CTG Brasil inaugura laboratório de armazenamento com baterias na UHE Ilha Solteira e amplia fronteira tecnológica da geração híbrida no país

Projeto Flex BESS integra usina fotovoltaica e sistema de baterias em ambiente hidrelétrico e deve apoiar novos modelos operacionais, serviços ancilares e avanços regulatórios no setor elétrico

A Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, uma das maiores do país e operada pela CTG Brasil, passa a abrigar um laboratório dedicado a testes de sistemas de armazenamento de energia com baterias (BESS) associados à geração solar. A iniciativa marca um novo capítulo na integração entre fontes renováveis e tecnologias de flexibilidade no setor elétrico brasileiro, em um momento de crescimento acelerado da geração intermitente e de debate sobre a inserção regulatória do armazenamento.

Batizado de Flex BESS, o projeto foi desenvolvido pela CTG Brasil em parceria com o Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs) de Pernambuco, a Thymos Energia, a Wisebyte e a HDT, representante estratégica da Huawei no Brasil. O objetivo central é avaliar, em ambiente real de operação, como o armazenamento eletroquímico pode ser aplicado para ampliar a eficiência, a estabilidade e a inteligência operacional do sistema elétrico.

Armazenamento como eixo estratégico da CTG Brasil

A criação do laboratório está alinhada à estratégia de longo prazo da CTG Brasil de investir em novas arquiteturas de geração e digitalização. Ao conduzir, de forma paralela, estudos regulatórios para usinas reversíveis e softwares de simulação, a companhia busca moldar a inteligência do sistema para além da infraestrutura física. Fernanda Martins, diretora de Desenvolvimento de Negócios e P&D da CTG Brasil, ressalta que esse ecossistema de inovação é um pilar de flexibilidade dentro de uma visão sistêmica.

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“Projetos de armazenamento de energia fazem parte da estratégia da CTG Brasil, pois ampliam a flexibilidade operacional. O Flex BESS, somado ao nosso portfólio de projetos que inclui estudos regulatórios para usinas reversíveis e o desenvolvimento de software para identificação de potenciais aplicações dessas usinas, representa um passo decisivo na construção de soluções que garantem maior estabilidade e eficiência para o setor. Essa iniciativa nos permite desenvolver projetos que não apenas ampliam a integração de fontes renováveis, mas também contribuem para o desenvolvimento de novos modelos de negócio”, afirmou.

Usina solar e BESS em ambiente hidrelétrico

O laboratório conta com uma usina fotovoltaica composta por 1.248 módulos, com capacidade instalada de 692 kWp, suficiente para suprir o consumo estimado de mais de 380 residências. Neste primeiro momento, a energia gerada será destinada ao consumo interno da própria empresa.

Associado à planta solar, foi instalado um sistema de armazenamento BESS da Huawei, com capacidade de 215 kWh, que permitirá avaliar o comportamento das baterias em operações conectadas ao sistema elétrico, incluindo regimes de carga, descarga e resposta dinâmica à variação da geração.

A proposta é utilizar a infraestrutura como plataforma experimental para estudar o papel do armazenamento em serviços como controle de tensão, suavização de rampas, resposta rápida a variações de carga e suporte à integração de fontes intermitentes, especialmente em cenários com alta penetração de solar e eólica.

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Projeto piloto e posicionamento do SENAI em Smart Energy

Do ponto de vista institucional, o Flex BESS também consolida o posicionamento do SENAI Pernambuco no campo dos Smart Energy Systems, área considerada estratégica para a indústria e para o planejamento energético nacional. O diretor de Inovação e Tecnologia do SENAI-PE, Oziel Alves, ressaltou o caráter pioneiro da iniciativa no país.

“Trata-se de um projeto piloto no Brasil, dentro de uma usina hidrelétrica e que pode ser utilizado como case nacional. Dado todo o contexto de transição energética, o desenvolvimento desse projeto tem altíssima relevância para o SENAI Pernambuco, através do Instituto SENAI de Inovação. Por meio disso, estamos nos posicionando nesse tema de Smart Energy Systems (Sistemas de Energia Inteligente) e estamos trabalhando para termos estruturas e cases relevantes para que possamos contribuir com o Sistema Nacional Brasileiro de Energia e o setor industrial, promovendo mais energia limpa, de forma inteligente e mais barata para a sociedade”, pontuou.

Evidências técnicas para novos modelos regulatórios

Além da dimensão tecnológica, o projeto tem forte viés regulatório. A expectativa é que os dados gerados pelo laboratório sirvam de insumo para a formulação de novos modelos de negócio e para o desenho de regras que viabilizem economicamente o armazenamento no Brasil, especialmente no que se refere à oferta de serviços ancilares. O diretor de Consultoria da Thymos Energia, Fillipe Soares, destacou a importância do projeto como laboratório regulatório do setor.

“Projetos como esse são fundamentais para acelerar a inserção dos sistemas de armazenamento no setor elétrico brasileiro. Ao testar soluções de baterias em ambiente real, conseguimos gerar evidências técnicas e econômicas que apoiam novos modelos de negócio e a evolução da regulação, especialmente para a oferta de serviços ancilares e o aumento da flexibilidade do sistema. Estamos animados em contribuir com expertise técnico e regulatório nesta iniciativa que ajudará no desenvolvimento do mercado de armazenamento”, afirmou.

Tecnologia da Huawei e integração em escala

A infraestrutura de baterias foi fornecida pela Huawei, com integração conduzida pela HDT, que atua como representante estratégica da empresa no Brasil. A proposta é transformar o Flex BESS em um ambiente de aprendizado técnico para futuras aplicações em escala comercial. O diretor comercial de BESS da HDT, Guilherme Prym, reforçou o papel do projeto como plataforma de demonstração tecnológica.

“No Flex BESS, nossa contribuição está em garantir a aplicação eficiente e segura dos sistemas de baterias, viabilizando maior flexibilidade operacional, confiabilidade e aprendizado técnico para futuras aplicações em larga escala no país”, afirmou.

Laboratório como base para o futuro do armazenamento

Com investimento total de R$ 15 milhões, viabilizado por recursos do programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel, do SENAI e de parceiros privados, o laboratório será utilizado para testes de equipamentos, desenvolvimento de soluções, capacitação técnica e avaliação de aspectos regulatórios.

O sistema será monitorado continuamente para analisar desempenho, custos, ciclos de vida das baterias e diferentes estratégias de integração com usinas hidrelétricas, solares e eólicas. Na prática, o Flex BESS posiciona a UHE Ilha Solteira como um dos principais polos experimentais do país em armazenamento de energia, tecnologia considerada essencial para a consolidação da transição energética e para a modernização do setor elétrico brasileiro.

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