Itaipu avança em segurança de barragens com patente inédita para controle de fluxo de água

Novo dispositivo desenvolvido pela Itaipu Binacional em parceria com o Itaipu Parquetec aprimora o monitoramento de infiltrações, aumenta a eficiência operacional e reforça a cultura de inovação no setor elétrico

A Itaipu Binacional acaba de consolidar mais um avanço tecnológico relevante para o setor elétrico ao obter a patente de um dispositivo voltado ao controle de fluxo de água em sua barragem. Desenvolvido em parceria com o Itaipu Parquetec, o equipamento representa uma evolução nos sistemas de auscultação e monitoramento de estruturas hidráulicas, elemento central para a segurança operacional de grandes usinas hidrelétricas.

A inovação surge em um contexto em que a confiabilidade de ativos de geração é cada vez mais estratégica, especialmente diante do papel estrutural das hidrelétricas no Sistema Interligado Nacional (SIN). O novo dispositivo permite maior precisão na leitura de níveis de água em pontos críticos da barragem, contribuindo para a detecção precoce de anomalias e para a gestão preventiva de riscos.

O funcionamento do equipamento foi detalhado por Diego Liska Dalri, técnico de obras no Laboratório de Concreto da Itaipu e um dos criadores do instrumento: “Basicamente funciona para transferir uma medida de nível de um ponto para outro. Se eu tenho um nível de água, que é o nosso caso, em uma altura X, essa invenção eleva o ponto de visualização daquele nível”

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Monitoramento de infiltrações e integridade estrutural

O dispositivo está diretamente conectado ao sistema de drenagem da barragem, responsável por aliviar pressões internas e garantir a estabilidade da estrutura. Na prática, a solução atua no monitoramento da vazão dos chamados drenos, pontos de infiltração planejados que fazem parte do projeto de engenharia da usina.

A lógica operacional foi explicada pelo próprio Dalri ao abordar o comportamento hidráulico da barragem: “Quando se faz uma barragem, há uma negociação com o rio. É como se disséssemos para ele, ‘se você quiser passar um pouquinho, venha por aqui’. Em toda a estrutura da Itaipu, nós temos aproximadamente cinco mil drenos, que são esses pontos de infiltração planejados. Sua função é aliviar a pressão que a água exerce na fundação e nas estruturas”

Ao permitir a leitura mais eficiente do fluxo nesses pontos, o dispositivo fortalece a capacidade de resposta da operação. Alterações nos padrões de vazão podem ser rapidamente identificadas, direcionando inspeções e ações de manutenção de forma mais assertiva.

O impacto direto na operação foi descrito pelo técnico ao explicar o uso do equipamento no dia a dia: “Serve para o controle do fluxo de água. Se houver alguma alteração nos resultados daquele medidor, eu sei que naquela determinada parte da barragem vou precisar investigar aquele grupo de drenos para fins de manutenção”

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Ganhos operacionais e ergonomia no campo

Além da contribuição técnica para a segurança, o novo dispositivo também traz ganhos relevantes em ergonomia e produtividade das equipes de campo. Um dos principais desafios enfrentados anteriormente estava relacionado à dificuldade de acesso aos instrumentos tradicionais de medição.

José Otávio Jesus, técnico de edificações no Laboratório de Concreto da Itaipu e integrante do projeto, relembra as limitações dos modelos anteriores e a motivação para a inovação: “Nos instrumentos antigos, o técnico tem que praticamente se deitar no chão para conseguir fazer a leitura. Como alguns ficam em pontos críticos e de difícil acesso, tivemos a ideia de fazer um medidor vertical. Primeiro desenvolvemos alguns modelos em laboratório, com materiais simples, para testar se a ideia funcionava. Depois, em parceria com o Itaipu Parquetec, as coisas fluíram e saiu um protótipo mais elaborado”

Com a nova configuração, a leitura passa a ser feita de forma vertical, reduzindo o esforço físico e aumentando a agilidade das inspeções. O ganho operacional foi sintetizado pelo especialista: “Representa um avanço tecnológico na aferição do fluxo de líquidos. O técnico não precisa mais se abaixar e tem outras possibilidades de fazer a leitura, agilizando o processo”

Desenvolvimento tecnológico e propriedade intelectual

O projeto seguiu uma trajetória típica de inovação aplicada: identificação de lacuna tecnológica, prototipagem incremental e validação em campo. Antes de iniciar o desenvolvimento, a equipe realizou um levantamento de soluções disponíveis no mercado, sem encontrar alternativas adequadas às necessidades específicas da usina.

A decisão de desenvolver internamente o equipamento reforça a capacidade técnica instalada da companhia e sua vocação para inovação orientada a desafios operacionais.

O processo evoluiu a partir de protótipos simples até a versão final em materiais mais robustos, como aço inoxidável, passando por testes laboratoriais e operacionais. Após a validação, a tecnologia foi submetida ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI), que concedeu a carta patente com validade de 15 anos.

O desenvolvimento foi conduzido no âmbito do Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (CEASB 5), dentro do projeto MABI, voltado à criação de métodos alternativos para leitura de instrumentos de auscultação.

Cultura de inovação no setor elétrico

A conquista da patente reforça o posicionamento da Itaipu Binacional como uma das principais referências em inovação no setor elétrico brasileiro. A empresa tem investido de forma consistente no desenvolvimento de soluções próprias, alinhando engenharia, operação e pesquisa aplicada.

Esse movimento ganha ainda mais relevância diante do aumento das exigências regulatórias e da necessidade de modernização contínua de ativos críticos de infraestrutura. Soluções como o novo medidor de fluxo contribuem diretamente para elevar os padrões de segurança e eficiência operacional em hidrelétricas.

O reconhecimento recente no Prêmio Valor Inovação, na categoria energia elétrica, evidencia a maturidade da estratégia de inovação da companhia, que também promove iniciativas internas como o Prêmio Inowatt e acumula outras patentes registradas.

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