Em meio à alta do PLD, ao aumento da volatilidade no ACL e à abertura do mercado livre para novos consumidores, comercializadora aposta em soluções customizadas de hedge e gestão de risco para ampliar previsibilidade financeira dos agentes.
A escalada dos preços da energia elétrica em 2026 está acelerando a adoção de produtos estruturados no mercado livre de energia. O aumento do despacho termelétrico, as condições hidrológicas menos favoráveis e a maior aversão ao risco incorporada aos modelos de formação de preços elevaram a volatilidade do Ambiente de Contratação Livre (ACL), levando consumidores e geradores a buscar instrumentos mais sofisticados de proteção financeira e otimização de portfólio.
Nesse cenário, soluções customizadas que combinam engenharia financeira e gestão de risco ganham espaço entre os agentes do setor. Na Armor Energia, os produtos estruturados não convencionais já representam cerca de 30% do volume mensal negociado pela companhia, refletindo uma mudança no perfil das demandas do mercado livre.
O movimento acompanha a crescente preocupação das empresas com previsibilidade de custos e exposição ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), em um momento em que o setor elétrico brasileiro passa por transformações regulatórias e comerciais que devem ampliar significativamente o número de consumidores aptos a migrar para o ACL.
Alta do PLD aumenta demanda por instrumentos de hedge no ACL
A volatilidade dos preços tem impactado tanto as negociações de curto prazo quanto os contratos de longo prazo. Nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, o PLD atingiu aproximadamente R$ 214/MWh em maio deste ano, patamar significativamente superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando os valores foram de R$ 158/MWh e R$ 83/MWh, respectivamente.
No mercado futuro, a tendência também é de valorização dos contratos. Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostram que os contratos quadrienais passaram de R$ 147/MWh, em janeiro de 2024, para R$ 233/MWh, em março de 2026, uma alta de 59%. Já os contratos trimestrais registraram aumento de 121%, saltando de R$ 143/MWh para R$ 317/MWh no mesmo período, muito acima da inflação acumulada de aproximadamente 5%.
O cenário tem levado comercializadoras e consumidores a reavaliar estratégias de contratação e gerenciamento de riscos, impulsionando a busca por produtos financeiros estruturados lastreados em contratos de energia.
O presidente do Conselho Consultivo da Armor Energia, Marcelo Ávila, destaca que a volatilidade do mercado vem ampliando a demanda por soluções capazes de melhorar a eficiência da gestão energética das empresas: “O que estamos oferecendo são soluções estruturadas e não convencionais, que permitem tanto ao consumidor quanto ao gerador otimizar posições, reduzir exposição ao risco e ganhar eficiência na gestão do portfólio energético.”
Produtos estruturados ampliam flexibilidade financeira no mercado livre
Entre as soluções desenvolvidas pela comercializadora estão operações de swap de modulação, que permitem aos geradores trocar a volatilidade de suas curvas de produção por volumes constantes de energia, além de estruturas de antecipação de caixa que utilizam contratos de compra e venda de energia como garantia colateral.
Na prática, esses instrumentos permitem que agentes do mercado livre tenham maior previsibilidade financeira, reduzam exposições sazonais e adaptem suas estratégias comerciais às características específicas de seus ativos e contratos. O avanço dessas operações evidencia uma mudança na maturidade do ACL, que passa a demandar produtos mais sofisticados do que aqueles tradicionalmente ofertados no mercado de balcão.
O diretor de Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, observa que ainda existe uma demanda reprimida por soluções customizadas que utilizem contratos de energia como ferramenta de estruturação financeira: “Percebemos que no mercado existe uma carência por produtos que não estão na prateleira, e entendemos que é possível se utilizar de contratos de energia para oferecer soluções de maneira segura e previsível aos nossos clientes e parceiros.”
Abertura do mercado livre impulsiona necessidade de gestão de risco
A evolução do mercado ocorre paralelamente ao cronograma de abertura do mercado livre de energia estabelecido pela Lei nº 15.269/2025. A legislação prevê a migração de consumidores industriais e comerciais nos próximos 24 meses e a ampliação do acesso para todos os consumidores, incluindo residenciais, em até 36 meses.
A expectativa do setor é que a entrada de milhares de novos consumidores no ambiente livre aumente a demanda por soluções simplificadas de gestão contratual, inteligência de mercado e mitigação de riscos operacionais e financeiros.
O novo desenho do mercado também deve ampliar o papel das comercializadoras varejistas, que precisarão oferecer produtos capazes de atender perfis cada vez mais diversos de consumidores, especialmente aqueles que ingressarão no ACL sem experiência prévia com a dinâmica regulatória e comercial do setor elétrico.
Na avaliação de Fred Menezes, o aumento da concorrência no segmento reforça a importância da personalização das soluções oferecidas aos clientes: “Com mais empresas entrando no mercado livre, cresce a necessidade de ferramentas que ajudem a organizar contratos e reduzir riscos, nesse momento queremos nos diferenciar com soluções personalizadas.”
Estratégia mira consumidores do Grupo B e comercialização varejista
Em preparação para esse novo ciclo de expansão do mercado livre, a Armor Energia reformulou seu posicionamento institucional e sua identidade visual, direcionando sua estratégia para a entrega de soluções centradas no consumidor.
A companhia tem ampliado o foco na comercialização varejista e na futura demanda dos consumidores do Grupo B, segmento que deverá ganhar protagonismo com a abertura total do mercado. Mais do que ampliar o portfólio de produtos, a estratégia busca posicionar a gestão de riscos como um elemento central na tomada de decisão dos consumidores em um ambiente cada vez mais dinâmico e competitivo.
Marcelo Ávila ressalta que a construção de soluções voltadas à previsibilidade financeira será um diferencial importante no processo de transformação do setor elétrico brasileiro: “Nosso foco é o consumidor e a construção de soluções que tragam mais eficiência, previsibilidade e gestão de risco para um mercado em transformação.”



