Assembleia de acionistas preferencialistas ratifica conversão compulsória das ações PN, avanço essencial para a migração da companhia ao mais alto segmento de governança corporativa da B3
A Copel concluiu nesta segunda-feira (17/11) uma etapa estrutural para o processo de migração ao Novo Mercado da B3, com a aprovação, em assembleia especial, da conversão mandatória da totalidade de suas ações preferenciais. A decisão representa um dos passos mais relevantes no redesenho da estrutura acionária da companhia, que vem conduzindo desde 2023 um movimento consistente de aprimoramento de governança e alinhamento às melhores práticas do mercado de capitais.
A aprovação ocorreu na Assembleia Especial de Acionistas Preferencialistas (AGESP PN), realizada nos termos do art. 136, §1º da Lei das S.A., e confirmou a conversão das ações preferenciais em uma nova ação ordinária e uma nova ação preferencial classe C (PNC), esta última compulsoriamente resgatável. A operação integra o conjunto de medidas necessárias à migração da companhia ao segmento Novo Mercado, que exige capital composto exclusivamente por ações ordinárias com direito a voto.
Conversão PN: passo central para reestruturação acionária
A conversão das ações preferenciais, formalmente denominada “Conversão PN”, é elemento crucial para a adequação da Copel aos requisitos do Novo Mercado. O segmento, referência em governança corporativa no Brasil, impõe regras mais rígidas de transparência, proteção ao investidor e equidade entre acionistas, incluindo a inexistência de classes de ações com direitos diferenciados.
De acordo com o fato relevante divulgado pela companhia, a aprovação da Conversão PN encerra um dos estágios mais complexos do processo. Agora, a conclusão efetiva da migração depende do resgate total das novas ações PNC, criadas apenas para viabilizar a estruturação jurídica da transição entre classes acionárias.
Contexto do processo de migração ao Novo Mercado
A migração da Copel ao Novo Mercado foi aprovada pela 212ª Assembleia Geral Extraordinária da companhia, realizada em 22 de agosto de 2025. Desde então, o processo tem avançado por meio de etapas regulatórias e societárias sucessivas, incluindo diversas comunicações ao mercado por meio de fatos relevantes publicados entre os meses de 2025.
O contrato de participação no Novo Mercado foi assinado com a B3 em 5 de novembro de 2025. Contudo, o ingresso definitivo da Copel no segmento está condicionado à finalização da Conversão PN e ao resgate total das ações PNC, etapas que garantem conformidade plena com as exigências da bolsa.
Segundo a companhia, informações adicionais sobre a operacionalização da conversão e sobre o exercício do direito de recesso pelos acionistas dissidentes serão divulgadas oportunamente, seguindo os ritos legais e regulatórios.
Governança e transparência na transição
A Copel reforça, em comunicado oficial, que todo o processo tem sido conduzido em alinhamento com as melhores práticas de governança corporativa. A companhia destaca o compromisso de manter o mercado informado sobre cada fase da transição, incluindo a futura divulgação da data prevista para o início das negociações de suas ações no Novo Mercado.
O movimento, na avaliação de analistas de mercado, representa um marco importante para a empresa no contexto pós-capitalização e no cenário competitivo do setor elétrico brasileiro. A migração tende a ampliar a atratividade da companhia perante investidores institucionais e fundos internacionais com mandato para alocar recursos exclusivamente em empresas listadas em níveis superiores de governança corporativa.
Impactos esperados no mercado de capitais
A entrada da Copel no Novo Mercado deverá aumentar a liquidez dos papéis e reduzir assimetrias de governança, além de consolidar a transição da empresa para um modelo societário mais alinhado a empresas de capital pulverizado. O setor elétrico, caracterizado pela forte presença de companhias estatais e estruturas acionárias complexas, tem observado um movimento crescente de modernização institucional, e a Copel se posiciona agora de forma estratégica nesse cenário.
Especialistas apontam ainda que a simplificação da estrutura acionária pode contribuir para eficiência no processo decisório, maior previsibilidade aos investidores e melhor percepção de risco, elementos cruciais em um ciclo de investimentos cada vez mais orientado por práticas ESG.
Compromisso com a prestação de informações ao mercado
A companhia finalizou o comunicado reiterando seu compromisso com a transparência e conformidade regulatória.
“Por fim, reafirmando seu compromisso com a transparência, em conformidade com a legislação e regulamentação aplicáveis e em linha com as melhores práticas de governança corporativa, a Companhia reforça que irá manter os seus acionistas e o mercado em geral informados sobre desdobramentos e andamentos relevantes do processo, incluindo a data prevista para início efetivo de negociação de suas ações no Novo Mercado.”
A declaração reforça o tom institucional adotado pela empresa ao longo de todo o processo, marcado por comunicação frequente e detalhada, comportamento esperado de companhias que buscam aderir aos segmentos superiores de governança corporativa.



