrenta desafios de combustão e materiais
O desenvolvimento de turbinas a gás movidas a hidrogênio exige soluções específicas para controlar a combustão e suportar as condições de operação do equipamento. Entre os principais desafios estão o comportamento da chama, as altas temperaturas, a resistência dos materiais, a aerodinâmica e os sistemas de controle.
A arquitetura prevista para o HYDROGT combina um ciclo Brayton modificado, combustor externo dedicado ao hidrogênio, combustor complementar multicombustível e trocador de calor indireto de alta temperatura. A configuração busca impedir que os gases de combustão entrem em contato direto com os componentes rotativos da turbina, com a expectativa de ampliar a vida útil e a flexibilidade operacional do conjunto.
Além do hidrogênio, o equipamento deverá ser projetado para utilizar misturas combustíveis e outras fontes alternativas. Essa possibilidade pode permitir diferentes configurações de operação, mas o desempenho e a viabilidade de cada combustível ainda dependerão dos resultados dos testes previstos no projeto.
Desenvolvimento reúne experiência industrial e pesquisa acadêmica
A Hacker Industrial contribui com sua experiência na fabricação de turbinas hidráulicas, enquanto a DDB Engenharia responde pela expertise em microturbinas a gás. A empresa já desenvolveu e validou protótipos de menor escala, com apoio anterior da Finep por meio do programa Tecnova.
A participação da Unifei e da UFU acrescenta capacidade de pesquisa e desenvolvimento ao projeto. A cooperação entre empresas e universidades busca viabilizar o domínio nacional de componentes e sistemas necessários à operação de turbinas com hidrogênio, tecnologia ainda concentrada em fornecedores internacionais.
Para Newton Hamatsu, superintendente da Área de Transição Energética e Infraestrutura da Finep, o desenvolvimento pode ampliar as alternativas de aplicação do combustível na geração de energia: “A iniciativa busca desenvolver e validar uma solução com tecnologia nacional para converter hidrogênio em eletricidade e calor, ampliando as alternativas para a descarbonização de atividades industriais e a diversificação da matriz energética. Entre as aplicações potenciais estão geração distribuída, cogeração industrial, sistemas isolados, geração de emergência e data centers, que demandam fornecimento confiável de energia.”
Protótipo será validado em ambiente operacional
A meta do HYDROGT é entregar um protótipo validado em ambiente operacional. O resultado poderá representar um avanço na capacidade brasileira de desenvolver equipamentos de geração a gás adaptados ao uso de hidrogênio e de combustíveis de menor intensidade de carbono.
O projeto está alinhado à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), que contempla bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energéticas. O financiamento da Finep é concedido por meio de subvenção econômica, modalidade de apoio público não reembolsável destinada a projetos de inovação.


