Com aporte de R$ 27,5 milhões na unidade Maceió, transmissora substitui cabos de cobre por fibra óptica, adota protocolo IEC 61850 e projeta modernização de 127 ativos de transmissão até 2039.
A modernização da infraestrutura de transmissão no Nordeste ganhou um novo referencial tecnológico. A AXIA Energia concluiu a digitalização completa da Subestação Maceió (AL), transformando o ativo na primeira unidade 100% digital da companhia na região. O empreendimento, que recebeu investimentos da ordem de R$ 27,5 milhões, funciona como o marco regulatório e operacional para o lançamento do Plano de Digitalização das Instalações de Transmissão (PDIG). A estratégia corporativa prevê um Capex robusto de R$ 2,1 bilhões até 2039, direcionado à modernização de 127 subestações sob concessão em todo o território nacional.
O projeto de engenharia executado em Alagoas impacta diretamente a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) na região, beneficiando aproximadamente 193 mil consumidores na capital alagoana e em municípios adjacentes. Do ponto de vista técnico, a conversão substituiu os Sistemas de Proteção, Automação, Comando, Controle e Supervisão (SPCS) convencionais por uma arquitetura digital integrada. A mudança elimina os antigos cabos de controle em cobre e introduz barramentos de processo baseados em redes de fibra óptica, mitigando riscos de indução eletromagnética e elevando a velocidade de resposta do sistema a distúrbios na rede.
Arquitetura de rede e os novos componentes digitais em 230 kV
A intervenção na Subestação Maceió concentrou-se na modernização completa do pátio de 230 kV. As obras de engenharia contemplaram duas entradas de linhas de transmissão nesta classe de tensão e seus respectivos terminais remotos, além de quatro conexões de transformadores de potência e a implementação de um sistema avançado de proteção de barras.
A migração para o ambiente digital foi viabilizada pela introdução de duas tecnologias-chave que redefinem o monitoramento em tempo real:
- Merging Units: Dispositivos de pátio instalados junto aos transformadores de corrente (TCs) e de potencial (TPs) que realizam a digitalização instantânea das grandezas analógicas de corrente e tensão, transmitindo-as via pacotes de dados amostrados na rede de fibra óptica.
- IEDs (Dispositivos Eletrônicos Inteligentes): Mais de 50 relés de proteção e controladores de última geração foram interconectados em malha, assegurando interoperabilidade plena e integração nativa com os centros de supervisão e controle da transmissora e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A liderança executiva da transmissora posiciona a entrega como o pilar central de uma nova fase de eficiência operacional e governança técnica. O diretor-presidente da AXIA Energia no Nordeste, Tony Ulysses, detalha o impacto estratégico da iniciativa: “A conclusão da digitalização da Subestação Maceió representa um marco na transformação digital da AXIA energia, combinando ganhos operacionais e fortalecimento da sustentabilidade econômica dos ativos, além de estabelecer um modelo a ser replicado nas demais unidades da companhia.”
Gestão de ativos e os ganhos em O&M no setor de transmissão
A substituição da infraestrutura analógica por redes digitais altera profundamente a dinâmica de Operação e Manutenção (O&M) da transmissora. Ao concentrar os sinais em barramentos de dados, a empresa amplia a observabilidade sistêmica do ativo, viabilizando diagnósticos preditivos e a redução das intervenções corretivas de campo, que passam a ser coordenadas com maior nível de segurança para as equipes técnicas.
Os benefícios ambientais e de custos derivados da redução física de materiais no pátio também balizam a estratégia de longo prazo da companhia. A diretora de Gestão de Ativos da Transmissão, Lilian Queiroz, ressalta as vantagens competitivas agregadas à operação: “A digitalização das nossas subestações melhora a qualidade do monitoramento, reduz custos de implantação e impactos ambientais, além de permitir uma gestão mais inteligente e segura, com ganhos relevantes em eficiência, confiabilidade e disponibilidade.”
Cronograma do PDIG prevê novos projetos até o fim de 2026
O cronograma físico-financeiro do PDIG já apresenta desdobramentos imediatos na região Nordeste, operando em três frentes simultâneas de engenharia. O planejamento estratégico da AXIA Energia estabelece que as próximas entregas de grande porte ocorrerão até dezembro de 2026, com o comissionamento dos sistemas digitais das subestações SE Fortaleza II (CE) e SE Teresina II (PI).
Para garantir a perenidade dos investimentos e minimizar o risco de desligamentos programados complexos no SIN, a companhia estruturou o plano em lotes de obras. Cada bloco técnico contempla a digitalização de seis a sete subestações em paralelo. O prazo médio de execução estipulado pela diretoria técnica é de 30 meses por lote, garantindo a cadência necessária para atingir a meta de 127 ativos modernizados até o término do horizonte planejado para 2039.



