Gasoduto virtual: Edge inicia operação de GNL off-grid para o setor industrial

Parceria estratégica com a LD Celulose inaugura fornecimento estruturado de gás para regiões fora da malha; solução logística promete destravar demanda reprimida e acelerar descarbonização

A interiorização do gás natural no Brasil deu um passo determinante nesta quarta-feira (11/02). A Edge colocou em operação seu novo modelo de fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) para indústrias localizadas fora da malha de gasodutos, o chamado mercado off-grid. A iniciativa marca a abertura de uma “rota logística” que conecta a oferta global de energia diretamente a polos industriais geograficamente isolados da infraestrutura de dutos tradicional.

O projeto de estreia desta operação estruturada foi viabilizado por meio de um contrato de longo prazo com a LD Celulose, joint venture formada pela austríaca Lenzing e pela brasileira Dexco. Localizada em Indianápolis, no Triângulo Mineiro, a planta industrial passará a receber cerca de 100 mil m³/dia de gás natural equivalente. A operação conecta o Terminal de Regaseificação de GNL de São Paulo (TRSP), ativo da Edge na Baixada Santista, ao interior de Minas Gerais por meio de transporte criogênico.

Logística criogênica e segurança de suprimento

A viabilidade técnica do “gasoduto virtual” repousa em uma infraestrutura de alta complexidade. A Edge utiliza uma frota própria de carretas criogênicas equipadas com tanques de duplo isolamento, projetados para manter o insumo em estado líquido a aproximadamente -162 °C. Essa tecnologia assegura que o energético percorra longas distâncias rodoviárias sem perda de eficiência ou riscos operacionais.

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Ao detalhar o potencial disruptivo da operação, o CEO da Edge, Demétrio Magalhães, ressalta o pioneirismo do modelo que utiliza o transporte rodoviário a partir de um terminal de GNL conectado ao mercado global. O executivo destaca que o sistema garante segurança de suprimento, escala e flexibilidade para acompanhar o crescimento da demanda industrial e do transporte pesado. Magalhães enfatiza ainda que, com essa operação, a empresa acelera a maturidade da infraestrutura de gás no Brasil e amplia o acesso a uma energia mais competitiva e sustentável, chegando a regiões onde o gás natural nunca esteve disponível.

No destino final, a Edge instalou uma Unidade Autônoma de Regaseificação (UAR). Conectada à rede interna da LD Celulose, a estrutura converte o GNL de volta ao estado gasoso, garantindo o fluxo contínuo para os processos produtivos da fábrica.

Descarbonização e eficiência no forno de cal

Para a indústria de celulose, a substituição de fontes de energia mais intensivas em emissões por gás natural é um pilar de competitividade e conformidade ambiental. Na unidade mineira, o energético será destinado ao forno de cal, um dos pontos de maior consumo térmico do processo.

Ao avaliar o impacto do acordo para os objetivos ESG da companhia, o CEO da LD Celulose, Silvio Costa, reforça o compromisso da empresa com processos onde o uso sustentável de insumos é aplicado com rigor. O dirigente aponta que a parceria segue este princípio e o contrato firmado suprirá a demanda energética no forno de cal, consolidando os investimentos da LD em uma matriz energética mais econômica e limpa, que se soma às demais iniciativas relacionadas à sustentabilidade.

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Já em sua primeira fase, o hub logístico da Baixada Santista demonstra robustez, com capacidade imediata para entregar até 400 mil m³/dia, sinalizando que outras indústrias da região podem se beneficiar da solução competitiva de GNL em curto prazo.

GNL como alternativa ao diesel no transporte pesado

Além do atendimento industrial, a Edge mira um mercado com alto potencial de escala: o transporte pesado de longa distância. O GNL desponta como o substituto imediato do diesel para frotas que buscam reduzir custos operacionais e pegada ambiental.

Um estudo de avaliação de ciclo de vida “do poço à roda”, realizado pela ACV Brasil e auditado pela KPMG, ratifica as vantagens do energético. Os dados indicam que o gás natural apresenta emissões 25% menores que o diesel, além de proporcionar uma redução drástica na emissão de material particulado. Esse fator é considerado decisivo para a melhoria da qualidade do ar em grandes corredores logísticos e centros urbanos.

Com a inauguração desta etapa off-grid, a Edge projeta uma expansão gradual da solução para outras regiões estratégicas, consolidando o gás natural não apenas como um insumo, mas como uma solução logística flexível capaz de destravar a produtividade industrial brasileira em áreas remotas.

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