Relatório da Capgemini revela que resiliência climática, eficiência arquitetônica e uso de inteligência artificial no planejamento do grid são decisivos para suportar a expansão da infraestrutura digital.
O avanço vertiginoso da Inteligência Artificial (IA) e da infraestrutura digital estabeleceu um novo paradigma para a expansão da demanda por eletricidade global. Embora o processo de eletrificação da economia avance em setores tradicionais como transportes, indústria e edificações, os centros de processamento de dados despontam como os principais vetores de pressão sobre a capacidade operacional dos sistemas elétricos.
Nesse cenário de transformação acelerada, o estudo “IA encontra a rede elétrica: moldando o cenário energético dos data centers”, elaborado pela Capgemini, aponta que a resiliência climática e a eficiência de infraestrutura tornaram-se pilares obrigatórios no projeto dos novos empreendimentos. Segundo o levantamento, 87% dos executivos globais do setor de data centers confiam que inovações em eficiência de hardware, software, arquitetura e infraestrutura de IA serão capazes de amortecer de forma substancial a curva de crescimento da demanda por energia.
Inteligência Artificial como vetor de eficiência e operação do grid
Longe de atuar apenas como grande consumidora de carga, a tecnologia desponta de forma bidirecional como uma solução para a gestão energética. A aplicação de algoritmos avançados permite otimizar tanto o consumo interno das instalações quanto o despacho e o controle das redes elétricas.
O Head de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento em Energia da Capgemini Brasil, André Flávio Pereira, destaca a capacidade analítica da tecnologia para superar gargalos operacionais e adaptar o setor às novas exigências do mercado: “A IA vai ajudar nas opções que as empresas e os sistemas necessitam para fazer pesquisas, na operação da rede elétrica e na eficiência da operação do data center. A IA será vetor de diversas particularidades que nos ajudarão a conviver com essas novas condições, que pode ser mínima no começo, mas, depois, será usada com maior experiência e capacidade.”
Para os agentes de geração, transmissão e distribuição, a ferramenta consolida-se como um recurso estratégico no planejamento da expansão e na manutenção da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Mais de 60% dos fornecedores de energia projetam ganhos operacionais expressivos com a adoção do recurso. Contudo, a pesquisa revela um descompasso estrutural: apenas 45% das concessionárias utilizam atualmente soluções baseadas em IA na otimização da rede, evidenciando uma expressiva margem de avanço para a digitalização do setor elétrico.
Orquestração do sistema e planejamento da demanda dinâmica
O dinamismo do consumo associado ao processamento de dados expõe limitações do planejamento tradicional e exige um modelo de operação mais flexível e preditivo. A variabilidade das cargas digitais impõe desafios diários ao equilíbrio entre oferta e demanda, demandando a integração em tempo real de soluções de armazenamento, cogeração e eficiência hídrica e térmica nas instalações de TI.
A vice-presidente global de Energia e Utilities da Capgemini, Claire Gauthier, aponta a centralidade das distribuidoras e transmissoras na condução dessa transição e no suporte à expansão dos data centers: “As concessionárias de energia têm um papel fundamental como orquestradoras do sistema, aproveitando os insights habilitados por IA para equilibrar os recursos da rede e os recursos de propriedade do cliente, acelerar a capacidade de entrega e viabilizar a próxima fase de crescimento dos data centers.”
A integração inteligente entre as pontas da cadeia desponta, assim, como condição indispensável para conciliar a contínua expansão da economia digital com a modicidade tarifária, a segurança de suprimento e as metas globais de descarbonização.



