Com aporte de US$ 9,7 bilhões da Petrobras, Espírito Santo se consolida como hub global de descomissionamento

Fórum Internacional da FINDES reúne cúpula da estatal e especialistas do Mar do Norte para estruturar cadeia de desativação de plataformas; Magda Chambriard anuncia R$ 30 bilhões em investimentos totais no estado até 2030.

O Espírito Santo oficializou sua entrada na rota estratégica da economia circular offshore. Durante a abertura do Fórum Internacional de Descomissionamento, realizado nesta quarta-feira (25) pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), lideranças da Petrobras e autoridades públicas desenharam o mapa de um mercado bilionário: a desativação e reciclagem de unidades de produção marítimas.

O movimento é sustentado por números robustos. A Petrobras prevê investir cerca de US$ 9,7 bilhões em descomissionamento no Brasil até 2030. Para o Espírito Santo, o horizonte é ainda mais amplo: a presidente da companhia, Magda Chambriard, anunciou aportes que somam R$ 30 bilhões no estado no mesmo período, abrangendo produção, gás, energia e logística.

O Salto Industrial e a Economia do Mar

A estratégia liderada pela FINDES visa transformar o desafio técnico da desativação em uma oportunidade de reindustrialização. O estado já soma mais de R$ 4,8 bilhões em investimentos previstos especificamente para o segmento de descomissionamento, aproveitando sua infraestrutura portuária e proximidade com campos maduros das bacias de Campos e Espírito Santo.

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Ao detalhar a visão de futuro para a indústria local, o presidente da FINDES, Paulo Baraona, reforçou a importância da diversificação econômica: “Temos todas as condições para dar um novo salto na trajetória industrial do Espírito Santo e consolidar a economia do mar como um eixo estratégico de desenvolvimento. O descomissionamento se apresenta como uma oportunidade concreta para atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas e gerar empregos qualificados no Estado.”

Sinergia Internacional e Transição Energética

Um dos diferenciais do fórum foi a articulação com a Decom Mission, organização do Reino Unido especializada em operações de fim de vida no Mar do Norte. Essa cooperação técnica é vista como essencial para reduzir a curva de aprendizado das empresas capixabas em serviços de alta complexidade e gestão de resíduos metálicos. Representantes internacionais veem o processo não como o encerramento de um ciclo, mas como o início de uma nova dinâmica de baixo carbono.

Ao analisar a integração entre setores, o representante do governo do Reino Unido, Shozey Jafferi, pontuou a relevância da atividade: “Muitos veem o descomissionamento como o fim de um ciclo no petróleo e gás, mas eu enxergo como um ponto de partida. À medida que essas estruturas são desativadas, abre-se espaço para novas fontes de energia que irão impulsionar as economias do futuro.”

Petrobras: R$ 30 Bilhões e 21 Mil Empregos

A presença da cúpula da Petrobras no evento chancelou a importância do estado no Plano Estratégico da estatal. O montante de R$ 30 bilhões previsto até 2030 deve gerar aproximadamente 21 mil postos de trabalho, fortalecendo uma rede que já movimentou R$ 3,3 bilhões com fornecedores locais apenas em 2025.

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No encerramento das discussões do primeiro dia, o gerente-geral de Projetos de Descomissionamento da Petrobras, Carlos Castilho, destacou a prontidão do ecossistema capixaba: “O Espírito Santo é um estado-chave nesse processo. Com infraestrutura, regulação e uma cadeia de fornecedores preparada, temos todas as condições de transformar esse desafio em uma grande oportunidade, dentro de uma lógica de economia circular e geração de valor.”

O Fórum segue com rodadas de negócios e painéis técnicos, conectando mais de 70 fornecedores locais a empresas âncoras como Estel, IKM Testing Brasil e Imetame, consolidando o estado como o terceiro maior mercado de descomissionamento do mundo.

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