Com aporte do Fundo Especial do Japão, projeto foca em Lítio, Terras Raras e Grafita em províncias estratégicas de Minas Gerais e Bahia; dados geo científicos serão de domínio público.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) oficializou um avanço estratégico para a mineração e a segurança energética nacional ao firmar o Projeto de Cooperação Técnica Internacional BR-T1690 com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa viabiliza um investimento de US$ 890 mil, custeado pelo Fundo Especial do Japão, destinado ao mapeamento geológico detalhado de minerais críticos em território brasileiro ao longo dos próximos 36 meses.
O foco da cooperação é ampliar o conhecimento geocientífico sobre insumos fundamentais para a economia de baixo carbono, como o lítio e os elementos terras raras. Em um cenário de corrida global por recursos que sustentem a mobilidade elétrica e as energias renováveis, o projeto busca reduzir o risco exploratório e posicionar o Brasil como um fornecedor confiável e sustentável para as cadeias produtivas de alta tecnologia.
Frentes de Atuação: Do Jequitinhonha à Província Grafítica
O cronograma de investimentos foi dividido em quatro eixos principais, priorizando regiões com alto potencial de ocorrência mineral já identificado, mas que demandam maior detalhamento técnico. Entre as metas estão a realização de estudos eletromagnéticos na Província Grafítica Minas-Bahia e levantamentos geoquímicos para terras raras no estado baiano.
Em Minas Gerais, o esforço será concentrado na prospecção geoquímica para lítio no Vale do Jequitinhonha, região que já concentra atenção internacional devido à qualidade de suas reservas. Ao analisar o impacto dessa cooperação, o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões, enfatizou a importância do acordo para a inserção do país em cadeias de valor globais:
“Esse acordo reforça o papel do Brasil no cenário global de minerais críticos, essenciais para a economia de baixo carbono. É um passo importante para ampliar o conhecimento geológico e atrair investimentos sustentáveis.”
Transparência e Governança Geocientífica
Um diferencial do projeto é o compromisso com a ciência aberta. Todos os dados gerados, sejam geofísicos ou geoquímicos, serão integrados ao Repositório Institucional de Geociências (RIGeo) e a outras plataformas do SGB, garantindo acesso democrático para empresas, universidades e sociedade civil. Além da parte técnica, o aporte também prevê o fortalecimento dos marcos institucionais e a capacitação técnica das equipes do órgão.
A integração desses esforços visa garantir que o país não apenas identifique suas riquezas, mas crie um ambiente de negócios previsível. O diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira, destacou que a iniciativa é um pilar para a segurança mineral e o desenvolvimento industrial:
“Os projetos previstos vão gerar dados fundamentais sobre o potencial mineral em regiões estratégicas do território brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento regional e para a segurança mineral, trazendo garantia para o fornecimento de minerais estratégicos e críticos, essenciais para a nova indústria.”
O diretor ainda complementou a análise ressaltando a conexão intrínseca entre o mapeamento geológico e a modernização tecnológica global: “É uma iniciativa que integra esforços internacionais para fortalecer cadeias produtivas de minerais críticos, considerados fundamentais para setores como energia renovável, mobilidade elétrica e tecnologias digitais.”



