Associação destaca competitividade do certame na B3 e o papel de CYMI e Engie na expansão da rede básica; deságio médio de 50,69% é o mais expressivo desde 2020.
O encerramento do primeiro leilão de transmissão de 2026, realizado nesta sexta-feira (27/03) na B3, em São Paulo, foi recebido com otimismo pelo mercado e pelas entidades de classe. A Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE) classificou o certame como um marco de resiliência e atratividade para o setor. Com a arrematação de 100% dos ativos ofertados, o leilão atingiu um deságio médio de 50,69% na Receita Anual Permitida (RAP), o melhor desempenho registrado pela ANEEL em termos de competitividade desde 2020.
O resultado do leilão não apenas assegura a modicidade tarifária por meio dos lances agressivos, mas também injeta capital novo na infraestrutura brasileira. Ao todo, os cinco lotes licitados somam 798 quilômetros de novas linhas de transmissão e uma adição de 2.150 MVA em capacidade de transformação.
A presidente executiva da ABRATE, Talita Porto, ressalta que o sucesso da rodada transcende os indicadores financeiros e reflete a confiança do investidor no modelo de transmissão nacional.
“Com deságio médio de mais de 50% na Receita Anual Permitida e arremate de todos os lotes, este certame viabilizou investimentos de R$ 3,3 bilhões e a geração de 8,5 mil empregos diretos e indiretos. Além do impacto social e econômico, celebramos a viabilização financeira de importantes projetos que irão assegurar resiliência, segurança e confiabilidade do sistema elétrico brasileiro”, destaca Talita Porto.
Protagonismo das associadas e estabilidade da rede
O certame foi marcado pela forte atuação de players tradicionais. Dos cinco lotes em disputa, quatro foram arrematados pelas empresas CYMI e Engie, ambas associadas à ABRATE. Além das linhas e subestações, o leilão contemplou a instalação de compensadores síncronos, equipamentos fundamentais para a estabilidade de tensão em um sistema com crescente penetração de fontes intermitentes.
A abrangência geográfica dos projetos cobre 11 estados das cinco regiões do país (Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo). Os prazos de construção variam entre 42 e 60 meses, exigindo rigor na gestão de projetos para o cumprimento dos cronogramas da ANEEL.
Reconhecimento à governança setorial
Para a ABRATE, a coordenação entre os órgãos governamentais e as instituições de planejamento foi o diferencial para o esvaziamento dos riscos percebidos pelos proponentes. A integração entre o Ministério de Minas e Energia (MME), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o regulador permitiu um ambiente de negócios favorável.
Ao parabenizar as instituições envolvidas e as companhias vencedoras, a presidente da associação reforça o compromisso com o desenvolvimento da infraestrutura energética.
“Parabenizamos o Ministério de Minas e Energia, EPE, ONS e a ANEEL, além de nossas associadas vencedoras e participantes do certame, pelo sucesso deste leilão. Que venham novos investimentos que impulsionem o desenvolvimento do Brasil e ampliem a segurança do sistema”, finaliza Talita.



