Brasil reforça soberania em minerais críticos na CAMMA 2026 e amplia cooperação no PDAC em Toronto

MME apresenta Política Nacional de Minerais Críticos como eixo da transição energética e SGB articula parcerias estratégicas com Canadá para atrair investimentos e fortalecer cadeias de valor

O Brasil intensificou sua atuação internacional no debate sobre minerais críticos e estratégicos durante a IV Reunião Intercessional 2026 da Conferência de Ministros de Mineração das Américas (CAMMA), realizada em Toronto, no Canadá. No encontro ministerial, o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou os avanços da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e defendeu uma agenda que combina soberania nacional, integração regional e segurança das cadeias de suprimentos para a transição energética.

A reunião foi coordenada pela Presidência Pro Tempore da República Dominicana, com apoio da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e do Natural Resources Canada (NRCan), reunindo autoridades do continente e organismos internacionais para discutir mecanismos de cooperação diante da crescente demanda por minerais como lítio, cobre e terras raras, insumos fundamentais para energias renováveis, baterias, mobilidade elétrica e tecnologias de baixo carbono.

Minerais críticos como vetor estratégico da transição energética

A participação brasileira foi conduzida de forma virtual pelo coordenador-geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética do MME, Gustavo Masili. A intervenção destacou que a expansão da demanda por minerais críticos representa uma mudança estrutural na economia global, com impactos diretos sobre segurança energética, reindustrialização e geopolítica.

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“O Brasil tem trabalhado para fortalecer a governança do setor mineral, assegurando a soberania sobre seus recursos e promovendo o aproveitamento estratégico das nossas potencialidades, em equilíbrio à cooperação internacional. A integração regional é fundamental para que possamos avançar de forma coordenada e responsável diante desse novo cenário de demanda global”, destacou Masili.

A mensagem reforça que a política mineral brasileira busca evitar a simples exportação de matéria-prima bruta, priorizando a inserção do país em etapas mais sofisticadas das cadeias globais de valor, com agregação tecnológica e desenvolvimento industrial.

Soberania mineral e cadeias de valor nas Américas

Para o corpo técnico do MME, soberania no setor mineral significa autonomia na definição de como o Brasil participará das cadeias de suprimentos globais de minerais críticos. A diretriz é transformar vantagens geológicas em ativos estratégicos para a transição energética justa e segura.

Nesse contexto, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos prevê estímulo à pesquisa mineral com foco em sustentabilidade, fortalecimento da governança e alinhamento a padrões ambientais, sociais e de governança (ESG). O tema também permeou a avaliação do Plano Bienal 2026-2028 da CAMMA, que busca harmonizar regulamentações no continente e elevar padrões ambientais e sociais da mineração nas Américas.

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O movimento dialoga diretamente com o debate global sobre segurança das cadeias de suprimentos de minerais críticos, hoje concentradas em poucos países, e com a necessidade de diversificação geográfica da oferta para sustentar a expansão da geração renovável e da eletrificação.

PDAC 2026: cooperação técnica e atração de investimentos

Paralelamente à CAMMA, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou sua agenda na Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC 2026), maior evento global de prospecção mineral, também em Toronto.

Logo no primeiro dia, o SGB realizou reunião com o Geological Survey of Canada (GSC) para alinhar um acordo de cooperação técnica em pesquisas minerais, cuja formalização está prevista para 3 de março. A agenda incluiu discussões sobre intercâmbio de metodologias, compartilhamento de dados técnicos, treinamento de profissionais e cooperação em diferentes contextos geológicos, como a região amazônica e o Ártico canadense.

A projeção do Brasil como destino de capital estrangeiro foi um dos pilares defendidos pelo diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões, que observou o potencial de abertura de novos mercados durante o evento. “Iniciamos o primeiro dia do PDAC com reuniões muito importantes que reforçam o posicionamento do Brasil no cenário internacional e abrem caminho para novas parcerias, capazes de ampliar o conhecimento geológico, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento sustentável do setor mineral”.

Complementando a visão institucional, o diretor de Geologia e Recursos Minerais, Valdir Silveira, indicou a natureza científica e operacional que sustenta a aproximação entre as agências. “Estamos fortalecendo o diálogo institucional com o GSC e construindo pontes para trabalharmos juntos em projetos voltados à temas estratégicos, como minerais críticos, geoquímica e mapeamento geológico”.

Diálogo com investidores e mercado de capitais

A agenda brasileira no PDAC incluiu ainda o Brunch de Mineração Brasil–Canadá, realizado na Bolsa de Valores de Toronto (TSX e TSX Venture Exchange), um dos principais centros globais de financiamento para projetos de mineração.

O encontro reuniu executivos, investidores e representantes institucionais, promovendo intercâmbio sobre oportunidades de investimento, tendências do setor mineral e perspectivas de cooperação bilateral. A presença de representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) reforçou o alinhamento entre política pública, financiamento e estratégia empresarial.

Reindustrialização verde e segurança energética

Ao consolidar sua presença em fóruns como CAMMA e PDAC 2026, o Brasil sinaliza que pretende utilizar sua base mineral como alavanca para reindustrialização verde, fortalecimento da segurança energética e maior protagonismo nas cadeias globais ligadas à economia de baixo carbono.

Em um contexto de transição energética acelerada, no qual a demanda por minerais críticos cresce exponencialmente, a estratégia brasileira busca combinar soberania, integração regional e cooperação internacional, elementos centrais para transformar recursos naturais em desenvolvimento tecnológico, industrial e social de longo prazo.

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