Medida marca o início da transição energética no estado e visa reduzir subsídios da CDE, além de mitigar emissões e elevar a eficiência do atendimento em Boa Vista
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deu o aval definitivo para o início do processo de desativação das usinas termelétricas sob responsabilidade da Roraima Energia. A decisão, oficializada na 314ª reunião do colegiado, é um desdobramento direto da conclusão das obras de interligação do sistema elétrico de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), encerrando o isolamento energético do estado.
A desmobilização do parque gerador térmico segue o cronograma previsto na Revisão 4 do Plano de Substituição do Parque Gerador do Sistema Elétrico de Roraima. Até então, o estado dependia quase exclusivamente da geração térmica local, alimentada por combustíveis fósseis, para suprir sua carga, o que resultava em custos operacionais elevados e alto impacto ambiental. Com a conexão ao SIN, a capital Boa Vista e regiões adjacentes passam a receber energia de forma integrada, aumentando a confiabilidade do suprimento.
Impacto na CDE e Equilíbrio Tarifário
Do ponto de vista econômico, a desativação das térmicas é um passo fundamental para o alívio dos encargos setoriais. Historicamente, a geração em sistemas isolados é subsidiada pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A integração de Roraima ao sistema nacional reduz gradualmente a necessidade desse subsídio, contribuindo para o equilíbrio tarifário em nível nacional e otimizando os recursos do setor.
Além da eficiência econômica, a medida é um pilar da agenda de descarbonização do Ministério de Minas e Energia (MME). A substituição do óleo diesel e de outros combustíveis fósseis pela energia proveniente do SIN, majoritariamente composta por fontes renováveis como hidráulica, eólica e solar, permitirá uma redução drástica nas emissões de gases de efeito estufa na região amazônica.
Próximos Passos e Segurança Operacional
A desativação será realizada de forma faseada, garantindo que a infraestrutura de transmissão instalada suporte a demanda sem intercorrências. O CMSE reforçou que o objetivo é elevar a eficiência e a qualidade do fornecimento de energia no estado aos mesmos patamares dos demais estados brasileiros já interligados.
O monitoramento da operação em Roraima continuará sendo feito de forma intensiva pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A transição assegura que Roraima não apenas tenha uma energia mais limpa e barata, mas que também esteja protegida por um sistema de redundância que o modelo isolado não permitia, consolidando o avanço da infraestrutura elétrica na fronteira norte do país.



