Operação amplia portfólio da Cemig GT com ativos no Vale do Aço, conectados à Rede Básica de 230 kV e com RAP anual de R$ 6 milhões
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deu mais um passo relevante na consolidação de sua estratégia de crescimento no segmento de transmissão de energia elétrica. A empresa anunciou a conclusão da aquisição da totalidade do capital social da Empresa de Transmissão Timóteo-Mesquita S.A. (ETTM), anteriormente pertencente ao Grupo Fram Capital, por meio de sua subsidiária integral Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT).
A operação foi finalizada em 29 de janeiro de 2026, em continuidade ao comunicado ao mercado divulgado pela companhia em fevereiro de 2025, e envolveu um investimento de R$ 30 milhões. Os ativos adquiridos possuem Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 6 milhões, reforçando o fluxo de receitas reguladas da companhia no setor de transmissão.
Ativos estratégicos no Vale do Aço
Os ativos de transmissão incorporados ao portfólio da Cemig estão localizados na região do Vale do Aço, um dos principais polos industriais de Minas Gerais, com forte concentração de demanda energética. A ETTM detém a Linha de Transmissão Mesquita–Timóteo 2, com extensão de 24 quilômetros, e a Subestação Timóteo 2, responsável pelo seccionamento da Linha de Transmissão Ipatinga 1–Timóteo 1.
Todos os empreendimentos estão conectados à Rede Básica de 230 kV, de propriedade da própria Cemig, o que traz sinergias operacionais relevantes. A integração desses ativos tende a gerar ganhos de eficiência na operação e manutenção, além de reduzir riscos associados à coordenação entre diferentes agentes.
Do ponto de vista sistêmico, a ampliação da malha de transmissão na região contribui para maior confiabilidade do suprimento elétrico, especialmente em um território com forte presença de siderúrgicas, indústrias de base e grandes consumidores.
Alinhamento com o planejamento estratégico
A aquisição da ETTM está diretamente associada ao planejamento estratégico da Cemig, que prioriza investimentos em ativos de transmissão dentro do território mineiro. A companhia tem sinalizado ao mercado que pretende ampliar sua exposição a receitas estáveis e de longo prazo, típicas do segmento regulado de transmissão.
Em um contexto de transição energética e de crescimento da geração distribuída e de fontes renováveis, a expansão da infraestrutura de transmissão se torna ainda mais crítica para garantir o escoamento da energia e a segurança do sistema elétrico.
Ao investir em ativos já operacionais, com RAP definida e conectados à sua própria rede, a Cemig reduz riscos de implantação e acelera a captura de valor, reforçando sua posição como um dos principais players de transmissão do país.
Impactos para o setor elétrico
A movimentação da Cemig reflete uma tendência mais ampla observada no setor elétrico brasileiro: a busca por ativos de transmissão como forma de diversificação de portfólio e estabilização de receitas. Em um ambiente de maior volatilidade nos mercados de geração e comercialização, a transmissão se mantém como um segmento atrativo para investidores e empresas de energia.
Além disso, operações desse tipo contribuem para a modernização e fortalecimento da infraestrutura elétrica nacional, especialmente em regiões industriais estratégicas como o Vale do Aço, que depende de redes robustas para sustentar crescimento econômico e competitividade.
Transparência e governança
No comunicado oficial, a companhia reforçou seu compromisso com a transparência e a governança corporativa. A Cemig informou que seguirá mantendo acionistas, investidores e o mercado devidamente informados, conforme as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a legislação vigente.
Como empresa listada nas bolsas de São Paulo e Nova Iorque, a Cemig tem adotado uma postura ativa de comunicação com o mercado, especialmente em operações de aquisição e reorganização societária, consideradas relevantes para a estratégia corporativa e para a percepção de valor da companhia.



