Cox triplica EBITDA no primeiro semestre após aquisição da Iberdrola México e acelera transformação em infraestrutura de energia e água

Companhia alcança EBITDA de 245 milhões de euros, amplia receitas recorrentes e fortalece estratégia de longo prazo com ativos de 3,9 GW no mercado mexicano.

A espanhola Cox encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados financeiros robustos, impulsionados pela integração dos ativos adquiridos da Iberdrola México. A operação, concluída no período, elevou significativamente a escala do grupo e consolidou sua estratégia de expansão em infraestrutura crítica de energia e água, segmento que vem ganhando protagonismo diante do crescimento da demanda global por soluções resilientes e sustentáveis.

Com a incorporação dos ativos mexicanos, a companhia registrou receita de 1,243 bilhão de euros no semestre, volume 2,5 vezes superior ao apurado no mesmo período de 2025. O resultado operacional (EBITDA) alcançou 245 milhões de euros, praticamente triplicando o desempenho do ano anterior e elevando a margem operacional para 20%, frente aos 16% registrados há um ano.

O lucro líquido ajustado somou 66 milhões de euros, crescimento de 5,3 vezes na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa operacional ajustado atingiu 129 milhões de euros, reforçando a capacidade da empresa de sustentar seu plano de crescimento e desalavancagem financeira.

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Os números refletem a mudança estrutural promovida pela companhia, que passa a ampliar o peso de ativos contratados no longo prazo em sua composição de receitas.

México torna-se peça central da estratégia de crescimento

A aquisição da antiga plataforma da Iberdrola México representa um dos movimentos mais relevantes da história recente da Cox. Rebatizada como Cox Asset Mexico, a operação adicionou ao portfólio do grupo 16 ativos em operação e aproximadamente 3,9 GW de capacidade instalada.

A companhia opera atualmente uma das maiores plataformas privadas integradas de infraestrutura energética do México, combinando geração, comercialização e gestão operacional de ativos de energia e água. Os indicadores operacionais reforçam a atratividade do negócio, com disponibilidade média de 94,1% e taxas de renovação contratual superiores a 99%.

No primeiro semestre de 2026, a subsidiária mexicana registrou receita de 870 milhões de dólares, crescimento de 24% na comparação anual. O EBITDA ajustado alcançou 302 milhões de dólares, alta de 7%, enquanto a energia comercializada somou 10,2 TWh, avanço de 8%.

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A operação ampliou a participação das receitas previsíveis e recorrentes do grupo, aspecto considerado estratégico em um setor cada vez mais dependente de contratos de longo prazo e estabilidade regulatória.

O presidente-executivo da Cox, Enrique Riquelme, destaca que a integração dos ativos mexicanos marca uma nova etapa da companhia: “Os primeiros resultados após a integração do México confirmam a solidez de nossa tese de investimento e mostram a nova era que iniciamos com a nova Cox. Hoje temos uma nova dimensão: somos uma companhia de maior escala, com uma base de ativos mais sólida, maior recorrência de receitas e capacidade de geração de caixa significativamente reforçada. O México não apenas fortalece nossa liderança em água e energia, como também acelera nossa transformação rumo a um modelo mais resiliente, previsível e com maior criação de valor para nossos acionistas”, afirmou Enrique Riquelme, presidente-executivo da Cox.

Negócio de infraestrutura assume protagonismo

O segmento de infraestrutura da companhia, denominado Asset Co, tornou-se o principal vetor de geração de valor do grupo após a aquisição.

Considerando os seis meses de contribuição dos ativos mexicanos, a divisão registrou receita de 869 milhões de euros e EBITDA ajustado de 289 milhões de euros, resultados que representam crescimento de 7,7 vezes e 5,1 vezes, respectivamente, em relação ao primeiro semestre do ano anterior.

O movimento reforça a estratégia da empresa de ampliar a participação de ativos concessionados ou contratados no longo prazo, reduzindo a exposição a receitas mais voláteis e fortalecendo sua capacidade de geração de caixa.

Já a divisão de serviços, Service Co, manteve desempenho operacional consistente, alcançando uma carteira de pedidos recorde de 3,346 bilhões de euros, alta de 24% na comparação anual. O backlog é sustentado por projetos internacionais com margens superiores a 10%, embora parte dos resultados tenha sido impactada pelo ambiente geopolítico global e por atrasos na execução de alguns contratos.

Refinanciamento reduz riscos financeiros da aquisição

Outro destaque do semestre foi a rápida reestruturação financeira realizada pela companhia após a aquisição dos ativos mexicanos.

Apenas duas semanas depois do fechamento da operação, a Cox substituiu o financiamento-ponte utilizado na compra por uma estrutura de longo prazo. A empresa captou 2 bilhões de dólares por meio da emissão de títulos no mercado internacional, operação que registrou demanda cinco vezes superior ao volume inicialmente ofertado.

Além disso, contratou um empréstimo do tipo Term Loan no valor de 733 milhões de dólares, alinhando seu perfil de endividamento ao prazo dos ativos adquiridos. Com isso, a companhia passou a contar com uma dívida média de aproximadamente 6,5 anos. A dívida financeira líquida do grupo atingiu cerca de 3,3 bilhões de euros, equivalente a 4,9 vezes o EBITDA.

Segundo a empresa, a estratégia para os próximos trimestres inclui a redução gradual da alavancagem financeira, sustentada pela forte geração de caixa dos ativos operacionais, pela otimização do portfólio e por uma política disciplinada de investimentos.

Cox reforça posicionamento em infraestrutura crítica

A aquisição da Iberdrola México consolida a transformação da Cox em uma operadora global de infraestrutura crítica nos segmentos de energia e água. Mais do que ampliar sua escala operacional, a operação fortalece a participação de receitas contratadas e aumenta a previsibilidade financeira do grupo.

Em um cenário global de crescimento da demanda por infraestrutura energética resiliente, contratos de longo prazo e ativos de baixo risco operacional tornam-se diferenciais competitivos relevantes. Os resultados do primeiro semestre indicam que a companhia pretende acelerar essa estratégia, utilizando a plataforma mexicana como um dos principais pilares de sua expansão internacional.

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