Alta foi puxada pelos consumidores residenciais e comerciais, enquanto demanda industrial ficou praticamente estável; número de unidades ativas no mercado livre avançou 21,5%
O consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 2,6% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o 26º Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O resultado acompanhou a expansão de 2,0% do PIB no período e teve como principais vetores as classes residencial e comercial.
Residencial e comercial puxam consumo
O consumo residencial avançou 5,8% no trimestre, acelerando em relação à alta de 1,3% registrada nos primeiros três meses do ano. Na classe comercial, o crescimento foi de 4,9%.
A indústria apresentou comportamento distinto. A demanda por eletricidade aumentou apenas 0,2%, resultado que representa estabilidade, mas interrompe uma sequência de três trimestres de retração do consumo industrial.
O desempenho ocorreu em um ambiente de expansão da atividade econômica. Pela ótica da oferta, a agropecuária teve alta de 6,8%, enquanto indústria e serviços cresceram 1,5% cada. Entre os componentes da demanda, as exportações avançaram 3,8%, o consumo do governo aumentou 3,1%, a formação bruta de capital fixo cresceu 1,4% e o consumo das famílias, 0,5%.
Mercado livre amplia participação
O Ambiente de Contratação Livre (ACL) registrou crescimento de 3,4% no consumo de eletricidade no segundo trimestre e respondeu por 45,7% do mercado nacional. O Ambiente de Contratação Regulada (ACR), atendido pelas distribuidoras, concentrou os 54,3% restantes, com expansão de 2,0%.
Mais relevante do que a variação trimestral do consumo é o avanço da base de consumidores no ambiente livre. O número de unidades ativas no ACL aumentou 21,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A evolução ocorre na esteira da abertura do mercado e reforça a mudança gradual na composição do consumo de energia elétrica no país. Dados anteriores da EPE já apontavam crescimento do ACL e redução da participação relativa do mercado regulado. O movimento também amplia a importância do mercado livre na dinâmica de contratação e comercialização de energia, especialmente à medida que novos consumidores passam a ter acesso ao ambiente competitivo.
Indústria interrompe sequência de queda
O resultado industrial merece destaque por marcar uma mudança de trajetória. Embora a alta de 0,2% seja marginal, ela interrompe três trimestres consecutivos de redução do consumo de eletricidade pelo setor.
A estabilidade da demanda industrial contrasta com o ritmo mais forte observado nas classes residencial e comercial e indica que a expansão do consumo no trimestre teve composição mais concentrada nos segmentos associados às famílias e às atividades comerciais.
Para o setor elétrico, a evolução das classes de consumo é um dos indicadores acompanhados pela EPE na avaliação da dinâmica do mercado e na elaboração de estudos e projeções de consumo e carga.



