Tecnogera aporta R$ 100 milhões em vertical oil-free e mira contratos críticos no offshore

Em entrevista exclusiva, Jorge Moreno detalha a estratégia de “hedge operacional” da companhia e como a locação de ativos Classe 0 está substituindo a compra de equipamentos no pré-sal

Em um cenário de juros elevados e busca por eficiência extrema no offshore brasileiro, a Tecnogera decidiu apostar alto na desoneração do balanço de seus clientes. Com um investimento de R$ 100 milhões, aporte que viabilizou a inauguração da nova filial em Macaé (RJ) e o desenvolvimento da divisão de compressores isentos de óleo (oil-free), a companhia foca agora em operações onde a pureza do ar é inegociável.

Mais do que fornecer equipamentos, a estratégia mira a transformação do CAPEX em OPEX para petroleiras e indústrias petroquímicas. Ao Cenário Energia, Jorge Moreno, diretor de novos negócios da Tecnogera, explica como a telemetria e o rigor da norma ISO 8573-1 Classe 0 estão moldando essa nova fase da empresa.

Cenário Energia – Tese de Investimento: O lançamento da vertical de compressores oil-free funciona como um hedge operacional para equilibrar a ciclicidade da demanda por locação de grupos geradores?

Jorge Moreno A criação da vertical de compressores isentos de óleo faz parte de uma estratégia de diversificação de portfólio que amplia a presença da Tecnogera em setores de infraestrutura industrial e utilities de alta criticidade.

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Enquanto a demanda por grupos geradores pode ser influenciada por fatores climáticos ou sazonais do setor elétrico, o ar comprimido isento de óleo é uma necessidade contínua em processos produtivos, como na indústria farmacêutica, de alimentos e, especialmente, no setor de óleo e gás. Essa expansão permite que a empresa atenda a uma gama mais ampla de necessidades operacionais de seus clientes, gerando uma receita mais resiliente e menos dependente de janelas específicas de demanda energética.

Cenário Energia – Rigor Normativo: Para aplicações em instrumentação e FPSOs, a ISO 8573-1 Classe 0 é o padrão ouro. Como a Tecnogera garante essa pureza em ambientes de alta salinidade e umidade, como o pré-sal?

Jorge Moreno – A Tecnogera garante o atendimento à norma ISO 8573-1 por meio da utilização de equipamentos projetados especificamente para operar sem a presença de lubrificantes na câmara de compressão. Em ambientes offshore de alta agressividade, como o pré-sal, a integridade do ar é mantida através de sistemas de filtragem e secagem integrados que removem partículas sólidas e umidade residual. O primeiro contrato da divisão já em operação em plataformas offshore demonstra a capacidade técnica dos equipamentos em suportar condições extremas de salinidade, assegurando que o ar fornecido para instrumentação e automação esteja livre de contaminantes que poderiam comprometer sensores e válvulas pneumáticas.

Cenário Energia – OPEX vs CAPEX: Com o aumento do custo de capital, o modelo de locação de compressores tem servido para preservar o caixa das indústrias. Qual o ganho médio em disponibilidade operacional e redução de OPEX que o cliente obtém ao terceirizar essa utilidade crítica?

Jorge Moreno – A migração de CAPEX para OPEX permite que as indústrias concentrem seu capital no core business, enquanto a Tecnogera assume a responsabilidade pela atualização tecnológica e manutenção dos ativos. Embora o ganho percentual varie conforme o perfil de cada planta, a terceirização elimina custos ocultos com estoque de peças, treinamentos técnicos especializados e riscos de obsolescência. Em termos de disponibilidade operacional, o modelo de locação oferece suporte técnico e substituição rápida de equipamentos, minimizando o tempo de parada não programada, algo fundamental em operações onde a falha do suprimento de ar comprimido interromperia toda a linha de produção ou sistemas de segurança.

Cenário Energia – Desempenho e Monitoramento: Os compressores contam com telemetria para medição de vazão (PCM) e pressão (Bar) em tempo real? Há integração desses dados com o centro de controle do cliente?

Jorge Moreno – Os equipamentos disponibilizados pela Tecnogera possuem sistemas avançados de controle das variáveis operacionais, operando com vazões entre 450 e 5.000 pcm e pressões de 7 a 45 bar. A frota é equipada com tecnologia que permite o monitoramento de desempenho para assegurar a estabilidade do processo.

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As unidades contam com sensores dedicados para medição de pressão (bar) e vazão (cfm/pcm), além de variáveis críticas como temperatura, regime de carga, consumo energético e status operacional. Esses dados são processados por controladores embarcados (PLC ou controladores proprietários), possibilitando visualização em tempo real localmente (via HMI) e também remotamente.

Em relação à telemetria, os equipamentos podem ser configurados com módulos de comunicação (como 4G/LTE, Ethernet ou protocolos industriais como Modbus e CAN), permitindo a transmissão contínua de dados para plataformas de monitoramento remoto.

Essa arquitetura viabiliza a integração com centros de controle do cliente (CCO), sistemas supervisórios (SCADA) ou plataformas de gestão de ativos, desde que haja compatibilidade de protocolo e infraestrutura de comunicação disponível. Dessa forma, o cliente pode acompanhar remotamente indicadores como pressão de operação, vazão instantânea, histórico de desempenho e eventuais alarmes, contribuindo para maior eficiência operacional, previsibilidade de manutenção e redução de riscos de parada.

Cenário Energia – Sustentabilidade: Considerando o rigor das metas de descarbonização (Scope 1 e 2), como a eficiência térmica dos motores acionadores desses compressores contribui para o inventário de emissões dos seus clientes?

Jorge Moreno – A eficiência energética é um pilar central desta nova vertical de negócios. Ao utilizar motores de última geração, com maior rendimento térmico e menor consumo de combustível por metro cúbico de ar gerado, os compressores contribuem diretamente para a redução das emissões de Escopo 1 (no caso de acionamentos a diesel em unidades remotas) ou Escopo 2 (em equipamentos elétricos de alta eficiência). Além disso, a tecnologia isenta de óleo elimina o risco de contaminação ambiental por vazamentos de lubrificantes e reduz a geração de resíduos perigosos (condensado contaminado com óleo), alinhando a operação dos clientes às melhores práticas de governança ambiental e metas de sustentabilidade.

Cenário Energia – Roadmap: Após o primeiro contrato offshore, quais são as metas de expansão (em número de máquinas ou faturamento) para esta vertical até o final de 2026?

Jorge Moreno – O sucesso do primeiro contrato em plataformas offshore valida a estratégia da Tecnogera de se tornar uma referência em soluções de ar comprimido de alta pureza. A meta é consolidar a liderança no mercado de locação para o setor de Óleo e Gás e expandir a atuação para os polos industriais e petroquímicos do Brasil. A empresa projeta um crescimento robusto da frota para atender à demanda reprimida por equipamentos Classe 0, focando na confiabilidade técnica e na capilaridade de atendimento que já são marcas registradas da companhia em outras verticais.

A empresa investiu mais de R$100 milhões no primeiro ano da nova vertical de negócios. A companhia está estruturada para fazer novos aportes de investimentos em função da demanda do mercado.

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