Projetos somam até 200 MW na fase inicial, com possibilidade de escalar para mais de 400 MW por campus, apoiados em energia limpa, infraestrutura robusta e alianças globais
O Brasil entra de forma mais contundente no mapa global da infraestrutura digital de alta densidade. A RT-One, empresa americana de tecnologia com atuação internacional, anunciou a captação de R$ 15 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões, para a construção da maior plataforma de data centers dedicados à Inteligência Artificial (IA) da América Latina. A iniciativa prevê a implantação de um mega-campus em Uberlândia (MG), um segundo centro no estado do Paraná e um terceiro local atualmente em fase de avaliação.
O movimento ocorre em um momento de forte aceleração da demanda por processamento intensivo, impulsionada por aplicações de IA generativa, computação de alto desempenho (HPC), cibersegurança e serviços em nuvem. Ao mesmo tempo, coloca o Brasil em posição estratégica para atrair cargas globais de dados, combinando disponibilidade energética, base renovável, segurança operacional e potencial de escala.
Brasil como alternativa “friendly-shore” para a computação de IA
A proposta da RT-One é posicionar o país como um hub de processamento de IA e computação de alta densidade voltado tanto ao mercado regional quanto internacional. O conceito de “friendly-shore” adotado pela companhia busca oferecer uma alternativa geopolítica e operacionalmente segura para empresas globais, ancorada em energia limpa, infraestrutura resiliente e padrões internacionais de eficiência energética e disponibilidade.
Os projetos têm como foco não apenas a instalação de data centers, mas a criação de verdadeiros polos de atração tecnológica, capazes de fomentar ecossistemas locais de inovação, gerar empregos qualificados e fortalecer a soberania digital brasileira.
Aliança industrial sustenta estratégia de longo prazo
Diferentemente de iniciativas baseadas exclusivamente em capital financeiro, o projeto da RT-One é estruturado a partir de um consórcio de parceiros industriais estratégicos. Além de recursos financeiros, essas empresas aportam engenharia, tecnologia, fornecimento de equipamentos críticos e experiência operacional em projetos de missão crítica.
Essa articulação reforça a visão de longo prazo da iniciativa e reduz riscos associados à execução, operação e expansão dos empreendimentos, especialmente em um segmento que exige altíssimo nível de confiabilidade energética e disponibilidade contínua.
Visão estratégica da companhia
Ao detalhar o cronograma de investimentos, o CEO da RT-One, Fernando Palamone, enfatizou que o projeto funciona como a espinha dorsal para os ecossistemas digitais do futuro. Ele argumenta que a iniciativa consolida o papel da empresa como uma parceira estratégica na arquitetura de redes resilientes e de alta performance.
“Este é mais do que um investimento é a validação de uma visão. A RT-One está comprometida em construir a nova infraestrutura digital do Brasil e do mundo, com foco, tecnologia e alianças estratégicas”, ressalta Fernando Palamone, CEO da RT-One.
A declaração sintetiza o posicionamento da companhia como desenvolvedora de infraestrutura crítica voltada à nova economia digital, em que energia, dados e tecnologia passam a ser elementos indissociáveis.
Energia no centro da estratégia dos data centers
A dimensão energética é um dos pilares do projeto. O primeiro campus, em Uberlândia, já possui contratação de 100 MW em sua fase inicial. Somado ao data center previsto para o Paraná, a capacidade agregada inicial alcança até 200 MW. A arquitetura modular permite que cada campus seja escalado progressivamente para patamares superiores a 400 MW, conforme a evolução da demanda.
Essa escalabilidade exige soluções elétricas de alta potência, confiabilidade extrema e integração com sistemas avançados de automação, proteção e monitoramento, características fundamentais para operações de IA e HPC.
Hitachi Energy lidera fornecimento da infraestrutura elétrica
Dentro desse contexto, a Hitachi Energy desempenha papel central na estruturação do projeto. Líder global em soluções de transmissão, distribuição e gestão inteligente de energia, a empresa será responsável pelos sistemas elétricos de alta potência que alimentarão os data centers da RT-One.
A companhia fornecerá as subestações de alta tensão e todo o portfólio de sistemas de automação necessários para garantir segurança, confiabilidade e eficiência energética na entrega de centenas de megawatts às instalações. Além disso, a Hitachi Energy atuará com seu time de engenharia ao longo de todo o ciclo de implantação, acompanhando a expansão modular dos campi.
Soluções de backup, armazenamento e eficiência energética
Outro parceiro estratégico é a Himoinsa, integrante do grupo Yanmar, que contribuirá com uma ampla gama de soluções para operações de missão crítica. O fornecimento inclui desde torres móveis de iluminação e geração até grupos geradores e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), com monitoramento remoto.
A atuação da empresa agrega redundância, resiliência operacional e flexibilidade ao sistema elétrico dos data centers, atributos essenciais para ambientes que não admitem interrupções.
A MaisEnergia, por sua vez, entra no projeto com expertise em soluções completas de energia para empreendimentos de grande escala no Brasil. Com atuação em infraestrutura energética, geração e eficiência energética, a empresa aporta conhecimento técnico, solidez operacional e capacidade de investimento, reforçando a base local do projeto.
Próximos passos e cronograma
As obras do primeiro mega-campus, em Uberlândia, devem começar nos próximos meses. A expectativa é de um período de ramp-up rápido da potência instalada, refletindo a arquitetura modular do projeto. A primeira entrega operacional está prevista para 2026.
Paralelamente, a RT-One avança nos estudos para o terceiro campus, que deverá ampliar ainda mais a capacidade da plataforma. O objetivo declarado é construir a maior infraestrutura de IA do hemisfério sul, atendendo à crescente demanda da América Latina e do mercado global, com padrões internacionais de eficiência energética, segurança soberana e alta performance.



