Brent e WTI caem com perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e retorno do óleo iraniano, mas permanência de tropas israelenses mantém risco no radar.
Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira (15), após o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar as hostilidades no Oriente Médio e restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
A reação dos mercados foi imediata. Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o barril do Brent para entrega futura recuava aproximadamente 5%, sendo negociado próximo de US$ 83. O West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, apresentava desvalorização semelhante, cotado a US$ 80,33.
O movimento amplia as perdas registradas na última sexta-feira, quando ambos os benchmarks encerraram o pregão com queda superior a 3%, renovando as mínimas observadas desde março. A correção dos preços reflete a perspectiva de aumento da oferta global de petróleo, diante da possibilidade de flexibilização das sanções ao Irã, além da redução esperada dos custos logísticos e dos prêmios de seguro marítimo no Golfo Pérsico.
Reabertura do Estreito de Ormuz reduz temor de interrupção na oferta
O alívio nos mercados ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, no domingo (14), a conclusão de um acordo com Teerã para encerrar o bloqueio naval e retomar o fluxo comercial na região. Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou: “O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”
Pelo cronograma divulgado pela Casa Branca, a reabertura formal do Estreito de Ormuz está prevista para a próxima sexta-feira (19). A negociação contou com a mediação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que articulou um entendimento entre as partes para interromper as operações militares em diferentes frentes de conflito.
O governo iraniano também confirmou o compromisso com a suspensão das hostilidades. Em nota oficial, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que o cessar-fogo entrará em vigor a partir da noite desta segunda-feira.
Cessar-fogo abre caminho para negociação sobre sanções e programa nuclear
Embora o acordo tenha reduzido a aversão ao risco nos mercados de energia, os principais temas estruturais da relação entre Washington e Teerã seguem em aberto. O entendimento prevê um período inicial de cessar-fogo de 60 dias para que as partes avancem em negociações sobre o programa nuclear iraniano e a revisão das sanções econômicas impostas ao país.
Ao detalhar a próxima etapa das tratativas diplomáticas, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou: “Um acordo mais abrangente sobre o conflito em geral será negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo o alívio das sanções contra o Irã.”
A expectativa de flexibilização das restrições comerciais alimenta projeções de retorno gradual do petróleo iraniano ao mercado internacional, ampliando a oferta global em um momento de desaceleração da demanda em economias desenvolvidas.
Posição de Israel mantém prêmio de risco no mercado
Apesar da melhora no ambiente geopolítico, analistas alertam que o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo não deve desaparecer no curto prazo. Isso porque Israel sinalizou que manterá sua presença militar em áreas estratégicas do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza, independente do acordo firmado entre Washington e Teerã.
Ao comentar a posição do governo israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou: “As forças armadas israelenses permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado, a fim de proteger a fronteira e os assentamentos israelenses. Se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força e demonstraremos claramente a ele as disparidades de poder.”
A manutenção das tropas israelenses em regiões sensíveis mantém a possibilidade de novos episódios de tensão e pode dificultar a implementação integral do acordo. Para o mercado de petróleo, o principal risco está na eventual interrupção das negociações sobre o programa nuclear iraniano ou em um novo agravamento dos conflitos regionais, fatores que poderiam limitar o retorno do petróleo iraniano e pressionar novamente os preços internacionais.
Queda do petróleo pode aliviar pressões sobre combustíveis e inflação
A desvalorização do Brent e do WTI tende a reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos mercados internacionais, com potencial impacto positivo para países importadores de derivados, como o Brasil. Além de influenciar a política de preços da indústria de refino, a trajetória do petróleo é um componente relevante para as expectativas de inflação e para os custos de transporte e logística.
No entanto, especialistas observam que a consolidação desse movimento dependerá da efetiva implementação do acordo e da normalização das exportações iranianas nos próximos meses. Enquanto isso, a volatilidade deve permanecer elevada, refletindo a sensibilidade do mercado global de energia aos desdobramentos diplomáticos e militares no Oriente Médio.


