Projeções indicam armazenamento no SIN superior ao registrado em 2025; no entanto, afluências críticas na região Sul exigirão despacho térmico adicional para garantir a potência
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realizou nesta quarta-feira (8), no Rio de Janeiro, sua 317ª reunião ordinária para avaliar o horizonte eletroenergético do país até setembro de 2026. O panorama apresentado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) consolida uma trajetória de estabilidade para as principais bacias do Sudeste e Centro-Oeste, superando os níveis críticos observados em 2021. Contudo, o cenário de escassez hídrica na região Sul permanece como o principal ponto de atenção para a segurança do suprimento nacional.
A melhora no perfil das afluências, especialmente nos rios Grande e Paranaíba, é fruto de fenômenos meteorológicos ocorridos no primeiro trimestre, que garantiram uma recomposição importante dos estoques de energia nos maiores reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Fatores meteorológicos e a recomposição do Sudeste
A recuperação dos níveis de armazenamento nas regiões Sudeste e Nordeste foi impulsionada por sistemas atmosféricos que favoreceram a precipitação em áreas de cabeceira.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, detalhou os fenômenos responsáveis por este alívio no balanço hídrico: “A melhora das condições hidrológicas ocorreu devido à atuação de um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) no início de março sobre as regiões Sudeste, Nordeste e parte da região Norte, assim como a passagem de frentes frias pelo litoral da Sudeste. Para os próximos meses, o ONS continuará acompanhando a evolução dos cenários, de modo a adotar as medidas que permaneçam garantindo o pleno atendimento eletroenergético do país.”
O gargalo do Sul: Afluências abaixo de 30% da MLT
Em contrapartida à bonança nas demais regiões, o subsistema Sul enfrenta um período de severa adversidade. As previsões de Energia Natural Afluente (ENA) para os meses de abril e maio são alarmantes, podendo atingir apenas 22% e 29% da Média de Longo Termo (MLT), respectivamente.
Este déficit hídrico impactará diretamente os níveis de armazenamento da região, que devem encerrar abril com 22,4% da Energia Armazenada Máxima (EARmáx). O valor preocupa o Comitê por estar abaixo do volume mínimo operativo de referência, estabelecido em 30%, patamar que só deve ser recuperado, conforme as projeções atuais, a partir de julho de 2026.
Projeções de armazenamento e necessidade de térmica
Para o horizonte que se estende até setembro de 2026, o ONS trabalha com uma amplitude de cenários onde as afluências do SIN devem flutuar entre 77% e 99% da MLT. Mesmo no cenário menos favorável, a expectativa é de que o nível de armazenamento no SIN termine setembro quase 5 pontos percentuais acima do verificado no mesmo mês de 2025. Na hipótese otimista, esse ganho pode chegar a 14,7 p.p.
Entretanto, a garantia da potência, a capacidade de atender aos picos de demanda, exigirá uma operação mais onerosa. O ONS prevê a necessidade de manutenção de geração térmica adicional durante todo o período do estudo para compensar as restrições hidráulicas localizadas e assegurar a estabilidade da rede. O monitoramento rigoroso continuará sendo a tônica da operação para equilibrar a modicidade tarifária com a segurança absoluta do atendimento.



