Diesel dispara mais de 20% em março e pressiona custos logísticos e energia no Brasil

Alta do Brent no mercado internacional e dependência de importações elevam preços dos combustíveis, com impactos regionais e reflexos no setor elétrico

O mercado brasileiro de combustíveis voltou a registrar forte pressão altista em março, com destaque para o diesel S-10, que acumulou alta de 20,9% na média nacional em poucas semanas. O movimento, impulsionado pela valorização do petróleo no exterior e pela dependência estrutural de importações, reacende preocupações sobre custos logísticos, inflação e impactos indiretos no setor elétrico.

Dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostram que o preço médio do diesel saltou de R$ 6,18 para R$ 7,47 por litro entre o fim de fevereiro e a terceira semana de março. Nas capitais, o avanço foi de 16,4%, indicando um repasse relevante, ainda que parcialmente amortecido em grandes centros.

Alta do petróleo pressiona cadeia de combustíveis

O principal vetor por trás da disparada dos preços é a valorização do barril do Brent, referência global para o mercado brasileiro. Em cerca de um mês, o petróleo acumulou alta de 40,6%, chegando a superar a marca de US$ 110 antes de recuar parcialmente.

- Advertisement -

Esse movimento é influenciado, sobretudo, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam diretamente a oferta global de petróleo e elevam a volatilidade dos preços internacionais.

No mercado doméstico, o repasse ocorre de forma mais rápida e intensa no diesel e na gasolina, enquanto o etanol apresenta dinâmica mais moderada, por depender também de fatores internos, como safra e competitividade com a gasolina.

Diesel lidera alta e expõe dependência externa

Entre os combustíveis, o diesel segue como o mais sensível às oscilações internacionais. Além de sua relevância para o transporte de cargas e para a atividade econômica, o produto ainda depende significativamente de importações para suprir a demanda nacional.

Essa dependência torna o mercado brasileiro mais vulnerável a choques externos, especialmente em momentos de alta do petróleo e restrição de oferta global.

- Advertisement -

No mesmo período, a gasolina registrou aumento de 6,11%, passando de R$ 6,38 para R$ 6,77 por litro, enquanto o etanol hidratado subiu 1,74%, de R$ 4,70 para R$ 4,79, variações mais contidas em comparação ao diesel, mas ainda relevantes do ponto de vista inflacionário.

Diferenças regionais ampliam pressão sobre custos

O avanço dos preços não ocorreu de forma homogênea no território nacional. Estados mais distantes de polos de refino e portos de importação registraram as maiores altas, refletindo o peso da logística na formação de preços. Entre os destaques estão Tocantins (+29,7%), Bahia (+29,1%) e Goiás (+28,9%), seguidos por Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

O encarecimento do frete rodoviário ao longo da cadeia de distribuição, aliado a fatores como nível de estoques, concorrência entre postos e sazonalidade da demanda, especialmente em regiões com forte atividade agrícola, contribui para essas distorções regionais.

Além disso, a atuação de refinarias privadas, que ajustam seus preços com maior agilidade às variações internacionais, também amplia as diferenças entre mercados locais, sobretudo no diesel.

Efeitos indiretos no setor elétrico

Embora o impacto imediato da alta dos combustíveis recaia sobre transporte e inflação, os reflexos no setor elétrico são relevantes, especialmente em momentos de maior acionamento de usinas térmicas a diesel.

O encarecimento do combustível eleva o custo variável de geração, pressionando o despacho térmico e, consequentemente, os preços no mercado de curto prazo. Em cenários de hidrologia desfavorável, esse efeito pode se intensificar, aumentando o custo marginal de operação do sistema.

Além disso, o diesel desempenha papel estratégico em sistemas isolados, especialmente na região Norte, onde a geração térmica é predominante. Nesses casos, a alta de preços impacta diretamente o custo da energia e a necessidade de subsídios, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).

Volatilidade global reforça desafios estruturais

O episódio reforça a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo e evidencia desafios estruturais, como a dependência de importações e a logística de distribuição.

Em um contexto de transição energética, a volatilidade dos combustíveis fósseis também reacende o debate sobre diversificação da matriz, eletrificação da mobilidade e expansão de alternativas renováveis.

No curto prazo, no entanto, o comportamento dos preços seguirá condicionado à dinâmica global do petróleo e às condições geopolíticas, mantendo o mercado doméstico sob pressão.

Destaques da Semana

Thymos projeta PLD médio de R$ 170/MWh na primavera

Consultoria atribui perspectiva de preços moderados aos níveis dos...

ONS propõe sandbox com cinco distribuidoras para testar modelo DSO no SIN

Projeto prevê despacho em tempo real de recursos energéticos...

CCEE aprova Elisa Bastos para nova Diretoria de Tecnologia

Ex-diretora do ONS foi indicada pelo MME e ainda...

EPE estima potencial de até 13,1 GW para Resposta da Demanda no Brasil

Estudo aponta capacidade de referência de 8,8 GW e...

Artigos

Últimas Notícias