ANEEL abre consulta para validar novas versões dos modelos DESSEM e Newave e busca contribuições até 18 de dezembro

A atualização dos modelos é estratégica para o cálculo do PLD e para o planejamento da operação hidrotérmica do SIN em um cenário de matriz mais complexa e renovável

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) iniciou um novo ciclo de contribuições públicas voltado à validação das versões atualizadas dos modelos computacionais que orientam a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e determinam parâmetros essenciais do mercado de curto prazo de energia. As Tomadas de Subsídios nº 21 e nº 22, abertas até 18 de dezembro, envolvem, respectivamente, a versão 22 do modelo DESSEM e a versão 31 do modelo Newave.

Esses modelos, desenvolvidos e conduzidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), são a espinha dorsal da programação operativa, da segurança eletroenergética e da formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). As atualizações periódicas são fundamentais para incorporar avanços metodológicos, melhorias algorítmicas, expansão da rede e maior participação de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica, que modificam profundamente a dinâmica de despacho do SIN.

DESSEM v22: essencial para a operação semanal e de curtíssimo prazo

O modelo DESSEM, atualmente em sua 22ª versão, é responsável pelo planejamento da operação hidrotérmica em horizontes de curtíssimo prazo, mensal, semanal e intrassemanal. Trata-se do modelo mais sensível às condições reais do sistema e às variações quase imediatas de oferta e demanda.

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Segundo o ONS, a ferramenta processa dados atualizados de expansão da geração, hidrologia, disponibilidade térmica, intercâmbios entre subsistemas e previsões de carga, fornecendo metas de geração detalhadas para cada usina hidrelétrica e termelétrica. Seu papel é garantir o despacho ótimo, minimizando custos e riscos, enquanto respeita restrições hidráulicas, de transmissão e operativas.

É por meio do DESSEM que decisões críticas são tomadas diariamente, incluindo acionamento de térmicas, preservação de reservatórios e uso de intercâmbios. Em um país em que o regime hidrológico se torna cada vez mais volátil e em que a entrada massiva de renováveis altera o perfil de carga, as versões atualizadas do modelo são decisivas para assegurar confiabilidade ao SIN.

Newave v31: referência para o planejamento de médio e longo prazos

A versão 31 do modelo Newave também entra em consulta pública. Enquanto o DESSEM opera em janelas curtas, o Newave define a estratégia de operação para horizontes de médio e longo prazos, analisando sistemas hidro-termo-eólico-fotovoltaicos de forma integrada. É essa ferramenta que estima o valor da água nos reservatórios, calcula o custo futuro da energia e orienta a decisão operativa que, posteriormente, influencia diretamente o PLD.

Ao determinar o custo marginal de operação em janelas longas, o Newave funciona como base para o planejamento energético, trazendo robustez aos estudos de expansão, análises de risco hidrológico, avaliação de segurança energética e definição de diretrizes de armazenamento.

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As versões mais recentes do modelo incorporam cenários hidrológicos ampliados, ajustes na representação das usinas, melhorias na simulação de térmicas, integração com fontes renováveis intermitentes e maior detalhamento espacial do SIN. Essas melhorias são cada vez mais críticas em um ambiente em que os reservatórios não funcionam apenas como “pulmão energético”, mas também como elemento essencial para a compensação da variabilidade das fontes eólica e solar.

Participação social e transparência: contribuições serão recebidas por e-mail

A ANEEL reforça que as contribuições para as duas Tomadas de Subsídios devem ser enviadas até 18 de dezembro pelos e-mails:

A abertura das TS reflete o compromisso contínuo da agência com a transparência regulatória e o aprimoramento técnico dos modelos que sustentam o mercado elétrico brasileiro. A participação de agentes do setor, comercializadoras, geradores, distribuidoras, consumidores livres, consultorias e instituições acadêmicas, é considerada fundamental para a validação e calibração das novas versões.

Atualização dos modelos ganha peso com o avanço das renováveis e maior volatilidade do sistema

A revisão dos modelos ocorre em um momento de transformação profunda da matriz elétrica brasileira. A expansão acelerada de renováveis variáveis exige maior qualidade nas previsões e na representação do comportamento do sistema em cenários extremos, tanto de sobra quanto de escassez.

Além disso, a adoção de novas metodologias torna mais precisa a avaliação dos intercâmbios entre regiões, dos limites hidráulicos, das janelas de manutenção das usinas e dos impactos das térmicas de diferentes perfis de custo e flexibilidade.

Para o mercado, versões mais robustas dos modelos aumentam a previsibilidade dos preços, reduzem o risco de volatilidade injustificada no PLD e fortalecem a segurança energética em um cenário de maior complexidade operativa.

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