Distribuidora prevê 2,8 mil contratações e reforça logística de atendimento em 66 municípios da concessão
A Enel Distribuição Rio destinou R$ 880 milhões à infraestrutura elétrica no primeiro semestre de 2026, alta de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, e iniciou um plano de expansão que prevê 16 novas bases operacionais até o fim do ano. A concessionária também vai ampliar e revitalizar três unidades existentes, em Cabo Frio, Resende e Petrópolis.
O pacote inclui 2,8 mil novas contratações, das quais 2 mil serão de eletricistas para atuação em campo. Cerca de 1 mil profissionais serão distribuídos pelas novas instalações, que atenderão a área de concessão formada por 66 municípios, com 32.188 km² e aproximadamente 3 milhões de consumidores.
A estratégia ocorre em meio à maior pressão sobre as distribuidoras para ampliar a capacidade de resposta a ocorrências de grande porte na rede elétrica.
Novas bases serão distribuídas pelo estado
As estruturas serão instaladas em áreas consideradas estratégicas para reduzir deslocamentos de equipes e equipamentos durante ocorrências.
Na Baixada Fluminense, estão previstas unidades em Saracuruna, distrito de Duque de Caxias, e Magé. Na Região dos Lagos, haverá novas bases em São Pedro da Aldeia, Araruama, Armação dos Búzios, Saquarema e Unamar, em Cabo Frio. A unidade de Cabo Frio também será ampliada e revitalizada.
Na Região Serrana e no centro do estado, serão implantadas estruturas em Areal, Teresópolis, Trajano de Moraes, São José do Vale do Rio Preto, Cantagalo, Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim. Petrópolis terá a base existente ampliada. No Médio Paraíba, a intervenção será realizada em Resende, também com ampliação e revitalização da estrutura atual.
A distribuição das unidades permite manter equipes e materiais mais próximos dos pontos de atendimento, reduzindo a dependência de deslocamentos a partir de centros operacionais mais distantes.
Estoques descentralizados reforçam resposta
As novas bases terão almoxarifados para armazenamento de materiais de maior porte, como postes, transformadores e cabos, além de áreas destinadas à operação, treinamento e mobilização das equipes. A medida busca reduzir o intervalo entre a identificação de uma ocorrência e o início dos reparos, especialmente quando diferentes regiões são afetadas simultaneamente.
A descentralização também permite que a concessionária distribua recursos conforme a demanda de cada região, aumentando a capacidade de resposta em situações de contingência. O objetivo declarado pela empresa é reduzir o Tempo Médio de Atendimento (TMA) e melhorar a recomposição da rede em ocorrências de maior escala.
Contratações ampliam equipes de campo
O reforço de pessoal concentra-se principalmente na operação de campo. Dos 2,8 mil profissionais previstos, aproximadamente 2 mil serão eletricistas. A contratação ocorre paralelamente à expansão física da estrutura operacional. A combinação entre novas equipes e bases regionais amplia a capacidade de manutenção preventiva e de atendimento emergencial.
O movimento também representa uma mudança na capacidade de mobilização da concessionária, que passa a contar com maior disponibilidade de equipes distribuídas territorialmente.
Investimentos somam R$ 2,68 bilhões em dois anos
O aporte realizado no primeiro semestre dá continuidade ao ciclo de investimentos iniciado em 2025. Naquele ano, a Enel Rio aplicou R$ 1,8 bilhão na modernização e automação da rede. Considerando os dois períodos, os investimentos chegam a R$ 2,68 bilhões entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
O aumento dos aportes ocorre em um cenário de maior cobrança sobre a qualidade do serviço das distribuidoras do Rio de Janeiro. Em 29 de julho, fortes rajadas de vento provocaram interrupções que afetaram cerca de 500 mil clientes da Enel Rio e 1,1 milhão da Light.
A ocorrência levou o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a acompanhar a recomposição do fornecimento.
Desempenho será medido por continuidade
O efeito da expansão da estrutura deverá aparecer principalmente na capacidade de recomposição da rede e nos indicadores de continuidade.
O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) mede o tempo médio de interrupção experimentado pelos consumidores, enquanto o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) acompanha a quantidade média de interrupções.
Eventos meteorológicos severos podem provocar danos simultâneos e pressionar os dois indicadores. Nesse contexto, a disponibilidade regionalizada de equipes, materiais e equipamentos pode reduzir o tempo necessário para restabelecer os circuitos afetados.
A Enel Rio encerra 2026, portanto, com uma estrutura operacional maior, reforço significativo do quadro de eletricistas e uma rede de bases mais distribuída pela concessão. A efetividade do plano dependerá da capacidade dessas medidas de converter o aumento da estrutura em recomposição mais rápida e melhoria dos indicadores de continuidade.



