Evento da FGV Energia reúne agentes do setor elétrico, governo e empresas para discutir conexão à rede, transmissão, contratação de energia e marco regulatório para novas cargas
A expansão dos data centers, impulsionada principalmente pelo avanço da inteligência artificial, computação em nuvem e digitalização da economia, começa a ganhar peso nas discussões sobre planejamento energético e infraestrutura elétrica no Brasil. A combinação de cargas elevadas, operação contínua e necessidade de alta confiabilidade coloca novos desafios para conexão à rede, expansão da transmissão, contratação de energia e segurança do suprimento.
O tema será discutido pela FGV Energia em 18 de agosto, no Rio de Janeiro, durante o evento “Desafios para Data Centers no Brasil: Energia, Infraestrutura Digital e Regulação”. O encontro reunirá representantes de empresas de tecnologia e data centers, órgãos do setor elétrico e entidades empresariais para avaliar as condições necessárias para a expansão da infraestrutura digital no país.
A discussão ocorre em um momento em que o crescimento da infraestrutura digital passa a ser considerado também uma questão de planejamento energético. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo mundial de eletricidade dos data centers poderá chegar a cerca de 945 TWh em 2030, aproximadamente o dobro do nível atual.
No Brasil, o avanço dessa demanda se soma à expansão de cargas associadas à digitalização da economia e exige avaliação sobre como novos empreendimentos serão conectados e atendidos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).
Conexão e expansão da rede
A instalação de grandes data centers exige disponibilidade de potência, qualidade do fornecimento e capacidade de atendimento em regime contínuo. Isso amplia a importância dos estudos de conexão e pode demandar reforços na transmissão e na distribuição, dependendo da localização dos empreendimentos.
O planejamento também precisa considerar como os novos consumidores serão incorporados ao sistema sem transferir custos de expansão de forma inadequada para os demais usuários. Entre as alternativas em discussão estão contratos de longo prazo, autoprodução, armazenamento de energia e diferentes estruturas de comercialização.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já incorporou a expansão dos data centers às discussões sobre crescimento da demanda elétrica no horizonte do planejamento energético. O avanço dessas cargas tende a exigir maior coordenação entre consumidores, geradores, transmissoras, distribuidoras, órgãos de planejamento e instituições responsáveis pela operação do sistema.
Marco regulatório ganha relevância
Além da infraestrutura elétrica, a expansão dos data centers envolve uma agenda regulatória que passa por incentivos tributários, eficiência energética, pesquisa e desenvolvimento, segurança da informação e soberania digital.
Entre as iniciativas em discussão está o REDATA, programa voltado ao desenvolvimento da infraestrutura de data centers no país. A Política Nacional de Data Centers também integra essa agenda, buscando estabelecer diretrizes para um segmento considerado estratégico para a economia digital.
O desafio regulatório é conciliar a atração de investimentos com contrapartidas capazes de garantir eficiência, segurança energética e desenvolvimento tecnológico. Para o setor elétrico, a definição dessas regras também pode influenciar a localização dos empreendimentos e o modelo de contratação da energia necessária para sua operação.
FGV Energia reúne setor elétrico e empresas
É nesse cenário que a FGV Energia promove o encontro no Centro Cultural da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A programação prevê uma abertura institucional, uma palestra principal e três painéis dedicados à infraestrutura digital, regulação e energia.
O primeiro painel tratará da relação entre data centers, inteligência artificial e infraestrutura digital, com foco nas novas demandas e oportunidades para o Brasil. Participarão Leonardo Almeida, da Google Cloud; José Carlos Mendieta, da Elea Data Centers; e Cibele Perillo, da Scala Data Centers.
A segunda rodada será dedicada ao marco regulatório, à soberania digital e à governança institucional. O painel terá Luis Tossi, da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), e Valter Wolf, da Brasscom.
Já o terceiro painel concentrará a discussão nos impactos sobre o setor elétrico. O debate abordará demanda por energia e segurança do suprimento e contará com Gustavo Henrique Novaes Rodrigues, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); Juliano Dantas, da AXIA Energia; Thiago Ivanoski, da EPE; e Marcelo Cruz Lopes, da Eneva.
Brasil busca espaço na infraestrutura digital
A expansão dos data centers abre uma oportunidade para o Brasil ampliar sua participação na infraestrutura digital da América Latina, mas o movimento depende de condições adequadas de energia, conectividade e segurança jurídica.
Para o setor elétrico, o principal desafio será acomodar cargas de crescimento acelerado e operação intensiva sem comprometer a confiabilidade do SIN ou provocar expansão descoordenada da infraestrutura. A localização dos empreendimentos, a capacidade disponível nas redes e os mecanismos de contratação serão elementos relevantes nessa equação.
A programação da FGV Energia está estruturada justamente nesses três eixos: infraestrutura digital e inteligência artificial; marco regulatório e soberania digital; e demanda por energia e segurança do suprimento. O evento será realizado das 14h às 18h, com credenciamento a partir das 13h, e terá participação gratuita mediante inscrição prévia.
Serviço
Evento: Desafios para Data Centers no Brasil: Energia, Infraestrutura Digital e Regulação
Data: 18 de agosto de 2026
Horário: 14h às 18h
Local: Centro Cultural FGV, Rio de Janeiro (RJ)
Participação: gratuita, mediante inscrição e sujeita à disponibilidade de vagas.



