Um ano após a entrada em operação, interligação de Roraima ao SIN também reduz desligamentos automáticos em 99% e abre espaço para expansão industrial e migração de consumidores ao mercado livre
Um ano após a entrada em operação, o linhão de transmissão Manaus-Boa Vista consolidou a integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e trouxe uma redução expressiva nas ocorrências que afetavam a estabilidade do fornecimento de energia no estado. Dados de operação da região Norte apontam queda de 90% nas perturbações com corte de carga e ausência de blecautes no período analisado após a interligação.
Entre janeiro e setembro de 2025, antes da entrada em operação do empreendimento, foram registradas 243 perturbações com corte de carga, três delas com ocorrência de blecaute. Após a interligação, até julho de 2026, foram contabilizadas 23 ocorrências, sem registro de blecaute.
Os desligamentos automáticos também recuaram de forma significativa. Entre fevereiro e agosto de 2025, foram 104 ocorrências. Desde o início da operação até julho deste ano, houve apenas uma, uma redução de 99%.
Infraestrutura amplia segurança do sistema
Com investimento de R$ 3,3 bilhões e 724 quilômetros de extensão, o linhão foi construído pela Transnorte Energia (TNE), consórcio que tem a AXIA Energia como acionista majoritária. A empresa também responde pela operação do trecho.
O sistema é formado pelas subestações Lechuga, em Manaus (AM), Equador, em Rorainópolis (RR), e Boa Vista, na capital roraimense. A infraestrutura possui cerca de 1.000 MW de capacidade de transformação, aproximadamente quatro vezes a demanda atual de Roraima.
Para Antonio Pardauil, presidente da AXIA Energia na região Norte, os resultados operacionais são parte de um efeito mais amplo sobre a economia regional: “Um ano de operação já nos permite olhar não somente para os resultados concretos da interligação, que são muito positivos, mas também para o que essa infraestrutura torna possível daqui para frente. Energia disponível, segura e confiável é uma condição importante para que novos empreendimentos se instalem, empresas ampliem suas atividades e a economia local ganhe escala. A AXIA participa desse processo não apenas com a entrega, mas com a operação do negócio, oferecendo as bases para que essas possibilidades possam se concretizar.”
Interligação reduz custos e amplia acesso ao mercado livre
A conexão de Roraima ao SIN incorporou 209 mil unidades consumidoras ao sistema nacional e deve proporcionar redução anual de até R$ 540 milhões na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), mecanismo utilizado para subsidiar os custos da geração térmica nos sistemas isolados.
A nova configuração também ampliou as possibilidades de contratação de energia para consumidores de média e alta tensão. Indústrias, hospitais e outros consumidores habilitados passaram a ter condições de migrar para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), permitindo maior liberdade na gestão da compra de energia.
O efeito econômico começa a aparecer em setores intensivos no consumo de eletricidade. De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER), a indústria de transformação cresceu 16% no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, acompanhada por alta de 6% na geração de empregos do segmento.
Na construção civil, o número de vagas abertas avançou 5% no período. Para atividades industriais e de infraestrutura, a maior previsibilidade do fornecimento é um fator relevante para expansão da capacidade produtiva e processamento de matérias-primas.
Menor dependência de térmicas reduz emissões
A integração ao SIN também alterou o perfil de atendimento da demanda de Roraima ao reduzir a necessidade de geração por termelétricas movidas a óleo diesel.
A estimativa é de redução de até 300 mil toneladas de CO₂ por ano nas emissões, considerando como referência os níveis registrados em 2024. O volume equivale, segundo a empresa, às emissões associadas à circulação de aproximadamente 113 mil carros convencionais durante um ano no Brasil.
Com a entrada de Roraima no SIN, portanto, os efeitos do linhão ultrapassam a dimensão da confiabilidade elétrica. A infraestrutura reduz a exposição do estado a ocorrências no atendimento, diminui a necessidade de geração térmica subsidiada e cria condições para uma maior integração da economia local ao mercado nacional de energia.



