Biometano avança na indústria: Mondelēz Brasil fecha acordo com Gás Verde para descarbonizar fábrica em Pernambuco

Unidade será a primeira da companhia na América Latina a integrar combustível renovável ao mix energético, com potencial de evitar 6 mil toneladas de CO₂e

A Mondelēz Brasil deu um passo relevante em sua agenda de sustentabilidade ao anunciar a incorporação de biometano no abastecimento energético de sua fábrica em Vitória de Santo Antão (PE). A iniciativa, firmada em parceria com a Gás Verde, marca a primeira unidade da companhia na América Latina a adotar o combustível renovável como alternativa ao gás natural fóssil.

O movimento reforça uma tendência crescente no setor industrial brasileiro: a substituição de fontes fósseis por soluções de baixo carbono, em linha com metas globais de descarbonização e pressões regulatórias e de mercado por maior eficiência ambiental.

A expectativa é que o fornecimento de biometano atinja, de forma gradual, cerca de 100 mil metros cúbicos por mês, o equivalente a aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos por ano.

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Impacto direto na redução de emissões

A adoção do biometano deve gerar uma redução estimada de cerca de 6 mil toneladas de CO₂ equivalente ao longo do contrato. Em termos comparativos, o volume corresponde ao plantio de aproximadamente 30 mil árvores.

Responsável pela agenda ESG da companhia no Brasil, a gerente de sustentabilidade da Mondelēz Brasil, Lais Drezza, destaca o papel estratégico da iniciativa dentro das metas globais da empresa: “Sustentabilidade é uma das prioridades da companhia. Até 2030, globalmente, temos como compromisso reduzir em 35% nossas emissões na cadeia de valor e, até 2050, alcançar zero emissões líquidas de CO₂e. A parceria com a Gás Verde reforça que é possível mesclar crescimento e eficiência com sustentabilidade”.

A iniciativa está alinhada aos compromissos internacionais da indústria de alimentos, um dos segmentos mais pressionados a reduzir emissões indiretas e diretas, especialmente no uso de energia térmica em processos produtivos.

Expansão gradual e estratégia de longo prazo

A implementação do projeto será escalonada em etapas cronológicas. No estágio inicial, a unidade pernambucana processará um volume aproximado de 50 mil m³/mês de biometano, com projeção de expansão orgânica até 2027, quando o fornecimento deverá consolidar uma média superior a 100 mil m³/mês. A arquitetura do contrato é fruto de um planejamento de médio prazo, sustentado por rigorosas análises de market share e viabilidade energética.

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À frente dessa estratégia, o gerente de Compras de Energia LATAM da Mondelēz International, Josué Evangelista, ressalta a maturidade do processo: “O contrato de biometano firmado com a Gás Verde é fruto de uma estratégia iniciada em 2023 pela área de Compras de Energia, que atua hoje com base em decisões estruturadas e guiadas por uma visão de futuro. Após dois anos de análises de mercado e alinhamentos internos, conseguimos incorporar à Mondelēz uma solução renovável capaz de substituir gradualmente o uso de combustíveis fósseis. Esse avanço reforça nosso compromisso com uma matriz energética cada vez mais sustentável. Nossa ambição é ampliar progressivamente o consumo de biometano na planta”.

Cadeia do biometano e economia circular

O biometano que abastecerá a unidade será produzido em Igarassu (PE), a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. A produção ocorre dentro do complexo ambiental Ecoparque Pernambuco, consolidando um modelo de economia circular.

Esse processo permite não apenas a geração de energia renovável, mas também a mitigação de emissões de metano, um gás de efeito estufa com potencial significativamente maior que o CO₂.

Do ponto de vista sistêmico, o biometano vem ganhando protagonismo no Brasil como vetor de transição energética, sobretudo em aplicações industriais e no setor de transportes pesados.

Mercado de biometano em expansão no Brasil

A Gás Verde, considerada a maior produtora de biometano da América Latina, tem ampliado sua atuação para atender à crescente demanda corporativa por soluções energéticas sustentáveis.

Diretor Comercial da companhia, Eduardo Lima enfatiza o impacto direto da substituição energética na pegada de carbono industrial: “Estamos muito felizes em apoiar a Mondelēz em sua jornada de descarbonização. Ao optarem pelo uso do biometano em seus processos produtivos, as indústrias conseguem reduzir de forma expressiva suas emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) diretamente ligadas à sua atividade principal”.

O avanço do biometano ocorre em paralelo ao desenvolvimento de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à descarbonização da matriz energética brasileira, com potencial de crescimento relevante nos próximos anos.

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