Novo informe técnico detalha quando EMCG será exigido e reforça eficiência, transparência e racionalidade no uso do SIN em meio à expansão da geração
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deu mais um passo relevante na modernização do processo de acesso à rede elétrica ao divulgar um novo informe técnico que estabelece critérios objetivos para a exigência ou dispensa dos Estudos de Mínimo Custo Global (EMCG). A medida tem impacto direto sobre geradores, comercializadores e investidores que buscam conexão ao Sistema Interligado Nacional, especialmente em um momento de forte expansão da oferta e crescente pressão sobre a infraestrutura de transmissão.
Alinhada ao Decreto nº 12.772/2025, a iniciativa reforça o papel da EPE na coordenação técnica com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, contribuindo para decisões mais eficientes no planejamento da rede sob a ótica do menor custo global para o sistema.
Critérios objetivos para decisões mais rápidas e seguras
O novo documento estabelece diretrizes técnicas claras para orientar a avaliação preliminar sobre a necessidade de realização dos EMCG, estudos que comparam alternativas de conexão à rede com base em critérios de eficiência econômica sistêmica.
Na prática, a EPE passa a oferecer um “filtro técnico” mais transparente para os agentes, reduzindo incertezas em fases iniciais de projetos e evitando retrabalho em análises mais complexas.
Entre os principais fatores considerados estão o tipo de conexão proposta, a compatibilidade entre o porte do empreendimento e o nível de tensão da rede, além do uso de instalações de interesse restrito ou compartilhado.
Esse conjunto de critérios tende a agilizar o fluxo de análise dos pedidos de acesso, especialmente em um ambiente marcado pelo crescimento acelerado de projetos renováveis, como eólicas e solares, que demandam conexão em regiões já saturadas do sistema.
Mínimo custo global como vetor de eficiência sistêmica
O conceito de mínimo custo global é um dos pilares do planejamento da expansão da transmissão no Brasil. Ele busca identificar a solução que minimize os custos totais para o sistema elétrico, considerando não apenas o investimento direto, mas também impactos operacionais e restrições elétricas ao longo do tempo.
Ao reforçar esse critério nos processos de acesso, a EPE amplia a coerência entre o planejamento centralizado e as decisões individuais dos agentes, reduzindo o risco de soluções subótimas que poderiam gerar custos adicionais ao consumidor no longo prazo.
A integração com o ONS nesse processo é estratégica, já que o operador é responsável pela coordenação da operação do sistema e possui visão detalhada das condições elétricas da rede.
Transparência e redução de assimetria de informação
A publicação do informe técnico também responde a uma demanda recorrente do mercado por maior previsibilidade regulatória. A ausência de critérios claros para exigência de EMCG frequentemente gerava dúvidas entre os agentes, impactando cronogramas e decisões de investimento.
Com a formalização das diretrizes, a EPE busca reduzir a assimetria de informação e garantir maior isonomia no tratamento das solicitações de acesso.
Esse movimento é particularmente relevante diante do aumento da complexidade do sistema elétrico brasileiro, que passa por uma transição marcada pela diversificação da matriz, descentralização da geração e necessidade crescente de reforços na rede de transmissão.
Impactos para geradores e expansão da transmissão
Para os empreendedores, a definição dos critérios representa uma mudança importante na gestão de riscos dos projetos. A possibilidade de antecipar a necessidade (ou não) de um EMCG permite maior assertividade na estruturação técnica e financeira dos empreendimentos.
Além disso, a medida pode contribuir para otimizar o uso da infraestrutura existente, evitando investimentos desnecessários e promovendo soluções mais eficientes do ponto de vista sistêmico.
No médio e longo prazo, a iniciativa tende a apoiar uma expansão mais coordenada da rede de transmissão, alinhada às necessidades reais do sistema e aos princípios de modicidade tarifária.
Sinalização regulatória em um sistema mais complexo
A publicação do informe técnico pela EPE sinaliza uma evolução na governança do acesso à rede elétrica no Brasil. Ao estabelecer critérios objetivos e alinhados ao conceito de mínimo custo global, o órgão fortalece o arcabouço técnico-regulatório em um momento crítico para o setor.
Com o avanço da transição energética e o crescimento da geração renovável, a pressão sobre a rede de transmissão tende a se intensificar. Nesse contexto, instrumentos que promovam eficiência, transparência e coordenação entre agentes se tornam essenciais para garantir a segurança e a confiabilidade do sistema.



