Com impacto fiscal de R$ 300 milhões, medida visa compensar a volatilidade do GLP no mercado internacional e blindar o programa social contra a escalada de custos no Oriente Médio
O Ministério do Planejamento e Orçamento anunciou, nesta terça-feira (14), uma revisão estratégica nos parâmetros financeiros do programa Gás do Povo. O governo federal elevará o preço de referência utilizado para a subvenção do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), uma medida necessária para manter a sustentabilidade econômica do projeto frente à pressão inflacionária das commodities energéticas. O ajuste deve gerar um impacto orçamentário estimado em R$ 300 milhões.
A decisão ocorre em um momento de forte tensão geopolítica no Oriente Médio, que tem pressionado as cotações internacionais do petróleo e, consequentemente, o custo de importação e produção do gás de cozinha. Sem o reajuste no preço de referência, o governo corria o risco de ver um esvaziamento do programa, com distribuidoras e pontos de venda deixando de operar a subvenção por falta de margem operacional.
Equilíbrio entre subvenção social e realidade de mercado
O Gás do Povo é um dos pilares da rede de proteção social do governo, focado em subsidiar o insumo para famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, o modelo depende da adesão voluntária da rede de varejo e distribuição. Com a alta dos custos logísticos e do produto bruto, o preço de referência anterior tornou-se defasado em diversas regiões, dificultando a capilaridade do programa.
Ao detalhar a necessidade de realinhamento dos valores para assegurar a continuidade do atendimento à população, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, pontuou os desafios enfrentados pela cadeia de suprimentos: “Reconhecemos que o segmento de GLP foi severamente impactado pela elevação global de custos. Mantemos o compromisso com o Gás do Povo, que atua como uma subvenção vital para as famílias vulneráveis, e, por isso, estamos promovendo o reajuste do preço de referência. Nosso objetivo é alinhar o programa à realidade econômica atual, garantindo que o auxílio chegue de forma efetiva à ponta final.”
Foco regional e atração de novos pontos de venda
O reajuste não será linear em todo o território nacional. A equipe econômica desenhou uma estratégia para aplicar o acréscimo de forma mais incisiva nos estados onde a adesão das revendas é considerada crítica. A ideia é que, ao elevar o valor repassado, novos comerciantes se sintam estimulados a integrar a rede credenciada, ampliando os pontos de retirada para os beneficiários.
Além de mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio, a medida busca reduzir as “zonas de sombra” onde o programa existe no papel, mas não encontra parceiros privados para a execução devido aos custos operacionais elevados. Com o aporte de R$ 300 milhões, o governo espera estabilizar a rede de distribuição e garantir que o impacto dos preços internacionais não recaia sobre o orçamento das famílias atendidas pelo programa social.
Perspectivas para o setor de GLP
Para os agentes do setor de combustíveis e energia, o anúncio traz um alívio temporário nas pressões de margem, embora o cenário externo permaneça incerto.
O monitoramento das cotações deve continuar intenso nas próximas semanas, e o governo não descarta novas intervenções caso a volatilidade no Golfo Pérsico se acentue, comprometendo a meta de inflação e a segurança energética doméstica.



