Aneel une distribuidoras em projeto de R$ 6,1 milhões para transformar escolas públicas em polos de eficiência energética

Programa “Energia Consciente” levará metodologia STEAM, modernização elétrica e educação climática a 25 escolas em cinco estados, com foco em sustentabilidade, combate à pobreza energética e formação de novos hábitos de consumo

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) formalizou uma parceria inédita com grandes distribuidoras de energia para integrar eficiência energética, educação climática e modernização da infraestrutura escolar em uma única política de impacto social. O projeto piloto “Energia Consciente”, lançado nesta quarta-feira (27), em Brasília, contará com investimento de R$ 6,1 milhões ao longo dos próximos dois anos e atenderá até 25 escolas públicas de ensino fundamental em cinco estados brasileiros.

A iniciativa reúne a Aneel, as concessionárias Neoenergia Brasília, Neoenergia Elektro, Equatorial Alagoas, Equatorial Pará e CEEE Grupo Equatorial, utilizando recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE), regulado pela agência. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 30 mil estudantes do 4º ao 7º ano, além de professores, gestores escolares e comunidades do entorno.

Mais do que reduzir desperdícios de eletricidade nas unidades de ensino, o programa foi estruturado para transformar as escolas em ambientes de aprendizagem prática sobre transição energética, mudanças climáticas e consumo consciente.

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Eficiência energética entra na base pedagógica das escolas

O desenho institucional do Energia Consciente busca aproximar o debate energético do cotidiano dos alunos por meio de metodologias aplicadas e experiências práticas. O projeto será desenvolvido com base na metodologia STEAM, integração entre Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, aliada ao modelo de Aprendizagem Baseada em Projetos.

A proposta é inserir temas como economia circular, eficiência energética, reciclagem e mudanças climáticas dentro das atividades curriculares, conectando o conteúdo às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e aos parâmetros internacionais do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela OCDE. Na prática, os estudantes serão incentivados a identificar problemas reais relacionados ao uso da energia e desenvolver soluções aplicáveis às próprias escolas e comunidades.

A execução pedagógica ficará sob responsabilidade da Tríade Educacional, que conduzirá as ações de capacitação de professores e monitoramento de resultados. Já o Centro Brasil no Clima atuará na implementação das Cartas de Direitos Climáticos, instrumento voltado ao fortalecimento da percepção socioambiental e do engajamento comunitário.

Escolas terão retrofit elétrico e substituição de equipamentos

Além da frente educacional, o programa incorpora uma camada técnica voltada à eficiência operacional das unidades escolares. As escolas participantes passarão por diagnósticos energéticos para identificar oportunidades de redução de consumo e melhoria da infraestrutura elétrica.

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Dependendo da viabilidade técnica e econômica definida pelas regras do PEE da Aneel, as unidades poderão receber retrofit de iluminação, substituição de aparelhos de climatização e adequações elétricas internas. O objetivo é transformar os prédios públicos em exemplos práticos de uso racional da energia, permitindo que os próprios alunos acompanhem os impactos das intervenções sobre o consumo e a eficiência das instalações.

Durante a cerimônia de lançamento, a vice-presidente da Neoenergia, Solange Ribeiro, destacou o papel estratégico da educação na construção de uma agenda de transição energética mais inclusiva: “Acreditamos que a educação é uma das ferramentas mais poderosas para promover transformação social e acelerar a construção de um futuro sustentável. O Energia Consciente conecta escolas, famílias e comunidades em torno de um propósito comum: formar cidadãos mais conscientes sobre o uso da energia, os desafios climáticos e o papel de cada um na transição energética justa”

Projeto mira expansão nacional e combate à pobreza energética

A estruturação do programa também possui um componente regulatório importante. Os dados coletados ao longo dos próximos 24 meses deverão servir como base técnica para futuras expansões do modelo dentro do Programa de Eficiência Energética da Aneel.

O Grupo Equatorial, que atua em regiões com desafios históricos relacionados à infraestrutura e vulnerabilidade social, avalia que a iniciativa pode ampliar o alcance das políticas de inclusão energética no país.

Ao comentar o impacto esperado do projeto nas comunidades atendidas, o CEO do Grupo Equatorial, Augusto Miranda, ressaltou o potencial multiplicador das ações dentro das famílias e territórios atendidos: “Mais do que levar energia, queremos transformar realidades. Acreditamos que a eficiência energética é uma ferramenta poderosa de inclusão social, educação e desenvolvimento sustentável. Com o projeto ‘Energia Consciente’, estamos formando uma nova geração de agentes de mudança, capazes de multiplicar hábitos de consumo mais responsáveis dentro de suas casas e comunidades”

Nos bastidores do setor elétrico, o programa é interpretado como uma sinalização de mudança gradual na aplicação dos recursos de eficiência energética, ampliando o foco tradicional em troca de equipamentos para iniciativas de transformação comportamental e educação climática.

Setor elétrico amplia agenda ESG e aproxima energia da sociedade

O lançamento do Energia Consciente ocorre em um momento em que distribuidoras e reguladores intensificam estratégias ESG voltadas à transição energética justa e ao combate à pobreza energética.

A avaliação predominante entre especialistas é que projetos com forte integração social tendem a ganhar relevância nos próximos ciclos regulatórios, especialmente diante da necessidade de ampliar o engajamento da população em temas como eletrificação, eficiência energética e descarbonização da economia.

A expectativa da Aneel e das concessionárias envolvidas é utilizar os resultados do piloto como referência para futuras chamadas públicas do PEE, criando modelos replicáveis em larga escala para escolas públicas de diferentes regiões do país.

No longo prazo, a iniciativa pode abrir espaço para a incorporação de novas tecnologias nas unidades de ensino, incluindo microgeração distribuída, armazenamento de energia e soluções digitais de monitoramento de consumo, consolidando as escolas como núcleos locais de sustentabilidade e educação energética.

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