Private Equity ignora juros altos e avança 17% em fusões e aquisições no Brasil

Transição energética e infraestrutura consolidam-se como pilares estratégicos; venda da Aliança Energia por US$ 1 bilhão sinaliza apetite de gigantes globais como BlackRock por ativos brasileiros.

O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil encerrou 2025 com um sinal claro de resiliência, sustentado pelo protagonismo dos fundos de private equity. Segundo levantamento trimestral realizado pela KPMG, as transações envolvendo esses fundos cresceram 17,4%, totalizando 791 operações, contra 674 no ano anterior. O movimento ocorre em um cenário de estabilidade no volume total de negócios (1.581 operações), revelando que, enquanto investidores estratégicos adotaram cautela, os fundos de investimento aproveitaram a janela de oportunidade para a captura de ativos.

O setor de energia, em particular, posicionou-se no centro das decisões de investimento, impulsionado pela agenda ESG e pela necessidade global de descarbonização. O grande marco do período foi a alienação de 70% da Aliança Energia pela Vale para a gestora GIP (Global Infrastructure Partners), braço da BlackRock, em uma transação avaliada em US$ 1 bilhão.

Reprecificação de ativos e o novo papel dos fundos

A dinâmica das transações ao longo de 2025 foi moldada pela adaptação dos preços à realidade macroeconômica. Com a estabilização das curvas de juros em patamares ainda elevados, a reconfiguração do valuation das empresas abriu espaço para a entrada agressiva de capital financeiro.

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O sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG no Brasil, Paulo Guilherme Coimbra, aponta os vetores que sustentaram esse crescimento: “Esse avanço foi impulsionado pela reprecificação de ativos após o ciclo de juros elevados. Diante de preços mais atrativos, os fundos identificaram oportunidades para expansão, especialmente em tecnologia. Ao mesmo tempo, investidores estratégicos mantiveram postura mais conservadora, ampliando o protagonismo dos fundos nas transações realizadas ao longo do ano.”

Energia e Transição Energética no centro da pauta ESG

Além da tecnologia, que liderou o ranking com 40% das transações, a infraestrutura e a energia consolidaram-se como destinos de “capital seguro” e de longo prazo. A pesquisa destaca que a agenda regulatória e os critérios ambientais, de governança e sociais (ESG) deixaram de ser periféricos para se tornarem centrais na avaliação de riscos.

A busca por eficiência e resiliência nas cadeias produtivas globais fortaleceu o Brasil como um destino estratégico. No setor elétrico, isso se traduz em investimentos não apenas em geração, mas em ativos de transmissão e logística que garantam o escoamento da energia limpa, superando gargalos estruturais do país.

Perspectivas e Volatilidade no Horizonte de 2026

Embora os fundamentos macroeconômicos sinalizem uma melhora contínua, o mercado de transações entra em 2026 monitorando variáveis políticas e a liquidez disponível no sistema financeiro. A expectativa é de manutenção do dinamismo, ainda que o cronograma institucional possa ditar o ritmo dos fechamentos de contratos no segundo semestre.

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Ao projetar o cenário para os próximos meses, o sócio-líder de consultoria em transações e estratégia da KPMG no Brasil, Alan Riddell, pondera sobre os fatores de risco e otimismo: “As perspectivas para este ano são positivas, sustentadas pela melhora do ambiente macroeconômico. Como ponto de atenção, o calendário eleitoral pode gerar volatilidade no segundo semestre e postergar decisões. Ainda assim, a combinação de fundamentos mais estáveis e liquidez disponível sustenta a expectativa de maior dinamismo em fusões e aquisições.”

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