BNDES aprova R$ 500 milhões para nova biorrefinaria de etanol de milho da FS em Mato Grosso

Operação com recursos do Fundo Clima apoia projeto de R$ 2,07 bilhões em Campo Novo do Parecis; planta terá capacidade para produzir 540 milhões de litros por ano na primeira fase.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma operação de crédito no valor de R$ 500 milhões para financiar a construção de uma nova planta de etanol de milho da FS. A unidade industrial será implantada no município de Campo Novo do Parecis (MT) e receberá um investimento global estimado em R$ 2,07 bilhões. O aporte do banco público de fomento corresponderá a 24,2% do custo total do empreendimento de transição energética e bioeconomia.

O projeto consolida a expansão da infraestrutura produtiva da FS no Centro-Oeste, onde a companhia já opera outras três plantas no estado de Mato Grosso, localizadas nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste. A nova biorrefinaria terá capacidade de processamento anual de até 1,2 milhão de toneladas de milho, resultando em uma produção anual de até 540 milhões de litros de etanol. Adicionalmente, o complexo prevê a geração de 390 mil toneladas por ano de DDG (Distiller’s Dried Grains), coproduto de alto valor proteico direcionado para a indústria de ração animal.

Financiamento híbrido via Fundo Clima e neoindustrialização

A engenharia financeira desenhada para o projeto combina linhas de crédito focadas em sustentabilidade ambiental e desenvolvimento industrial. A operação envolve recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem voltada para produção de alimentos e biocombustíveis. O modelo de financiamento atende às diretrizes de fortalecimento da cadeia local de fornecedores e de adensamento tecnológico nacional.

- Advertisement -

Ao avaliar o impacto macroeconômico do investimento e o alinhamento com as metas de descarbonização da matriz de transportes do país, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou os reflexos da operação na indústria de base: “Além de contribuir com o avanço da nossa produção de etanol e com a descarbonização da economia, é uma operação que, seguindo a política industrial do governo do presidente Lula, também impulsiona outros setores da indústria, uma vez que valores relevantes do projeto serão investidos em equipamentos nacionais.”

Impacto socioeconômico e plano para dobrar capacidade de processamento

A execução do cronograma de obras físicas movimentará o mercado de trabalho regional antes e depois da entrada em operação comercial da planta. Durante a implantação, estima-se que serão abertos 3 mil novos postos de trabalho diretos e indiretos. A previsão é de que, uma vez concluída a planta, sejam gerados 182 empregos diretos e 323 indiretos na operação contínua.

Mesmo antes do início das operações da primeira fase, o planejamento estratégico da FS já projeta o escalonamento da produção na região. O projeto já prevê uma segunda fase, que estará voltada para a expansão das atividades. A proposta é dobrar a capacidade de processamento, chegando a 2,4 milhões de toneladas de milho e elevando a produção anual de etanol para 1,08 bilhão de litros.

Logística de suprimento e cogeração de energia a partir de biomassa

A escolha de Campo Novo do Parecis para abrigar a quarta planta da companhia obedece a critérios rigorosos de eficiência logística e proximidade com a matéria-prima. A localidade das operações da FS é estratégica, tendo em vista que as plantas estão em uma das regiões de maior crescimento e produção mundial de milho de segunda safra. De acordo com o balanço estatístico oficial consolidados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no ano agrícola de 2022-2023, o estado de Mato Grosso foi responsável por 38,6% da produção de milho do Brasil.

- Advertisement -

A eficiência energética e o aproveitamento total dos insumos formam a base técnica do modelo de negócios da empresa. Fundada em 2014 com sede em Lucas do Rio Verde (MT), a FS foi a primeira empresa a produzir o etanol de milho no Brasil e, atualmente, ocupa o posto de segunda maior produtora do biocombustível no país.

Além do biocombustível e do DDG, a companhia extrai óleo de milho e adota um modelo circular de utilidades elétricas: cada planta é autossuficiente em energia elétrica e comercializa o excedente, gerado através da queima de biomassa, injetando energia limpa diretamente no Sistema Interligado Nacional (SIN) e gerando uma receita complementar no ambiente de contratação livre (ACL).

Destaques da Semana

Produção de petróleo e gás no Brasil atinge recorde histórico de 6,12 milhões de boe/d em setembro

Impulsionada pela pré-sal com 83,3% do volume nacional, extração...

Leilão de Transmissão: CYMI e Celeo vencem Lotes 3 e 4 com deságios acima de 50%

Projetos somam investimentos bilionários para o reforço da Grande...

Artigos

Últimas Notícias