Evento reúne lideranças científicas internacionais para discutir o papel do ecossistema marinho no equilíbrio climático e na exploração sustentável de recursos em águas profundas.
Entre os dias 5 e 7 de maio, o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, será o palco da Reunião Magna 2026, organizada pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). Sob o tema “Oceano do Amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio”, o encontro integra a agenda da Década da Ciência Oceânica da ONU (2021-2030) e pretende traçar diagnósticos críticos sobre a saúde dos ecossistemas marinhos frente à crise climática global.
A urgência do debate é corroborada por dados do State of the Ocean Report 2024 da UNESCO, que indicam que os oceanos absorvem cerca de 90% do calor excedente do planeta, enfrentando um aquecimento que dobrou nas últimas duas décadas. Para o setor de energia e infraestrutura, o monitoramento dessas variáveis é vital, uma vez que a acidificação e o aumento do nível do mar impactam diretamente a segurança operacional e o licenciamento de ativos na costa brasileira.
Ciência como subsídio para a tomada de decisão
A conferência abordará ameaças crescentes, como a sobrepesca, a poluição por plásticos e, notadamente para o mercado de recursos naturais, a expansão da exploração em águas profundas.
O coordenador da Reunião Magna 2026 e presidente do Conselho Científico do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Luiz Drude de Lacerda, reforça a multimensionalidade do ecossistema: “O oceano tem um papel central no funcionamento do planeta, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também para o sustento e o bem-estar de milhões de pessoas. No entanto, esse sistema vem sendo submetido a pressões crescentes, como a poluição, a exploração intensiva de recursos e os efeitos das mudanças climáticas, o que coloca em risco suas condições naturais”.
Transição energética e exploração offshore em pauta
Um dos eixos centrais da programação de 2026 dedicará atenção especial ao papel dos oceanos na transição energética e na exploração de recursos naturais. O debate contará com a participação de Segen Estefen, diretor-geral do INPO e referência em engenharia oceânica, além de especialistas como Carlos Ricardo Soccol e Cristiana Simão Seixas.
A discussão é estratégica para o Brasil, que possui uma das maiores plataformas continentais do mundo. A presidente da ABC, Helena Nader, destaca a necessidade de um olhar soberano e sustentável sobre o território marítimo nacional:
“Ao trazer os oceanos para o centro do debate nesta Reunião Magna, reforçamos a importância de o Brasil olhar com mais atenção para sua extensa costa. Vamos discutir as riquezas dos oceanos e suas tristezas no contexto atual, como os impactos dos microplásticos e o aquecimento global. Proteger os oceanos é proteger o equilíbrio do planeta e a nossa própria saúde. Nossa proposta é ter uma discussão globalizada, mas também dar protagonismo ao Sul Global na questão ambiental dos oceanos”.
Governança global e monitoramento digital
O evento também traz nomes de peso da diplomacia e tecnologia oceânica. Leticia Reis de Carvalho, secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA/ONU), discutirá os desafios da governança global, enquanto o CEO da Mercator Ocean International, Pierre Bahurel, apresentará inovações digitais voltadas ao monitoramento marinho em tempo real.
Outros temas de alta complexidade técnica incluem o estudo de ecossistemas de grandes profundidades, liderado pelo pesquisador chinês Xiaotong Peng, e o risco de colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), conferência que será aberta pelo oceanógrafo Edmo Campos.



